ESPECIAL

INGUELORE SCHEUNEMANN

25 de setembro de 2009 14:20 

Sustentabilidade sustentada pela pesquisa

Programa Iberoamericano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento


Desenvolvimento Sustentável, por certo, não versa só sobre meio ambiente, é um tema transversal a todas as áreas do conhecimento. Sustentabilidade versa sobre responsabilidade. Sustentabilidade não é mais um tema de moralidade somente; tornou-se também um tema de interesse próprio (das pessoas, das empresas …).

Esta afirmação é feita por Janes Potocnik responsável pela Direção de Ciência e Pesquisa da European Commission, órgão executivo das políticas da União Européia, em análise que faz do manifesto derivado da Conferência Internacional sobre “Desenvolvimento Sustentável – um desafio para a pesquisa científica na Europa” a qual se realizou em maio último, em Bruxelas.

Dentre os temas abordados, encontra-se o painel “Sustentabilidade global através de cooperação internacional para pesquisa”. Deste, em especial, analiso alguns dos pontos discutidos, centrados não mais na prevenção, mas sim na recuperação do meio ambiente, da economia e o alcance da equidade social.

Hoje, não deveria restar mais duvida, de que a degradação do ecossistema, o aquecimento global, o colapso dos recursos renováveis e a discriminação social se constituem em fatores de interdependência entre as diferentes regiões do planeta pelo qual as soluções não podem mais ser tomadas por países ou por regiões isoladamente.

Temos assistido a reuniões de líderes políticos e governantes com foco na diminuição da emissão de gases tóxicos, aquecimento global, aumento do nível das águas do mar, esgotamento das fontes de água doce, emergência de novas epidemias e pandemias, colapso da economia, aprofundamento das iniqüidades sociais, por exemplo. No entanto, pouco ou nada se tem visto, a este nível de discussão, sobre a ineficácia de uma solução unidimensional para alcançar a sustentabilidade.

Tomemos como exemplo a saúde. Essa depende de acesso à alimentação, água não poluída, acesso à informação e educação, como mínimo. É dizer, uma visão transdisciplinar e sistêmica do tema sustentabilidade.

Para tratar da sustentabilidade com o foco sistêmico se faz necessário uma mudança, ou mais que isso, dar um ou muitos passos adiante na forma de pensar de cada um de nós e de nossos dirigentes, pesquisadores, educadores. A educação, indispensavelmente, precisa de uma evolução deixando para trás o tratamento fragmentado e unidimensional do conhecimento para adotar a indissociabilidade e transdisciplinaridade.

Se o propósito é uma vida digna para todos, característica das sociedades sustentáveis no futuro, o investimento nas pessoas e nas instituições é uma condição essencial para lograr a aquisição de um pensamento individual e coletivo transversal e abrangente, bem como a habilidade de usar, criticamente, o conhecimento em todas as esferas da atividade humana.

Ao mesmo tempo, na pesquisa necessita-se avançar mais rápido em direção a formação grupos transdisciplinares, transnacionais e catalíticos para o diálogo crítico que atravesse os diferentes domínios relativos da sustentabilidade.

No entanto, mesmo com o reconhecimento dos avanços necessários, a pesquisa científica é a provedora de soluções para os problemas que a humanidade tem feito face. E, destes feitos científicos, devem os nossos governantes, conjuntamente, fazer uso para a tomada de decisões que atravessem fronteiras não só geo-polítcas, mas também culturais, em uma forma de cooperação para a sustentabilidade.

Enquanto esforços individuais são indispensáveis, são igualmente requeridas mudanças a níveis mais estruturais e sistêmicos para re-balancear a habilidade da natureza de prover melhores aportes. Os avanços tecnológicos e novos produtos e processos serão mais efetivos se forem engendrados em torno do comportamento humano em conjunção com a expansão de uma cultura para o social e da responsabilidade no que tange ao meio ambiente. (Assertiva que finaliza o relatório do painel “Enhancing Global Sustainability Through International Cooperation” durante a Conferência Internacional sobre “Desenvolvimento Sustentável – um desafio para a pesquisa científica na Europa”, realizada em maio 2009, Bruxelas).


A professora Inguelore Scheunemann, ex-reitora da Universidade de Pelotas (RS), é especialista em imunologia e microbiologia, além de PhD em estomatologia pela Universidade de Granada (Espanha); tem título de mestre do Programa de PhD União Européia Econômica, da Universidade de Granada, integra o Comitê Científico de Desenvolvimento Sustentável da União Européia e dirigiu a área de Ciência e Sociedade do Programa Iberoamericano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento.



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