Semana passada enquanto o presidente Lula descia na ilha de Cuba, um dissidente do regime morria de fome nas masmorras de Fidel. O fato aconteceu nas barbas do nosso presidente que não criticou, não comentou e ouviu tudo calado.
Não é de agora que Lula rasga seda com Fidel. É no planeta, talvez, o único presidente de um grande país que ainda insiste em bajular a ditadura comunista cubana. Sua atitude, nesse caso, revela um paradoxo sem tamanho. Lula por si só é uma referência para a democracia no mundo. Ele, um mísero metalúrgico, com grandes limitações culturais e muito carisma, elegeu-se presidente do Brasil. Depois, conseguiu a reeleição, após quatro anos de mandato e nesses oito anos de sua administração elevou o País a patamares nunca alcançados, como o crescimento do salário mínimo para além da marca dos $200 dólares; a criação de cerca de 11 milhões de empregos; a redução do risco Brasil para 200 pontos; a acumulação de reservas do Tesouro Nacional, acima de 160 bilhões de dólares; e, principalmente, soube manobrar o regime capitalista como ninguém, retirando dele os recursos para combater a pobreza e avançar no sentido da sua erradicação.
Luís Inácio Lula da Silva é um fenômeno eleitoral, mas só se elegeu porque andava de braços dados com José Alencar. Esquerda atrelada à Direita, daí o equilíbrio. Foi visto assim pela maioria da sociedade brasileira conservadora. Isso, porém, não significa necessariamente que Lula, no tempo atual, interiormente, ainda seja portador de algum resíduo esquerdista, não. Na verdade, aquele tempo de sindicato já passou e a vida privada do Presidente e de sua família, hoje, situa-se em um patamar mais alto, longe de onde vicejam os pensamentos de Karl Max.
Ora, vocês poderiam perguntar por quais cargas d’água Lula adula Fidel? A resposta quiçá esteja por estarmos no período pré-eleitoral, em que não se pode perder de vista os votos sob influência dos intelectuais de esquerda. Passar a idéia de que mantém os mesmos princípios da sua época de metalúrgico, nesse momento, segundo Lula, só ajuda.
Eu penso que não. Acho que a candidatura Dilma Roussef, abençoada pela esquerda bolchevista saudosista pode naufragar. Não é que a maioria dos brasileiros letrados acredite em uma recaída de Lula, quando deixar a presidência, para vir defender os ideais socialistas. Não é isso, não. O povo já conhece Lula e muito bem. Mas não conhece Dilma. Reina no Brasil, nesse instante, uma atmosfera de desconfiança, obviamente, incentivada pela oposição, onde os prenúncios não são favoráveis à candidata de Lula, sem carisma e com um passado obscuro ou mesmo pouco transparente. As conjecturas não são boas. Muita gente pensa que o espírito guerrilheiro de Roussef pode colocar o Brasil em caminho paralelo ao da Venezuela. Mesmo aqueles que receberam desse governo benefícios nunca dantes recebidos, como os mais pobres, trazem no âmago a incerteza de colocar no poder uma pessoa simpática à causa de Hugo Chavez.
A meu ver, o desfile de Lula ao lado de Raul Castro, truculento sucessor de Fidel, no momento em que o dissidente Orlando Zapata falecia à míngua em uma prisão cubana, pelo crime de opinião, foi um passo em falso cujas conseqüências atingirão decerto, a candidatura Dilma Roussef. Naquela oportunidade, o que povo brasileiro esperava do nosso presidente, era que ele com a sua franqueza habitual, informasse descontentamento pela manutenção, no país caribenho, de mais de duas centenas de prisioneiros cujo único crime foi o de pensar.
As eleições estão por aí; faltam apenas sete meses para nascer o(a) novo(a) mandatário(a) da Nação, porém nesse caso nenhuma ultra-sonografia serve.
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José Luiz Argolo é alagoano, ex-conselheiro do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, fundador e presidente da SAMAN – Sociedade Ambientalista Mãe Natureza. É formado em Letras (CESMAC) e tem especialização em Solos e Meio-Ambiente (UFLA – Lavras/MG).
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