18 de junho de 2010 17:24 

Seminário mostra avanços no setor de Extrativismo Sustentável

Carine Corrêa
Da Assessoria de Comunicação do MMA

Existem atualmente no Brasil cerca de 124 milhões de hectares em que ocorrem atividades extrativistas. Especialistas e pesquisadores indicam um forte potencial de crescimento deste setor, e muitos produtos nacionais, oriundos do extrativismo, devem ganhar cada vez mais visibilidade e espaço no mercado internacional, especialmente os destinados a usos medicinais. A atividade pode estimular ainda o ecoturismo em diferentes reservas brasileiras, aumentando a comercialização deste produtos e o desenvolvimento de comunidades tradicionais.

Estas estimativas foram apresentadas no Seminário de Extrativismo Sustentável realizado nesta sexta-feira (18), em Brasília. O encontro reuniu gestores públicos, representantes de órgãos governamentais, do setor produtivo e de comunidades tradicionais para debater o fomento ao extrativismo em todo o País.

De acordo com Cláudia Calório, diretora de Extrativismo do MMA, o principal objetivo do evento é discutir o desenvolvimento das atividades extrativistas no País associado à promoção social dos agricultores familiares.  É importante possibilitar cada vez mais dignidade aos extrativistas e gerar um valor maior aos recursos naturais por eles manejados, afirmou, durante a abertura do evento.

O pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Júlio Roma, elencou as principais dificuldades encontradas para o crescimento do setor: capacidade organizacional; certificação dos produtos; ausência de infraestrutura em estradas de rodagem, armazenamento de produtos, energia, novas tecnologias e equipamentos de auxílio na extração; comercialização e cadeias produtivas desestruturadas.

As políticas públicas de incentivo estão acertando o passo, mas existem quatro eixos fundamentais que devem ser priorizados, como a mobilização das comunidades, a organização social das mesmas, o acesso à informação e a capacitação dos agricultores familiares , que precisam e esperam oportunidades de novos aprendizados, reiterou Roma.

Ele ressaltou que a atividade madeireira, por exemplo, desde que feita de forma adequada, pode gerar emprego e renda, além de provocar impacto mais baixo para a biodiversidade do que a pecuária. Só na Amazônia, o setor emprega cerca de 204 mil pessoas, sendo que 66 mil são empregos diretos.

Já a diretora do Serviço Florestal Brasileiro, Cláudia Ramos, afirmou que muitos avanços estão ocorrendo no Brasil em relação ao extrativismo, e ressaltou os programas de Manejo Florestal Familiar, de Aquisição de Alimentos, de Preços Mínimos a Produtos Extrativistas, bem como o Plano Nacional de Sociobiodiversidade.

Estas políticas públicas indicam que uma forte mudança está ocorrendo, e que a atuação conjunta dos ministérios envolvidos está dando certo. De acordo com ela, o cenário é positivo, mas ainda é preciso resolver alguns pontos. Ainda existe uma carência de muitas informações e estatísticas relacionadas à área. Não sabemos, por exemplo, quantas comunidades existem ao todo e aonde estão localizadas.



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