Aproveito a comemoração do “dia mundial sem carro” para pegar carona nas bicicletas e falar da ciclovia construída na orla marítima de Maceió, inaugurada recentemente, pelo Presidente Lula, junto com outras obras que integram os melhoramentos das vias de locomoção, situadas à beira-mar.
Foram colocados, à disposição do público, novos revestimentos asfálticos e semáforos de fases, iluminação moderna e pavimento feito de tijolinhos de barro cozido entremeado por piso de concreto cimentado, que juntos compõem o passeio de pedestres, paralelamente, à ciclovia; esta contém uma parte asfaltada, em determinado percurso, seguida de outra constituída de tijolinhos iguais aos da calçada, só que em cor diferente.
Aquele complexo urbanístico aliado à lindeza natural do ambiente ficou bonito de se ver, mas imperfeito para se caminhar, devido aos lapsos observados no conjunto da obra.
Não é necessário ser perito, basta olhar para a disposição da calçada e da ciclovia e logo se percebem falhas imperdoáveis, na engenharia do projeto. O desenho da ciclovia apresenta-se inadequado para convivência com o passeio dos pedestres, porque se entrelaça com ele em vários pontos, perfazendo cinco cruzamentos ao longo de três quilômetros. Esse fato representa um alto risco de atropelamento por bicicleta para as pessoas que fazem suas caminhadas, ali. A coisa se complica mais ainda com a ausência de placas indicadoras das passagens e a falta de sinais com advertência sobre o trânsito de bicicletas, naqueles locais. Salta aos olhos, também, o descuido da arquitetura quando não dispôs toda a ciclovia ladeando o mar. Seria mais confortável para os ciclistas e menos perigoso para os pedestres.
Esse desleixo dos engenheiros poderia abrir um leque de conjecturas. Entretanto, por estarmos diante de um fato consumado, é de bom alvitre não soprar a poeira de cima do preço da obra, a fim de evitar que algum cisco venha ter em nossos olhos.
É uma obra que custou muitas cifras ao governo de Alagoas e à Nação. O valor estava estampado em uma placa enorme, durante a construção; só que ninguém se deu ao trabalho de olhar o preço. Aliás, em Alagoas o que sobra é apatia. Eita povo apático! Não custa lembrar que os deputados taturanas, conforme ficou provado no processo instaurado pela Polícia Federal, roubaram trezentos milhões de reais da Assembléia Legislativa sem que nenhuma pessoa, sindicato, associação ou qualquer outro organismo ensaiasse alguma reação, para cobrar do poder público providência efetiva, de modo a reaver o que foi subtraído do erário. O próprio Governador do Estado, ao que tudo indica fechou os olhos e continua a repassar indevidamente, três milhões de reais mensais acima do duodécimo, para a mesma Assembléia, que após o afastamento “indevido” determinado por um juiz alagoano, tornou a ser composta pelos mesmos gatunos, já que retomaram os seus mandatos legislativos por decisão judicial de superior instância… e tudo voltou a ser como dantes na terra de abrantes. Ora, diante de um rombo desse tamanho, não é surpresa o povo fazer vistas grossas para desfalques menores.
Alguém está com o sangue a ferver nas veias, por conta disso, neste momento? Eu estou sim, porque a moda pegou. O Prefeito, por motivo “ignorado”, passou a liberar, para a Câmara Municipal de Maceió, cerca de um milhão de reais a mais do que o devido, no duodécimo mensal.
Mas, eu estava a falar da ciclovia, onde os pedestres fazem suas caminhadas sob ameaça das bicicletas. É verdade que não só as bicicletas, também, as motocicletas, os patins, os skates e até as carrocinhas dos ambulantes, estão pondo em risco a integridade física das pessoas, notadamente, dos indivíduos mais frágeis, como crianças, idosos e deficientes físicos, porque além do perigo nos cruzamentos, os invasores tomaram conta da calçada e deslizam sobre ela, fomentando a desordem e criando pânico naquele logradouro. É um Deus nos acuda. Um salve-se quem puder, sem que alguém diga nada, sobretudo a Imprensa de Alagoas que parece ter boca de siri. Calada estava, calada ficou, embora já tenham acontecido alguns atropelamentos.
A situação preocupa, porque bicicletas, patins, skates e carrocinhas não têm placas e como a fiscalização é inoperante, a tendência é que os atropeladores saiam impunes. Se me perguntarem para que serve o aparato, de fiscais da SMCCU – Superintendência Municipal de Controle e Convívio Urbano, de guardas municipais de trânsito, de funcionários da SMTT – Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito e, até de policiais militares da nossa briosa Polícia Militar de Alagoas, postados ali, eu não saberia responder. A verdade é que eles estão lá, ostensivamente, como se estivessem trabalhando.
Em Maceió, no 22 de setembro de 2009, afora um heróico grupo, com quase 50 ciclistas, que desfilou à noitinha soprando uma buzina diferente, pela orla de Maceió, nada mais houve, tudo se deu em perfeita normalidade, com todos os carros a rodar do mesmo jeito, como se fosse só mais Um Dia Mundial Sem Carro.
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José Luiz Argolo é alagoano, ex-conselheiro do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, fundador e presidente da SAMAN – Sociedade Ambientalista Mãe Natureza. É formado em Letras (CESMAC) e tem especialização em Solos e Meio-Ambiente (UFLA – Lavras/MG).
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