RESPONSABILIDADE SOCIAL E ÉTICA

LUCILA CANO*
lcano@terra.com.br

10 de setembro de 2010 0:06 

Voluntariado sem intermediações

“Às vezes vemos relatos de pessoas que foram transformadas por ações voluntárias que conheceram no Portal do Voluntário. Acho uma grande benção poder trabalhar em uma iniciativa que ajuda e conecta pessoas que querem fazer algo bom para a sociedade”, diz Bruno Ayres, responsável pela Coordenação Geral do Portal do Voluntário e pelo V2V.

O Portal do Voluntário data de 5 de dezembro de 2001, Dia Internacional do Voluntário. Sua origem se deve ao Programa Voluntários, da Comunidade Solidária que, em 2000, recebeu convite da TV Globo para lançar um portal em celebração ao Ano Internacional do Voluntariado, em 2001.

O V2V, lançado em 2004, “é a nossa rede social, inspirada no sucesso do Orkut na época. O V2V foi a primeira rede social para voluntários do Brasil e, muito provavelmente, do mundo”, informa Ayres.

Com esse suporte especializado, voluntários, organizações e empresas dispõem de aplicações de internet para gerenciar seus programas de voluntariado e responsabilidade social, com liberdade e sem intermediações. Confira em www.portaldovoluntario.org.br

Uma inovação e um avanço

De acordo com Ayres, “o Portal do Voluntário se destacou entre outras iniciativas, porque fomos os primeiros a permitir que os próprios voluntários criassem seus projetos e disponibilizassem oportunidades diretamente. Isso foi uma grande inovação, não só no Brasil, como no mundo”.

“Ao romper com o modelo tradicional, diz ele, em que apenas as organizações recrutavam voluntários, nos abrimos para a criatividade das pessoas e a resposta foi fenomenal: elas se conectavam entre si mais efetivamente do que intermediadas por processos formais. A confiança e o contato pessoal são fundamentais para o engajamento voluntário: mais de 50% das pessoas que se envolvem como voluntários o fazem por influência de parentes e amigos. Portanto, as redes sociais pessoais são muito relevantes para a promoção da causa”.

Na implantação de um portal, a tecnologia fica aos cuidados da software house de foco estrito no voluntariado, enquanto a gestão do programa é da empresa, a qual deve conhecer melhor as características do seu voluntariado interno.

Segundo Ayres, “nossa bagagem é valorizada, mas o que mais gostamos é quando as empresas que têm V2V trocam experiência diretamente. Isso é muito rico e nós incentivamos: em outubro deste ano, haverá um encontro entre elas”.

Voluntariado corporativo no Brasil é referência mundial

Ayres diz que “isso é resultado do trabalho sério do Programa Voluntários, da Comunidade Solidária, entre 1995 e 2002. Foram pesquisas, investimentos, publicações, projetos-piloto, centros de voluntários, enfim, todo tipo de incentivo para que a sociedade se apropriasse da causa. O voluntariado corporativo brasileiro é reconhecido por especialistas de nível global como um dos mais criativos e inovadores do mundo. Parte desse crédito vem do uso intensivo de internet e redes sociais, onde o V2V lidera e é benchmark mundial”.

Para Ayres, “o maior desafio para a promoção do voluntariado corporativo é a empresa entendê-lo como um projeto estratégico para seu relacionamento com os funcionários, stakeholders e a sociedade em geral. O voluntariado pode ser uma estratégia para engajar pessoalmente funcionários e stakeholders nessa busca. O V2V permite que a empresa veja as ações que os seus voluntários estão empreendendo nas comunidades. Isso a leva a fazer mais e mobilizar melhor seus stakeholders: é um ciclo virtuoso”.

Importa menos o que leva uma pessoa ao voluntariado do que como ela sai depois de uma ação: “Em mais de 90% dos casos, os voluntários saem com a impressão de que receberam mais do que doaram de si mesmos”. As causas e públicos mais populares entre os voluntários são educação e infância. “Creio que há uma percepção generalizada de que essas são questões-chave para a sociedade e que se esses desafios forem enfrentados de maneira adequada, todos saem ganhando”. E qual o perfil dos voluntários? “Em geral, são jovens e com predominância do público feminino”, conclui nosso entrevistado.

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* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.

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Lucila Cano é jornalista especializada em projetos editoriais, consultoria
empresarial e produção de textos sobre Responsabilidade Social e Ética.
a coluna.



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