STEPHANIE TONDO
Da Assessoria de Comunicação da UFRJ.
O surgimento de uma nova linhagem de bactérias resistentes a antibióticos tem deixado os médicos receosos, além de já começar a se espalhar pelo mundo, indica o início a uma possível epidemia. A resistência das enterobactérias, recentemente chamadas de superbactérias, se dá pela presença do gene mutante NDM-1.
“Mutações e transferência de genes são mecanismos comuns entre as bactérias e, dessa forma, uma mutante resistente pode ser selecionada na presença do antibiótico, que irá eliminar todas as bactérias sensíveis, favorecendo a proliferação da resistente”, explica Agnes Marie Sá Figueiredo, diretora do Instituto de Microbiologia Professor Paulo de Góes da UFRJ (IMPPG/UFRJ).
As enterobactérias são encontradas no intestino e nas regiões extraintestinais, podendo causar doenças de ordem infecciosa como a salmonela, por exemplo. Os antibióticos utilizados para o tratamento de infecções graves por enterobactérias multirresistentes pertencem ao grupo dos carbapenems.
O gene NDM-1 produz uma enzima que degrada a estrutura dos antibióticos carbapenems, tornando-os ineficazes. “O tratamento desses pacientes torna-se extremamente dificultoso pelo fato de que a maioria das bactérias produtoras de NDM-1 pode ser resistente a todos os antibióticos administrados de forma endovenosa”, afirma Agnes.
Cuidados e Prevenção
A presença das enterobactérias pode ser percebida em locais e utensílios pouco higienizados ou em alimentos contaminados. “As infecções por tais superbactérias se dão, de modo geral, em ambientes hospitalares. É importante, portanto, que os hospitais possuam comissões de infecções hospitalares verdadeiramente atuantes, que elaborem medidas que visem ao controle da disseminação de bactérias multirresistentes e a redução do índice de infecções. Além disso, é importante que os governos exerçam maior fiscalização sobre os hospitais”, alerta a professora.
O cuidado com os pacientes infectados é importante, pois evita que outras pessoas sejam contaminadas. Fiscalização e padronização de protocolos e procedimentos médicos por parte dos hospitais também facilitam a tomada de medidas a favor da redução das infecções. “Em alguns hospitais de países como a Holanda e países nórdicos, em geral, se utiliza a barreira física, ou seja, o isolamento do paciente infectado. Várias são as medidas recomendadas para o controle de bactérias multirresistentes. A questão mais importante me parece a fiscalização e o uso correto de tais medidas”, afirma a diretora do IMPPG/UFRJ.
Riscos de epidemia
O ritmo de infecções por enterobactérias tem sido acelerado no mundo todo e com a globalização e, consequentemente, o grande trânsito de pessoas, a tendência é que esse ritmo cresça ainda mais.
“Nós temos testemunhado verdadeiras pandemias de infecções hospitalares. Acredito que nossos políticos estão perdendo uma grande oportunidade, em suas campanhas, de alencarem as infecções hospitalares e as bactérias multirresistentes como bandeiras. As pessoas, hoje, estão ficando com medo de recorrer aos hospitais e querem ¯ exigem ¯ que os hospitais sejam locais de cura e não de mais doenças e mortes. É preciso ter como meta a tolerância zero para as infecções hospitalares, principalmente no caso das chamadas superbactérias”, conclui Agnes Marie Sá Figueiredo.
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