VISÃO NORDESTINA

JOSÉ LUIZ MALTA ARGOLO
jlargolo@yahoo.com.br

23 de novembro de 2009 17:59 

Transgênicos – um caminho sem volta

TRANSGÊNICOS – UM CAMINHO SEM VOLTA

Se minha avó Idalina fosse viva e ouvisse da boca de algum de seus netos que um gene de rato poderia fazer parte de uma planta como o milho, por exemplo, ela certamente haveria de exclamar: – “Pare com essa conversa, menino! Isso é armada do cão!”

Certamente, a Entidade do mal tem pouco a ver com os transgênicos, embora não se possa descartar demonolatria entre os que aspiram a riqueza e o poder a todo custo, como as multinacionais produtoras de alimentos.

Não admira, pois, o emprego questionável do “lobby” por parte de empresas transnacionais para convencimento de parlamentares, afora a cooptação de setores da Imprensa, formadores de opinião, a fim de defenderem os OGMs transgênicos, mesmo sem conhecerem pesquisa alguma capaz de garantir a inocuidade, para os seres vivos ante o comparecimento desses organismos nos ecossistemas e pior, ainda, nos alimentos que consumimos.

Agora mesmo, tramita no Congresso nacional, o Projeto de lei nº 4148/08 do Deputado Luís Carlos Heinze que pretende negar o direito do consumidor à informação sobre a presença de transgênicos nos produtos que se encontram à venda. É verdade que o rótulo nas embalagens com a indicação da existência de transgênicos naqueles alimentos, por si só, não livra a população de consumi-los, todavia oferece, ao menos, oportunidade de escolha. Se o projeto passar ficaremos inteiramente às escuras, conforme já estamos a comprar sem saber, muita comida produzida a partir desses organismos, exceção feita ao óleo de soja, que informa sutilmente a transgenia.

Ora, a chegada dos transgênicos ao Brasil e a sua permanência tem prejudicado a todo mundo. Essa tecnologia ameaça solapar a biodiversidade do Planeta, enquanto interfere na agricultura mundial, sem se importar com o Princípio da Precaução, defendido pela ONU – Organização das Nações Unidas.

Em princípio, são os agricultores convencionais e/ou orgânicos que têm sofrido os maiores prejuízos, porque se no entorno houver OGMs, eles ficarão impossibilitados de exportarem as colheitas para países que proíbem transgênicos, em face da contaminação de sua lavoura pelos vizinhos. Mas, à exceção dos monopólios que os produzem, ninguém ganha nada com os transgênicos. Eles são menos produtivos do que os cultivos convencionais e orgânicos, embora requeiram mais venenos do que estes, tornando-se por isso, mais onerosos; além de tudo, deixam os agricultores que os usam reféns dos grandes grupos vendedores de sementes e de agrotóxicos exclusivos.

Afora as desvantagens informadas acima e conhecidas de todos, os organismos transgênicos favorecem a existência da propriedade intelectual, cuja crueldade impossibilita ao plantador guardar sementes para a safra do ano seguinte; e, não fica só nisso, caso apareça outra variedade transgênica na propriedade, o agricultor será processado, se não for convincente em suas explicações da “anormalidade” perante o fornecedor.

No Brasil, o controle dos organismos transgênicos está nas mãos da CTNBio – Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, a qual não tem demonstrado rigor para com a aprovação dos OGMs, o mesmo tem ocorrido com as outras instituições licenciadoras, como o IBAMA, o MMA e o CONAMA.

O País parece ter-se curvado à força lobbysta da Monsanto que apesar dos bombardeios ecologistas continua a expandir-se. Há muita semelhança com uma pandemia, que entra, instala-se e a cada dia que passa estende suas raízes e fortifica-se. Nos supermercados, o óleo comestível produzido a partir da soja transgênica é abundante e cinqüenta por cento mais barato do que o óleo comum. As pessoas, talvez, devido à grande oferta de marcas diferentes e à economia do preço menor ou porque não mais se importem com os potenciais e abstratos danos à saúde ou simplesmente, pelo fato de que a variedade do óleo livre de OGMs esteja a desaparecer das prateleiras, estão a comprar mais do óleo transgênico.

Nesse rojão, daqui a alguns anos, se a natureza não rebelar-se contra a perda das suas espécies selvagens, os OGMs transgênicos consolidar-se-ão na terra e não haverá caminho de volta.

Então, seja lá o que Deus quiser!
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José Luiz Argolo é alagoano, ex-conselheiro do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, fundador e presidente da SAMAN – Sociedade Ambientalista Mãe Natureza. É formado em Letras (CESMAC) e tem especialização em Solos e Meio-Ambiente (UFLA – Lavras/MG).



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