13 de agosto de 2009 18:27 

Trabalhadores ocupam área da Veracel na Bahia

DA REDE ALERTA CONTRA O DESERTO VERDE – BAHIA

Mais de 400 famílias do Movimento de Luta pela Terra ocuparam uma área de 8.707 hectares com plantio de eucalipto da Veracel Celulose no município de Eunápolis, no último dia 29. Os trabalhadores pedem que a empresa libere a área, pois, trata-se de terra devoluta. Muitos dos trabalhadores ali presentes viveram no local e foram expulsos para posterior plantio de eucalipto. No local, há vários vestígios do que aconteceu. Há cisternas, diversas escombros de casas e testemunhos de acampados que viveram no local. Dona Conceição, de origem indígena, 37 anos, relata que nasceu neste local e que sua família foi expulsa “a terra era do meu avô e eu morava com ele, meus pais e outros parentes. Era uma família grande. Hoje, estamos espalhados e sofrendo muito. Queremos a nossa terra de volta pois de lá pra cá não tivemos morada certa. Não conseguimos emprego na cidade. Precisamos de terra para plantar alimentos e viver sossegados”.

Onde havia eucalipto os trabalhadores plantaram feijão, milho, amendoim, mandioca, abóbora, etc. O Coordenador estadual do MLT, Juenildo Oliveira Farias ressalta que há diversas propriedades do Estado (áreas devolutas) que estão utilizadas pela veracel para plantio de eucalipto. Ele afirma que o Governo do Estado já tem informações suficientes sobre a questão e já deveria ter tomado providências no sentido de destinar as terras devolutas para o povo da região que está passando fome na cidade, sem emprego e sem esperança. “Já passou da hora do Governo fazer as vistorias e entregar as terras aos trabalhadores” conclui Juenildo.

A área reivindicada pelo MLT, denominada de cedro I, II, e III, vai passar por uma discriminatória, que visa separar o que é publico do que é privado. A coordenação de Desenvolvimento Agrário da Bahia, informou ao Jornal A Tarde, através do coordenador de Ação Fundiária que tem um prazo de 90 dias para conclusão dos estudos com direito a prorrogação de mais 30. “Pode ter ocorrido expulsão dos posseiros, sim. Vamos analisar a documentação para verificar de quem é a terra” disse o coordenador.



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