À noite, as pessoas deitam a cabeça em macios travesseiros e dormem em paz. Não o fariam, com certeza, se soubessem o que acontece na calada da noite. Nas selvas, nos porões sombrios, encobertos sob o véu da escuridão, sorrateiros carrascos, produto da escória humana, agem ocultos aos olhos do mundo, mas não aos olhos de Deus.
Todos os dias, milhares de criaturas inocentes são vítimas de violência, fome, sede, e sofrem como se estivessem num verdadeiro inferno, aprisionados sem terem cometido crime algum. São os animais silvestres, vítimas do tráfico, que são apreendidos e transportados de maneiras cruéis.
Só para se ter uma idéia do que acontece, de cada dez animais capturados, nove morrem em situações de estresse, por mutilação, com o pavor estampado nas fisionomias. Apenas um sobrevive.
Vítimas da ganância de pessoas sem ética e sem consciência, verdadeiros criminosos que lhes roubam a liberdade . Alguns pássaros têm as retinas queimadas pelo calor de cigarros. Sem enxergar, não voam e parecem mansos e dóceis aos compradores. Morrem alguns dias depois.
Animais capturados têm os dentes serrados, arrancadas suas garras, cortadas suas asas, seccionadas suas cordas vocais, na maioria das vezes sem anestésicos, imobilizados e condenados à dor nesses suplícios. Mães desesperadas são mortas na frente dos filhotes que são aprisionados em seguida.
Embalados em garrafas plásticas, caixas ou cartuchos minúsculos, a maioria morre antes de chegar ao destino final. Atrás desses seres humanos (?) inescrupulosos fica um rastro de sangue e morte. E os pequenos mártires, condenados sem perdão, por uma causa que não abraçaram, morrem, e seus corpinhos são jogados para que apodreçam. Não mais cantam, não mais voam, não mais correm ou pulam, nem brincam nas florestas. Vidas preciosas desperdiçadas por causa de criaturas egoístas e sem misericórdia alguma, que só pensam no lucro gerado pelo comércio.
Não podemos ser coniventes com essas barbaridades. Não fazer nada é crime de omissão. Um basta ao tráfico! Denunciem às autoridades competentes se souberem de algum lugar que venda animais silvestres.
É nosso dever como cidadãos e até como cristãos. Não comprem animais silvestres e nem produtos derivados deles, quer sejam bijuterias, ornamentos, enfeites para casa, tudo o que seja feito de penas, peles, ossos, garras ou dentes de animais.
Sem compradores para esses objetos de gosto duvidoso, o mercado fatalmente terá fim. Só agindo dessa maneira estaremos colaborando para acabar com o inútil holocausto desses inocentes. O futuro da nossa fauna e flora, e até do planeta, depende de ações agora, no presente.
—
Ivana Maria França de Negri é escritora, colunista fixa de vários jornais e integrante, há 10 anos, da SPPA – Sociedade Piracicabana de Proteção aos Animais.
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