16 de dezembro de 2009 15:16 

Stephanes: não há risco de usinas migrarem da produção de etanol para a de açúcar

DANILO MACEDO
AGÊNCIA BRASIL

Elza Fiúza/Agência Brasil

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse nesta quarta-feira (16), que não há o risco de usinas de álcool passarem a produzir açúcar, influenciadas pelo mercado mundial. O açúcar atingiu o maior preço dos últimos 28 anos nas bolsas internacionais de commodities, enquanto as exportações de etanol tiveram uma “redução drástica” nesta safra, segundo análise que faz parte de levantamento divulgado hoje (16) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“As usinas estão muito conscientes dos mecanismos de controle do mercado e sabem que têm consumidores que preferem o álcool à gasolina, na medida em que o preço compense”, afirmou Stephanes durante a apresentação do terceiro levantamento da safra 2009/2010 de cana-de-açúcar. Segundo ele, o atraso na moagem de cana, devido ao excesso de chuvas no período em que ela tradicionalmente é feita, fez com que cerca de 60 milhões de toneladas deixassem de ser esmagadas e gerou o desequilíbrio entre a rentabilidade do álcool e a do açúcar.

De acordo com a Conab, o ciclo 2009/2010 também foi marcado pela redução da safra dos principais países produtores de açúcar, como a Índia, que passou de grande exportador à importador, dando novas oportunidades de negócios para o Brasil, que exporta cerca de 65% de sua produção. As exportações, que foram de 20 milhões de toneladas na última safra, fecharão este ano em mais de 23 milhões de toneladas, embarcadas principalmente para a Índia e a Rússia. A produção brasileira total encerrará o ano em 34,6 milhões de toneladas de açúcar, sendo 11 milhões de toneladas consumidas internamente, das quais 60% por meio de produtos industrializados.

Já a exportação de etanol teve queda de 1,5 bilhão de litros, mais de 30% em relação aos 4,9 bilhões de litros vendidos ao exterior na safra passada. Segundo análise da Conab, entretanto, o mercado interno sinaliza positivamente em relação ao aumento do consumo de etanol, em função da ampliação da frota de veículos flex, que já representam 90% dos carros com menos cilindradas.

Nesta safra, de toda a cana moída (612,21 milhões de toneladas), aproximadamente 54% se destinam à produção de álcool – 18,2 bilhões de litros do tipo hidratado (etanol) e 7,6 bilhões de litros do anidro – e o restante, pouco mais de 45%, à produção de açúcar.



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