MARIANA JUNGMANN
AGÊNCIA BRASIL
Favelas que invadem o espaço de segurança dos trilhos de trem, cruzamentos rodoferroviários mal ou nada sinalizados, gargalos logísticos e operacionais. Estes são alguns dos entraves para que a malha ferroviária brasileira tenha um rendimento maior, segundo levantamento apresentado hoje (17) pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).
De acordo com a CNT, apenas os reparos mais emergenciais no sistema de transporte ferroviário consumiriam algo em torno de R$ 25 bilhões. Já a solução ampla dos problemas e a ampliação da malha dos atuais 29 mil quilômetros para os 52 mil quilômetros necessários à demanda brasileira consumiriam cerca de R$ 54 bilhões, até 2025.
“Essas invasões e essas passagens de nível causam um descompasso na área de movimentação das ferrovias. É um sistema inadequado que precisa ser resolvido para que nós tenhamos um aumento da velocidade dos trens”, explicou o presidente da Sessão de Ferroviários da CNT, Rodrigo Vilaça.
A baixa velocidade é um dos principais fatores que provocam a perda de participação das ferrovias no transporte de carga no Brasil. Atualmente, os trens andam com velocidade média de 25 quilômetros horário (km/h), mas, nas regiões metropolitanas, a velocidade chega a cair para 5 km/h.
Segundo Vilaça, depois da concessão para o setor privado, malhas mais modernas foram implementadas, tomando o cuidado de manter afastados os carros e as residências. “Em malhas novas de alta velocidade, o desempenho chega a 80 km/h”, disse.
Com a concessão, em 1997, a movimentação de contêineres aumentou 75 vezes e o transporte por trens subiu a participação de 17% para 25% no transporte de cargas total. A quantidade de cargas também aumentou, 95%. O principal produto levado nos corredores ferroviários é minério de ferro, mas produtores de milho, soja e combustíveis também se utilizam desse meio para fazer os produtos chegarem aos principais portos.
Os usuários, segundo a CNT, reclamam do custo do frete, da confiabilidade dos prazos e da falta de disponibilidade de vagões especializados. Entre as soluções sugeridas pela confederação, está a alienação de imóveis não operacionais da extinta Rede Ferroviária Federal para programas de regularização fundiária e reassentamento da população que se encontra na faixa de domínio das ferrovias.
Perguntado se não estaria havendo uma inversão de valores com os investimentos de R$ 87 bilhões que o governo pretende fazer para implementar o Trem de Alta Velocidade para transportar passageiros entre o Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Campinas (SP), Vilaça lembrou que os objetivos são diferentes. “Não podemos comparar projetos de governo para carga e passageiros. Os dois são importantes.” Segundo ele, o transporte de carga traz retornos financeiros mais rapidamente, mas o Brasil terá que investir no transporte de passageiros por trens em algum momento também.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) está fazendo um levantamento sobre a segurança nas ferrovias. “Esperamos que até o primeiro trimestre de 2010 o governo apresente um plano com investimentos, que devem ser da ordem de R$ 230 milhões”, completou Vilaça. Sob o sistema de concessão, estão previstos projetos de expansão das linhas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, na Bahia, no Espírito Santo, em Santa Catarina e no Tocantins.
Matérias relacionadas:
9 de fevereiro de 2012
8 de fevereiro de 2012
7 de fevereiro de 2012
6 de fevereiro de 2012
3 de fevereiro de 2012
2 de fevereiro de 2012
1 de fevereiro de 2012
31 de janeiro de 2012
30 de janeiro de 2012
28 de janeiro de 2012
27 de janeiro de 2012