
Malcolm Gladwell (“O Ponto da Virada”, Sextante, 2002) fala do efeito que modelos da comunidade – administradores, professores, profissionais de alto nível, enfim – exercem na vida de um bairro.
Segundo ele, se no bairro há pessoas com padrão mais elevado todos se beneficiam. Ou seja, as condições de moradia, educação, higiene são melhores para todos. A não-existência de pessoas desse nível prejudica todo mundo, fazendo com que as condições sejam piores.
Fica claro que as pessoas buscam naturalmente um melhor padrão de vida, mudando-se quando o local não corresponde às expectativas. Isso implica o conceito da tolerância zero, iniciado em Nova York.
Para quem não sabe, apesar de já se ter falado bastante a respeito, a tolerância zero baseia-se no fato de que uma janela quebrada, por exemplo, se não for consertada, vai estimular as pessoas a jogarem lixo naquela rua, quebrarem mais vidraças, depredarem outros prédios, porque sinaliza que ninguém está ligando para aquilo.
A base do livro de Malcolm Gladwell é: tudo contagia e pode desencadear uma epidemia, para o bem ou para o mal. Claro, depende de vários e fatores, mas, na sua essência, é simples assim.
Meu interesse é incentivar o desenvolvimento da inteligência, fonte para se adquirir novos conhecimentos, esses sim a maior riqueza que podemos acumular se soubermos usa-los e não apenas acumula-los.
Elevar seu quociente de inteligência é um bom começo. “O QI alto guarda relação com o sucesso maior”, escreveu Nicholas D. Kristof no The New York Times (“O caminho que leva ao sucesso”, matéria reproduzida pela Folha de S.Paulo, 25/5/09). “E hoje não se considera mais que o QI seja determinado pela genética. Estudos indicam que QIs de crianças carentes subiram até 18 pontos percentuais quando elas receberam educação de qualidade”.
E o jornal constata o óbvio: “Um especialista recomenda a educação intensiva na primeira infância, graças a sua capacidade comprovada de elevar o QI e promover bons resultados no longo prazo”.
Não canso de dizer que quando estudei no Seminário Menor Dicocesano de São Carlos, SP, entre final dos anos 50 e início dos 60, tive professores formados na Europa com outra visão do ensino.
Estudar latim, básico para aprendermos português, por exemplo, era uma tarefa agradável: o professor nos incentivava com entradas de cinema, livros ou uma simples bala para quem tirasse acima de 7.
Quando trabalhei como redator de propaganda, convivi com gente que me mostrou a importância da música, filme, obras de arte para se fazer um texto de anúncio ou um comercial de TV.
Como diz o Times: “Bill Gates, por exemplo, ‘teve a sorte de estudar numa ótima escola que tinha computador na aurora da revolução da informação. Pessoas excepcionalmente bem-sucedidas não são pioneiras isoladas que criaram seu próprio sucesso’”.
No seu livro, Malcolm Gladwell diz que muitos criticam a TV porque, segundo eles, a assistimos como zumbis: o que nos atrai são violência, luzes fortes, ruídos, edição etc. Mas pesquisadores descobriram, nos anos 60 e 70, que não é assim que crianças assistem TV.
Em vez de pregar os olhos na tela e se desligar do mundo, elas dão rápidas olhadelas, dividindo a atenção com outras atividades. Deixam de prestar atenção quando não entendem o que veem. Testes com crianças em sala cheia de brinquedos e TV ligada, e outras só vendo TV, mostraram que lembrança e entendimento do que havia sido exibido eram os mesmos para os dois grupos. Isso, acredito eu, vale para o ensino: é só sabermos transmitir conhecimento.
* Com Lucila Cano.
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Engel Paschoal (engelpaschoal@uol.com.br) é jornalista e dá cursos e palestras sobre responsabilidade social. Este artigo somente poderá ser reproduzido ou publicado com autorização prévia do autor.Não há matéria relacionada.
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