17 de setembro de 2009 17:19 

Segunda Guerra Mundial

Bomba atômica em Nagasaki, 1945A Segunda Guerra Mundial opôs os Aliados às Potências do Eixo, tendo sido o
conflito que causou mais vítimas em toda a história da Humanidade, com mais de
70 milhões de mortes. Em estado de guerra total, mobilizou mais de 100 milhões
de militares. As principais potências colocaram suas áreas econômicas,
científicas e industriais a serviço da guerra.

O líder alemão de origem austríaca Adolf Hitler, Führer do Terceiro Reich,
pretendia criar uma "nova ordem" na Europa, baseada nos princípios nazistas que
defendiam a superioridade germânica, na exclusão — e posteriormente eliminação
física incluída — de algumas minorias étnicas e religiosas, como os judeus e os
ciganos, bem como deficientes físicos e homossexuais; na supressão das
liberdades e dos direitos individuais e na perseguição de ideologias liberais,
socialistas e comunistas.

Teve início em 1 de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha e
as subsequentes declarações de guerra da França e da Grã-Bretanha. Tanto a
Itália quanto o Japão entraram na guerra pelo lado do Eixo para satisfazer os
seus propósitos expansionistas. [1][2] As demais potências opuseram-se a estes
desejos do Eixo e juntamente com a União Soviética, após a invasão desta pela
Alemanha, constituíram a base do grupo dos Aliados.

Após o fim da guerra em 1945, a União Soviética e os Estados Unidos se
tornaram as superpotências mundiais. Foram responsáveis pela Guerra Fria, que
durou 45 anos. As Nações Unidas foram criadas para evitar outro conflito deste
porte. A aceitação do direito da autodeterminação acelerou o processo de
descolonização da Ásia e África, enquanto a Europa ocidental optou pela
integração.

 

Causas da guerra

Tropas germânicas em uma das Reuniões de Nuremberg, ocorrida em 1935.

A Primeira Guerra Mundial – "feita para pôr fim a todas as guerras" –
transformou-se no ponto de partida de novos e irreconciliáveis conflitos, pois o
Tratado de Versalhes (1919) disseminou um forte sentimento nacionalista, que
culminou no totalitarismo nazi-fascista. As contradições se aguçaram com os
efeitos da Grande Depressão. Além disso, a política de apaziguamento, adotada
por alguns líderes políticos do período entre guerras e que se caracterizou por
concessões para evitar um confronto, não conseguiu garantir a paz internacional.
Sua atuação assemelhou-se à da Liga das Nações: um órgão frágil, sem
reconhecimento e peso, que deveria cuidar da paz mundial, mas que fracassou
totalmente. Assim, consolidaram-se os regimes totalitários. O germânico de
origem austríaca Adolf Hitler defendia que a Alemanha necessitava mais espaço
vital, ou "Lebensraum", e por isso queria estabelecer uma fronteira com a União
Soviética. Hitler anexou ao Reich alemão a Áustria, seguido da Tchecoslováquia.
A essas anexações, as potências ocidentais européias não responderam, mas quando
Hitler avançou sobre a Polônia, foi declarado um conflito, e iniciou-se a
Segunda Guerra Mundial.

 

Hitler na rota da Expansão

Adolf Hitler

Logo após o abandono da Liga das Nações (que já se ressentia da ausência dos
Estados Unidos e URSS) pelo Japão, foi a vez da Alemanha retirar-se. Anunciando
a saída da representação germânica, Hitler declarou que o não desarmamento das
outras nações obrigava a Alemanha àquela forma de protesto. Embora na realidade
ele simplesmente desejasse furtar-se às peias que a Liga das Nações poderia opor
à sua política militarista, o Führer teve o cuidado de reiterar os propósitos
pacifistas de seu governo. Aliás, nos anos seguintes, Hitler proclamaria suas
intenções conciliatórias em várias oportunidades, como meio de acobertar
objetivos expansionistas.

O nazismo fortalecia-se rapidamente na Alemanha. Hitler precisava do apoio de
Reichswehr para realizar o rearmamento alemão, mas a maioria dos generais
mantivera-se até então numa atitude de expectativa em relação ao novo governo. A
pretensão da SA, manifestada por seus chefes em múltiplas ocasiões, de se
transformarem em exército nacional, horrorizava os militares profissionais,
educados na Escola von Seeckt. Parecia-lhes um absurdo entregar aquela pequena,
mas eficientíssima máquina, que era Reichswehr, nas mãos dos turbulentos
"camisas pardas", acostumados apenas a combates de rua. Hitler inclinava-se a
dar razão aos generais, o que vinha contra os interesses dos membros da SA mais
radicais. Em alguns círculos da milícia nazista, já se falava na necessidade de
uma segunda revolução que restituísse ao Partido o ímpeto inicial.

Heinrich Himmler, líder da Schutzstaffel

O capitão Ernst Röhm, grande influenciador das tropas de choque nazistas, a
SA, passou então a não só se mostrar mais radical ao Führer, mas ainda a
incentivar a deposição de Adolf Hitler e fazer então um novo Putsch. Heinrich
Himmler, chefe da SS, que na época era apenas uma subdivisão da SA, entregou a
Hitler provas dos planos elaborados por Röhm – uma tentativa de assassinato a
todos os grandes nomes do partido nazista, que, segundo os próprios planos,
seria conhecido como Noite das facas longas.

Por ordem expressa do Führer, foram realizadas execuções sumárias, realizadas
pela SS e pela SD, na noite de 29 para 30 de Junho de 1934. Por ironia, Adolf
Hitler deu às execuções o próprio nome idealizado por Röhm, Noite das Facas
Longas. Quase todos os líderes da SA, a começar por seu chefe, o Capitão Ernst
Röhm, foram passados pelas armas, juntamente com alguns políticos oposicionistas
e o General von Schleicher (Kurt, 1882-1934), que era o maior opositor a Hitler
no seio da Reichswehr. Tal decisão provocou a morte de algumas centenas de
pessoas, muitas das quais eram fiéis do Partido, desde longa data.

Com essas execuções, o Führer atingiu um duplo objetivo: extinguiu os
gérmenes da rebelião entre os SA, desde então reduzidos a um papel meramente
decorativo, e deu aos generais uma sangrenta garantia de que pretendia
conservá-los na direção da Reichswehr. O expurgo fora levado a cabo pelas SS,
tropas de elite do Partido, ligadas a Hitler por um juramento especial. Esse
corpo de homens selecionados, formando uma verdadeira guarda do regime, iniciou
naquele dia a ascensão que iria levá-lo, sob a chefia de Heinrich Himmler, ao
controle total da vida alemã, em nome de Hitler. Em 1945, quase um milhão de
homens tinha envergado o uniforme negro com a insígnia da caveira, partindo de
um núcleo que em 1929 contava com apenas 280 elementos.

A Noite das Facas Longas fez a Reichswehr cerrar fileiras em torno de Hitler,
que, reforçado por tal sustentáculo, pode então se dedicar a seus planos
longamente acalentados.

A primeira tentativa expansionista do III Reich fracassou. Desde sua ascensão
ao poder, Hitler vinha incentivando o desenvolvimento de um partido nazista
austríaco, como base para uma posterior anexação da Áustria à Alemanha. Nessa
época, os austríacos estavam sob o governo ditatorial do chanceler católico
Engelbert Dollfuss, inquebrantável defensor da independência de seu país. Em 27
de Julho de 1934, Dollfuss foi assassinado em Viena, por um grupo de nazistas
sublevados. Mussolini, temendo que os alemães ocupassem a Áustria, enviou tropas
para a fronteira, enquanto a Europa era sacudida por um frêmito de indignação
contra a Alemanha. Hitler, porém, recuou, negando qualquer conivência com os
conspiradores austríacos. Dollfuss foi sucedido por von Schuschnigg (Kurt Edler,
n. 1897), que continuou a política conservadora e nacionalista de seu
antecessor.

 

Reincorporação do Sarre e criação de uma "Luftwaffe"

Localização do Sarre no atual território da Alemanha.

Em 13 de janeiro de 1935, o nazismo obteve seu primeiro sucesso
internacional. O Sarre era um antigo território alemão que tivera suas jazidas
exploradas pelos franceses, durante 15 anos, como parte das reparações de guerra
estabelecidas pelo Tratado de Versalhes. Agora, um plebiscito junto à população
decidia, por maioria esmagadora, a reincorporação do Sarre ao Reich. Logo em
seguida, em março, Hitler abalava a Europa com duas declarações retumbantes: No
dia 9, anunciou a criação da Luftwaffe (Força Aérea) e, no dia 16, o
restabelecimento do serviço militar obrigatório, elevando imediatamente os
efetivos de Wehrmacht (Força de Defesa, novo nome das forças armadas alemãs), de
100.000 para 500.000 homens. Ambas as declarações foram feitas em sábados, para
que seu impacto internacional fosse amortecido pelos feriados dos
fins-de-semana.

As potências, alarmadas com o rearmamento germânico, decidiram, na
Conferência de Stresa (abril de 1935), formar uma frente antialemã, condenando o
repúdio unilateral de qualquer tratado de fronteiras na Europa e garantindo a
independência da Áustria. Observe-se, porém, que a declaração de Stresa,
subscrita pela Grã-Bretanha, França e Itália, não proibia a alteração de
fronteiras fora da Europa, não impedindo a Mussolini a conquista da Etiópia.

Em represália às decisões de Stresa, Hitler denunciou, em 21 de maio de 1935,
todas as cláusulas militares do Tratado de Versalhes. Manifestando, como sempre,
seus objetivos pacíficos, o Führer restituía à Alemanha a liberdade de ação no
campo dos armamentos.

O governo inglês, preocupado com um possível desenvolvimento da marinha de
guerra germânica, iniciou negociações secretas com os alemães, sem qualquer
consulta à França. Em 18 de junho de 1935, a Europa soube, estarrecida, que
Londres permitia aos nazistas a construção de uma frota de alto-mar, equivalente
a 1/3 da marinha britânica, com uma proporção ainda maior de submarinos. Tal
acordo equiparava a força naval alemã à francesa. A notícia provocou em Paris
uma profunda irritação contra os britânicos, que haviam agido em função de seus
interesses exclusivos e abandonado a França, diante de uma Alemanha cada vez
mais poderosa. Ressentidos com os britânicos, os franceses procuraram então se
aproximar da Itália, como um meio de barrar o caminho à Alemanha. O principal
propugnador dessa nova orientação política da França foi o Primeiro-ministro
francês Pierre Laval.

Mussolini aceitou com entusiasmo a mão que a França lhe estendia, o que vinha
servir seus planos imperialistas. O fascismo consolidara-se internamente, e a
população italiana atingira um nível de prosperidade material até então jamais
alcançado. Fiume fora definitivamente incorporada à Itália, mediante a
concordância iugoslava. Satisfaziam-se assim as reivindicações nacionalistas
italianas.

Entretanto, a própria psicologia do fascismo obrigava os dirigentes a
estimularem constantemente o povo, conservando-o sempre excitado, a fim de
manter o prestígio de Mussolini. O Duce queria evitar que a população italiana
se habituasse à rotina, diminuindo o apoio ruidoso que lhe prestava e que
afagava sua volúpia de poder. Devido a seu temperamento, era um líder que
precisava de grandes gestos e de atos igualmente grandiosos, para alimentar sua
enorme vaidade. Embora houvesse feito uma administração de incontestável valor
na Itália, isso não lhe bastava. Sua concepção histórica impelia-o a imitar
Júlio César, fazendo-o entrar, também, para a galeria dos grandes homens, sob o
tríplice rótulo de administrador, estadista e conquistador.

 

O início da guerra

Início da guerra na Ásia

Em 1936, o governo japonês assinou com a Alemanha o Pacto Anti-Komintern
(anticomunista) com o objetivo de combater o comunismo soviético, sendo a URSS a
principal liderança comunista da Europa e Ásia. Devido a cultura militarista do
Japão, um país de poucos recursos, eles planejaram conquistar todos os
territórios da Ásia, o que incluía, a Coréia, a China e as ilhas do Pacífico.
Porém o Tratado de Versalhes impedia as ambições japonesas, o que eles
consideravam uma traição por parte das potências vencedoras da 1ª Guerra, pois o
Japão ficou do lado delas, então eles se aliaram a Alemanha, cuja política
expansionista ia ao encontro das ambições japonesas de conquistas territoriais.

 

A Guerra Sino-Japonesa pode ser dividida em dois períodos:

Primeiro Período 1937-1941

A guerra sino-japonesa divide-se em dois grandes períodos: o primeiro deles,
denominado de período crítico, teve seu início em julho de 1937 quando os
nipônicos lançam sua ofensiva-relâmpago sobre as províncias do Norte e Leste (Hopei,
Shantung, Shanxi, Chamar e Suyan) com o objetivo de separá-las da China,
seguindo os ditames do "Memorial Tanaka". Numa audaciosa operação de
desembarque, ocuparam mais ao sul Cantão, uns anos depois Hong Kong (que era
colônia inglesa) e partes de Macau, nomeadamente Lapa, Dom João e Montanha. Os
invasores tiveram seu caminho facilitado por encontrarem pela frente uma China
politicamente desorganizada, onde a rivalidade militar entre nacionalistas e
comunistas havia sido suspensa a contra gosto, vendo-se ainda subdividida em
várias "autoridades locais", que se mostraram relutantes em oferecer-lhes uma
resistência efetiva e coerente.

Forças japonesas durante a Batalha de Wuhan

Mesmo assim Chiang Kai-shek e Mao Tse-tung assinam um acordo em 22 de
setembro de 1937, pelo qual os comunistas abandonam seu projeto de um governo
revolucionário e passavam a designar sua área de domínio como Governo Autônomo
da Região Fronteiriça, enquanto o Exército Vermelho mudou seu nome para ser o
Exército Revolucionário Nacional, renunciando a insurgir-se contra o governo de
Chiang Kai-shek que, pelo seu lado, comprometeu-se a suspender as operações
anticomunistas.

A estratégia japonesa baseava-se em sua mobilidade, fruto do desenvolvimento
industrial do país. A ofensiva-relâmpago deles rapidamente ocupou Pequim em 8 de
agosto de 1937, em seguida capitularam Tientsin e Shangai. Depois de quebrarem a
encarniçada resistência das tropas chinesas, que lhes resistiram por três meses
numa batalha nas ruas de Shangai, os japoneses marcharam para dentro do
continente e, logo depois, em 13 de dezembro de 1937 entram em Nanquim.

 

Invasão de Nanquim

Nanquim, era a antiga capital imperial, e também ex-sede do governo
nacionalista de Chiang Kai-shek. Os soldados japoneses sob o comando do general
Iwane Matsui realizaram a partir de dezembro de 1937 a invasão de Nanquim, onde
a população foi submetida à mais extrema barbaridade. Um ano depois de terem
tomado a ofensiva, os nipônicos controlam amplas margens do Mar da China,
ocupando uma boa parte da costa, na tentativa de isolar o país de qualquer
auxílio ocidental. Apesar da simpatias americanas e britânicas inclinarem-se
para os chineses, devido à rivalidade colonial que tinham com os nipônicos pela
hegemonia sobre a Ásia, nada podem fazer de prático para ajudá-los.

Este período de seguidos triunfos japoneses chegou ao seu clímax com a
invasão de outras partes da Ásia pelo Exército e pela Marinha Imperial
(Indochina, Indonésia, Malásia, Filipinas e Birmânia), seguida da desastrosa
decisão do Micado de estender a guerra aos Estados Unidos.

O ataque japonês à base naval americana de Pearl Harbour em 7 de dezembro de
1941, obrigou o império do Sol Nascente a espalhar os seus recursos militares
pelo Pacífico Ocidental, declinando como conseqüência disso as atividades
bélicas no fronte da China.

 

Segundo período da guerra sino-japonesa – 1941-1945

No segundo período, que vai de dezembro de 1941 até agosto de 1945, os
Estados Unidos assumem a tarefa de derrotar os japoneses, enquanto os exércitos
nacionalistas chineses atuam apenas em pequenas escaramuças visando à fixação e
ao desgaste do inimigo.

Consciente da sua absoluta inferioridade militar e estratégica, Chiang
Kai-shek após sete meses de infrutífera resistência, ordenara a adoção da
política de "vender espaço para ganhar tempo", que implicava na renúncia de
enormes extensões territoriais chinesas. Ao mesmo tempo em que recuavam, as
tropas nacionalistas dedicaram-se à tática da destruição sistemática da
infra-estrutura rural e urbana das regiões que fatalmente seriam ocupadas pelos
invasores, tal como a explosão de diques do Rio Amarelo, que provocou a
inundação de milhares de quilômetros quadrados de terras aráveis, arrasando e
arruinando por muitos anos as propriedades camponesas, mas que somente atrasou o
japoneses em três meses, ou o incêndio precipitado de Changsha, a capital de
Hunan (fruto do pânico das tropas chinesas em debandada).

 

Início da guerra na Europa

O plano de expansão do governo envolvia uma série de etapas. Em 1938, com o
apoio de parte da população austríaca, o governo nazista anexou a Áustria,
episódio conhecido como Anschluss.Em seguida, reivindicou a integração das
minorias germânicas que habitavam os Sudetas (região montanhosa da
Checoslováquia). Como esta não estava disposta a ceder, a guerra parecia
iminente, foi então convocada uma conferência internacional em Munique. Na
conferência de Munique, em setembro de 1938, ingleses e franceses, seguindo a
política de apaziguamento, cederam à vontade de Hitler, concordando com a
anexação dos Sudetos.

Às 4h45 da madrugada de 1 de Setembro de 1939, os canhões do cruzador alemão
Schleswig-Hosltein abriram fogo sobre as posições polacas em Westerplatte, na
então cidade livre de Danzig, hoje Gdansk.

O exército alemão lançou uma forte ofensiva de surpresa contra a Polónia, com
o principal objectivo de reconquistar seus territórios perdidos na Primeira
Guerra Mundial e com o objetivo secundário de expandir o território alemão.

As tropas alemãs conseguiram derrotar as tropas polacas em apenas um mês. A
União Soviética tornou efetivo o acordo (Ribbentrop-Molotov) com a Alemanha nazi
e ocupou a parte oriental da Polónia. A Grã-Bretanha e a França, responderam à
ocupação declarando guerra à Alemanha mas, apesar dos compromissos que haviam
assumido para com a Polônia, nada fizeram para ir em socorro do país,
limitando-se a formar uma linha defensiva para enfrentar um possível ataque
alemão a oeste. A Itália, nesta fase, declarou-se "país neutro".

 

A guerra relâmpago

A 10 de Maio de 1940, após um período de ausência de hostilidades – a "Falsa
guerra" – o exército alemão lançou uma ofensiva contra os Países Baixos, dando
início à Batalha da França. Os alemães visavam a contornar as poderosas
fortificações francesas da Linha Maginot, construídas anos antes na fronteira da
França com a Alemanha. Com os britânicos e franceses julgando que se repetiria a
guerra de trincheiras da Primeira Guerra Mundial, e graças à combinação de
ofensivas de pára-quedistas com rápidas manobras de blindados em combinação com
rápidos deslocamentos de infantaria motorizada (a chamada "guerra-relâmpago" –
Blitzkrieg, em alemão), os alemães derrotaram sem grande dificuldade as forças
franco-britânica, destacadas para a defesa da França. Nesta fase, ocorre a
famosa retirada das forças aliadas para a Inglaterra por Dunquerque. O Marechal
Pétain assumiu então a chefia do governo na França, que ficou conhecido como o
governo de Vichy, assinou um armistício com Adolf Hitler e começou a colaborar
com os alemães.

 

A guerra na África e Afrika Korps

A Setembro de 1940, após a tomada da França pelas forças alemãs, as tropas
italianas destacadas na Líbia sob o comando do Marechal Graziani, uma vez livres
da ameaça das forças francesas estacionadas na Tunísia iniciaram uma série de
ofensivas contra o Egito, então colônia da Grã-Bretanha, com vista a dominar o
canal de Suez e depois atingir as reservas petrolíferas do Iraque, também sob
domínio britânico.

Os efetivos ingleses destacados no norte da África e que compunham o então
designado XIII Corpo de Exército, comandado pelo General Wavell, após alguns
reveses iniciais realizaram uma espetacular contra-ofensiva contra as forças
italianas que, apesar de sua superioridade numérica foram empurradas por 1200 km
de volta à Líbia, perdendo todos os territórios anteriormente conquistados. Esta
derrota custou aos italianos a destruição de 10 divisões, a perda de 130.000
homens feitos prisioneiros, além de 390 tanques e 845 canhões.

O 39º Grupo de Panzerjäger avança pelo deserto.

Como a situação que surgia na África era crítica para as forças do Eixo,
Adolf Hitler e o Oberkommando der Wehrmacht (OKW) decidiram enviar tropas alemãs
a fim de não permitir a completa desagregação das forças italianas. Cria-se
dessa forma em Janeiro de 1941 o Afrika Korps (Corpo Expedicionário Alemão na
África), cujo comando foi passado ao então Leutenantgeneral (Tenente-General)
Erwin Rommel, que posteriormente se tornaria uma figura legendária sob a alcunha
de "A Raposa do Deserto". Foram enviadas a África duas divisões alemãs em
auxílio aos Italianos, a 5a. Divisão Ligeira e a 15a. Divisão Panzer. Os
Alemães, sob o hábil comando de Rommel, conseguiram reverter a iminente derrota
italiana e empreenderam uma ofensiva esmagadora contra as forças britânicas
enfraquecidas (muitos efetivos britânicos haviam sido desviados para a campanha
da Grécia, então sob pressão do Eixo) empurrando-as de volta à fronteira
egípcia. Após uma sucessão de batalhas memoráveis como El Agheila, El Mechili,
Sollum, Gazala, Tobruk e Marsa Matruh os alemães e italianos são detidos por
falta de combustível e provisões na linha fortificada de El Alamein, uma vez que
o Mediterrâneo encontrava-se sob domínio da marinha britânica. Finalmente, a
Outubro de 1942, após 4 meses de preparação os Britânicos contra-atacaram na
Segunda Batalha de El Alamein, sob o comando do General Montgomery. Rechaçadas
pelas bem supridas forças britânicas, as tropas ítalo-alemãs iniciaram um grande
recuo de volta à Líbia de forma a encurtar suas linhas de suprimento e ocupar
posições defensivas mais favoráveis. Entretanto, dias depois, a 8 de Novembro,
as forças do Eixo recebem a notícia de que estão sendo cercadas pelo oeste por
forças norte-americanas do 1o. Exército Aliado que haviam desembarcado em
Marrocos através da Operação Tocha. Pelo leste, o 8o. Exército Britânico
continua o seu avanço, empurrando as forças ítalo-alemãs para a Tunísia.
Finalmente, cercado pelos exércitos americano e britânico e sem a guia de seu
audacioso comandante, pois Rommel havia sido hospitalizado na Alemanha, o "Afrika
Korps" e o restante do contingente italiano na África do Norte, totalizando mais
de 250 mil homens e reduzidos à inatividade pela falta de suprimentos e de apoio
aéreo, se rendem aos aliados na Tunísia em maio de 1943, dando fim à guerra na
África.

 

Malta decide o destino da África do Norte

O calcanhar de Aquiles de Rommel na África do Norte era o reabastecimento. Os
homens da Marinha mercante partiam para a África para proverem as tropas de
alimentos, roupas, água, armas, munições e combustível. Atrás de cada batalha
travada sempre deveria existir um sistema de logística eficiente. O transporte
das tropas e suprimentos italianos e alemães era feito por mar. Os navios
mercantes deveriam, então, empreender uma jornada de quinhentos quilômetros da
Sicília, no sul da Itália, até a Tripolitânia, no norte da África. Mas, para que
a guerra do deserto fosse vencida pelo Eixo, o domínio marítimo do Mediterrâneo
era um fator prepoderante. Para isso, o Eixo enfrenta um grande problema: a
Marinha Real.

Em 22 de julho de 1941,o cargueiro alemão Preussen parte da Itália rumo à
África do Norte. No caminho, é afundado por um ataque de Bristol-Blehein
(Bombardeio da RAF). Com ele afundam 200 dos 650 soldados e tripulação a bordo.
Além de perdas humanas, foram também perdidas mil toneladas de alimentos, seis
mil toneladas de munições, mil toneladas de gasolina e 320 tanques e caminhões
de transporte, que seriam usados pelas tropas do Eixo. Muitos outros navios como
o Arta, o Aegina, o Iserlohn, o Samos, o Larissa, o Birmânia, o Arcturus, o Citá
di Bari, dentre outros, tiveram o mesmo destino do Preussen, pois o Mediterâneo
tornou-se um cemitério de homens e máquinas que tentavam chegar à África.

A fonte de todos esses desastres era a ilha de Malta, principal ponto de
apoio das forças aéreas e navais britânicas no Mediterâneo. Malta foi tomada do
domínio francês pelos britânicos em 1800 e, desde então, faz parte da Coroa
Britânica, sendo uma base Naval da Marinha Real. Se os italianos fossem os
japoneses, a tê-la-iam tomado em junho de 1940, quando as fortificações da ilha
ainda eram muito fracas. Porém, quando os britânicos perceberam a importância da
ilha, tornaram-na cada vez mais fortificada, e sua tomada pelos italianos cada
vez mais improvável. Apesar dos bombadeios alemães e italianos, Malta resistia,
e com as pesadas perdas sofridas pelos alemães na tomada da ilha de Creta,
Hitler decidiu não mais arriscar suas tropas para tomar Malta. Essa decisão
acabou acarretando o afundamento de até 77% dos navios do Eixo que cruzaram o
Mediterrâneo. Com as tropas mal supridas, a derrota dos italianos e do Afrika
Korps foi inevitável.

 

A invasão da URSS

Em 22 de Junho de 1941, os exércitos do eixo lançaram-se à conquista do
território soviético, com a chamada Operação Barbarossa. Os exércitos do eixo
contavam com 180 divisões, entre tropas alemãs, italianas, húngaras, romenas e
finlandesas, num total de mais de três milhões e meio de soldados. A estes se
opunham 320 divisões soviéticas, num total de mais de seis milhões de homens;
porém apenas 160 destas divisões estavam situadas na região de fronteira com a
Alemanha Nazi. Grande parte das tropas soviéticas estavam estacionadas na região
leste do país, na fronteira com a China ocupada, antecipando a possibilidade de
mais um ataque japonês contra a União Soviética, conforme acontecera em março de
1939.

Frente do Leste, na altura da Batalha de Moscou:

Avanço inicial da Wehrmacht – 9 de julho de 1941

Avanços subsequentes- 1 de setembro, 1941

Cerco e batalha de Kiev – 9 de setembro, 1941

Final do avanço da Wehrmacht – 5 de dezembro, 1941

A ofensiva era amplamente esperada, pois a invasão da União Soviética fazia
parte do discurso nazista desde o surgimento do partido, tendo sido fortemente
pregada por Adolf Hitler em seu livro "Mein Kampf" e estado presente em diversos
de seus pronunciamentos políticos anteriores até mesmo ao início da guerra.
Relatórios de serviços secretos davam conta da iminência da invasão, partindo
não somente da espionagem soviética mas também de informações obtidas pelos
ingleses e norte-americanos. A mobilização de grande número de tropas alemãs
para a região de fronteira também foi percebida. Os soviéticos já vinham tomando
medidas contra a invasão desde a década de 1930, aumentando exponencialmente o
contingente de seu exército.

Apesar de tudo isto, a invasão começa a 22 de junho de 1941 veio como uma
surpresa, pois não se esperava que a Alemanha atacasse a URSS antes que a
Inglaterra se retirasse da guerra, conforme se previa. O resultado disto foi uma
enorme vantagem tática para as tropas alemãs nos primeiros dias da guerra, o que
permitiu o envolvimento de grande número de divisões do exército vermelho e a
destruição de grande parte dos aviões soviéticos ainda nas suas bases, antes
mesmo que conseguissem levantar vôo.

As tropas do eixo foram divididas em três grupos de exércitos: norte, central
e sul. O grupo norte atravessou os países bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia)
e marchou contra Leningrado , que foi atacada ao mesmo tempo pelos finlandeses,
mais ao norte. A cidade foi completamente cercada a 8 de setembro de 1941; a
partir de então só foi possível abastecê-la pela rota que atravessava o lago
Ladoga, constantemente vigiada pelos aviões alemães. O resultado foi uma grave
crise de fome, que segundo as estimativas teria vitimado por volta de um milhão
de civis. A partir de 20 de novembro de 1941, foi possível estabelecer uma rota
segura para Leningrado através do lago congelado, devido à recaptura do eixo
ferroviário na cidade de Tikhvin, o que permitiu a evacuação de civis,
melhorando a situação da cidade. O cerco de Leningrado só foi completamente
levantado em Janeiro de 1944.

O exército central foi o que progrediu mais rapidamente, tendo conquistado
completamente a cidade de Minsk a 29 de junho de 1941, operação que resultou na
captura de 420 mil soldados do exército vermelho. A ofensiva prosseguiu com o
grupo central marchando através da Bielorússia até atingir a cidade de Smolensk,
penetrando finalmente no território da Rússia propriamente dita. Aqui o avanço
das tropas alemãs foi interrompido pela primeira vez, dada a forte resistência
oposta pelas tropas soviéticas, porém a cidade foi conquistada a 16 de julho.

Khreshchatyk, a principal rua de Kiev após os bombardeios alemães.

O exército sul prosseguiu mais vagarosamente do que os outros dois, sendo
forçado a combater no terreno dos pântanos Pripet, o que reduzia a velocidade
dos avanços. Apesar disso, conseguiu empurrar o grupo sul do exército vermelho
até a cidade de Kiev, onde seu avanço foi interrompido. Aproveitando-se do fato
de que o exército central havia avançado muito mais adiante, os alemães
deslocaram boa parte desse segundo grupo de exércitos para o sul, conseguindo
assim envolver um enorme grupo de divisões no que ficou conhecido como o bolsão
de Kiev. O resultado foi a captura de 700 mil soldados soviéticos, o que
resultou praticamente na destruição do grupo sul do exército vermelho. A luta
pela captura da capital da Ucrânia prosseguiu até 26 de setembro.

Após esta operação, o grupo sul do exército lançou-se à captura da península
da Criméia. Esta operação seria concluída a 30 de outubro, com o cerco da cidade
de Sebastopol que, no entanto, só foi capturada em Julho de 1942. A cidade de
Odessa, sitiada por tropas romenas desde os primeiros dias da guerra, só foi
tomada em setembro. Após capturar o território da Criméia, os alemães
voltaram-se para o Cáucaso, chegando a tomar Rostov a 21 de novembro.
Entretanto, a cidade foi retomada pelos soviéticos poucos dias depois, a 27 de
novembro.

As tropas do exército central uniram-se a várias unidades do grupo norte e
iniciaram a operação que tinha por objetivo envolver a cidade de Moscou, a 30 de
setembro de 1941. Inicialmente as tropas do eixo prosseguiram com velocidade,
capturando Bryansk, Orel e Vyazma, numa batalha em que foram cercados e
capturados 650.000 homens, no que seria o último grande envolvimento em 1941. As
tropas alemãs continuaram avançando até capturarem a cidade de Tula, a 165
quilômetros da capital russa, que passou a sofrer bombardeamentos aéreos.
Entretanto, o avanço do exército alemão foi barrado, e as pinças norte e sul do
ataque não puderam se encontrar, fechando o cerco. Apesar das gigantescas perdas
que o exército vermelho havia sofrido, os soviéticos conseguiram formar novas
divisões de conscritos, trazendo também para a frente oeste tropas anteriormente
localizadas na região leste do país, repondo suas perdas e conseguindo dar
combate aos alemães.

No dia 6 de dezembro, em pleno inverno, começou a contra-ofensiva dos russos,
chefiada pelo general Georgy Zhukov. Utilizando equipamentos novos como os
tanques T-34 e os morteiros foguetes Katyusha, o exército vermelho conseguiu
retomar uma quantidade significativa de território, afastando definitivamente a
ameaça que pairava sobre sua capital.

Em 1942, o exército alemão já não se encontrava em condições de tentar uma
nova ofensiva contra Moscou, que também seria demasiadamente previsível. A
Wehrmacht voltou-se então contra a região do Cáucaso, de grande importância
econômica e militar devido a seus recursos petrolíferos (reservas de petróleo
soviéticas no Mar Cáspio), industriais e agrícolas. Além disso, a conquista da
região permitiria bloquear o rio Volga. A operação de captura do Cáucaso foi
chamada de operação Azul e teve início em 28 de junho de 1942. No final do mês
de julho os alemães já haviam avançado até a linha do rio Don e começaram os
preparativos para o envolvimento da cidade de Stalingrado, defendida pelas
tropas do General Chuikov. A cidade sofreu pesados bombardeamentos aéreos.

No fim de Agosto, a cidade foi cercada ao norte e no 1.º de setembro as
comunicações ao sul também foram interrompidas. A partir de então, as tropas que
combatiam na cidade só puderam ser abastecidas através do rio Volga,
constantemente bombardeado pelos alemães. A batalha pela cidade durou três
meses, conhecendo avanços e recuos de ambas as partes, com lutas sangrentas pela
conquista de simples casas, prédios ou fábricas. O tipo de terreno resultante
das ruínas da cidade arrasada favorecia o combate de infantaria, impedindo a
utilização eficiente de tanques. Milhares de civis aprisionados no interior da
cidade foram vitimados, principalmente em conseqüência dos bombardeamentos. Em
novembro, os alemães haviam alcançado a margem do rio Volga, impedindo o
abastecimento das tropas soviéticas.

Soldados soviéticos durante a Batalha de Stalingrado.

Em novembro de 1942, os soviéticos iniciaram seu contra-ataque, batizado de
Operação Urano, que tinha o objetivo de envolver as divisões alemãs em
Stalingrado. Em 19 de novembro, as tropas do general Vatutin, que formavam a
pinça norte do ataque, irromperam contra o flanco dos exércitos do Eixo,
enquanto ao sul as tropas de Konstantin Rokossovsky faziam o mesmo. Os alemães
foram cercados pelo Exército Vermelho e as tentativas de abastecê-los através de
uma ponta aérea não tiveram sucesso. Uma tentativa de romper o cerco foi feita
pelas tropas do General Erich von Manstein, numa operação chamada de Tempestade
de Inverno, porém as tropas cercadas no interior da cidade já estavam sem
abastecimento há um bom tempo e não tiveram condições de colaborar com as demais
tropas alemãs. Os soviéticos continuavam seu contra-ataque (agora a Operação
Saturno), ameaçando envolver os exércitos de Manstein, que foi forçado a
abandonar sua tentativa de salvamento e retirar-se. A 2 de fevereiro de 1943, os
alemães remanescentes na cidade rendem-se. Mais de 800 mil soldados do eixo,
entre alemães, húngaros, romenos e italianos, além de dois milhões de
soviéticos, morreram nas operações que envolveram Stalingrado e todo o restante
do 6º Exército alemão, comandado pelo Generalfieldmarschall (Marechal-de-Campo)Friedrich
Von Paulus, que obedeceu até o fim as ordens de Hitler de não romper o cerco,
sendo feito prisioneiro junto com o seu exército. A batalha de Stalingrado dura
cinco meses. Dos trezentos mil soldados alemães encurralados no cerco, noventa
mil morrem de frio e fome e mais de cem mil são mortos nas três semanas
anteriores à rendição. Devido às rigorosas dificuldades do inverno nesse ano,
que dificultava a subsistência até da população local, um grande número dos
soldados alemães, sem proteção contra o frio nos campos de prisioneiros, não
sobreviveu, sendo que poucos retornaram a sua terra natal após a guerra. Após a
tomada de Stalingrado, as tropas soviéticas continuaram avançando e em fevereiro
de 1943 retomaram Kursk, Kharkov e Rostov, retomando completamente a região do
Cáucaso. A 20 de fevereiro, os alemães retomaram Kharkov, formando uma saliência
no front soviético em Kursk, o que teria importantes conseqüências nos meses
seguintes.

Soldados da 2ª Divisão SS Das Reich durante a Batalha de Kursk.

Os generais alemães e o próprio Hitler, após a queda de Stalingrado, tinham
noção que esse quadro de desestabilização geral estava ocorrendo, e começaram a
planejar medidas para reduzir seus efeitos. Muitos oficiais preferiam esperar
uma ofensiva soviética e contra-atacar – a "ação de retaguarda" proposta por
Manstein – buscando paralisar os russos com contra-ataques locais; outros
militares defendiam que uma ofensiva deveria ser desfechada o quanto antes para
incapacitar os soviéticos e depois esperar pelos ataques dos aliados ocidentais.
Essa tática acabou sendo a escolhida por Hitler, resultando na "Operação
Cidadela", cognome do ataque contra a cidade de Kursk, onde estavam concentradas
grandes forças russas que deveriam ser cercadas e destruídas. Foi uma operação
perdida desde o início para os alemães, pois os soviéticos tinham superioridade
em artilharia, tanques, homens e aviões, o que talvez não fizesse tanta
diferença se também não tivessem as informações sobre os planos de ataque
alemães – obtidas através da rede de espiões comunistas "Orquestra Vermelha" na
Alemanha – e contassem com defesas em profundidade largamente preparadas na
região. A culminância dessa malfadada operação foi a Batalha de Kursk, em julho
de 1943, onde os alemães sofreram uma grande derrota e foram recuando até saírem
da URSS e as forças soviéticas avançando em direção à Alemanha.

Embora o significado das batalhas entre Alemanha e URSS tenha sido
enormemente relativizado no mundo capitalista pós-guerra, por conta de questões
ideológicas próprias da Guerra Fria (quando não era mais conveniente ressaltar
qualidades positivas do antigo aliado soviético…), o chamado fronte oriental foi
onde aconteceram as mais ferozes batalhas, com as maiores perdas civis e
militares da história, e mostrou excepcionais tenacidade e capacidade de
reorganização e aprendizado do Exército Vermelho frente à Wehrmacht. Apesar de
imensas perdas humanas e matérias, a URSS foi a única nação da guerra a ser
invadida territorialmente pela Werhmacht (então o maior, melhor treinado, mais
bem equipado, e mais eficiente exército do mundo, cujos vários feitos em
eficiência e versatilidade em campo permanecem inigualados até hoje) a ser capaz
de se reorganizar, e, sem rendição ou acordos colaboracionistas (como o do
"Governo de Vichy", na França), resistir, combater, e efetivamente rechaçar as
forças alemãs para fora de seu território sem tropas externas atuando em seu
território (como na recuperação da França, por exemplo, precisou da ajuda maciça
de tropas americanas e britânicas), e, mais importante, seguir um curso de
vitórias até a capital da Alemanha – terminando, na prática, a guerra: poucos
dias depois do suicídio de Hitler na Berlim já completamente ocupada pelo
Exército Vermelho, as forças alemãs assinaram sua rendição incondicional.

 

A reconquista da Europa

A partir de meados 1943, os exércitos aliados foram recuperando território
passo a passo. Enquanto na frente principal, os soviéticos obtinham a rendição
dos alemães em Stalingrado em fevereiro e, em agosto tomavam a iniciativa dos
combates após terem derrotado no mês anterior a última grande ofensiva alemã
realizada à Leste, em Kursk; anglo-americanos e franceses livres, após a vitória
no norte da África em maio, tomaram à partir de julho, Sicília, Córsega,
Sardenha e o sul Itália, causando tanto a queda do gabinete de Benito Mussolini,
e a prisão deste, que foi resgatado por comandos alemães; quanto a rendição e a
adesão formal da Itália à causa aliada em setembro.

Desembarque na costa da Normandia no chamado Dia D.

A 6 Junho de 1944, no chamado Dia D (D-Day), os Aliados efectuaram um
desembarque nas praias da Normandia (Operação Overlord), em que participaram o
Exército Britânico (lutando nas praias de Gold e Sword), o Exército Americano
(lutando em Omaha e Utah) e o Exército Canadense (lutando em Juno). Os
americanos sofreram por volta de duas mil baixas, pois os tanques Sherman,
(disfarçados de Chatas pelo Exército Americano para os esconder, e torná-los um
fator surpresa) afundaram. Já o Exército britânico não teve muitas baixas em
Gold e Sword, pois seus tanques blindados e especializados (em cortar
trincheiras e explodir minas) conseguiram ultrapassar. Era o início da Batalha
da Normandia. Apesar da inferiodade aérea, e submetida a constantes bombardeios
aéro-navais, os alemães resistiram durante mais de mês antes que os aliados
tomassem o primeiro porto, Cherbourg em meados de julho, o que somado à outro
desembarque aliado no sul da França no final de agosto, forçou o recuo das
forças alemãs para a Bélgica.

Após a libertação de Paris, seguiu-se em Setembro de 1944 a libertação de
parte da Bélgica, incluindo sua capital e a operação Market Garden que tinha
como um dos objectivos libertar os Países Baixos. Esta operação foi superior à
Overlord no que respeita ao número de pára-quedistas envolvidos, mas resultou
num enorme fracasso, contando-se cerca de 20 mil mortos, só entre os americanos,
e 6500 britânicos foram feitos prisioneiros. O objectivo dos Aliados era
conquistar uma série de pontes nos Países Baixos, o que lhes permitiria
atravessar o rio Reno.

 

A derrota do Eixo

neutros

Império japonês e estados fantoche

União soviética e estados satélite

Aliados ocidentais

Domínios dos Aliados ocidentais

colônias e territórios ocupados pelos Aliados ocidentais

Aliados orientais

Potências do Eixo

colônias e territórios ocupados pelo Eixo

França de Vichy e colônias (estado oficialmente neutro, mas sobre inflência
do Eixo)

Apesar da evidente superioridade militar aliada, as tropas alemãs resistiram
durante meses, até que, em Dezembro de 1944, Hitler ordenou uma contra-ofensiva
na Bélgica, nas Ardenas. Os exércitos aliados, desgastados devido a problemas
logísticos, sustiveram com grande dificuldade o avanço das tropas alemãs. Várias
unidades aliadas foram cercadas pelo avanço alemão, privando estes soldados de
receberem mantimentos e outros equipamentos, pelo que tiveram de sobreviver a um
inverno rigoroso sem roupa adequada e com poucas munições. Eram frequentes as
incursões de soldados alemães, disfarçados de soldados americanos, em áreas
controladas pelos aliados para causar sérios transtornos, como mudança de
caminhos de divisões inteiras, mudanças de placas, implantações de minas,
emboscadas. Estes soldados alemães, os primeiros comandos, estavam sob o comando
do Oberst (Coronel) Otto Skorzeny, que já libertara Mussolini, entretanto
aprisionado em Itália. Finalmente, a ofensiva alemã acabou por fracassar, e o
custo em termos militares acabou por fragilizar a posterior defesa do território
alemão. Na Itália, foi tomada a abertura ao Reno, com participação de forças
francesas, americanas e a Força Expedicionária Brasileira, fato que facilitou o
avanço aliado pelo sul.

Tropas estadunidenses e soviéticas se encontram no Rio Elba.

Antes mesmo de findar a guerra, as grandes potências firmaram acordos sobre
seu encerramento, além de definirem partilhas, inaugurando novos confrontos com
potencial de desencadear uma hecatombe nuclear. O primeiro dos acordos foi a
Conferência de Teerã, no Irã, em 1943.

Em Janeiro de 1945, Winston Churchill, Franklin D. Roosevelt e Josef Stalin
reúnem-se novamente em Ialta, Ucrânia, já sabendo da inevitabilidade da derrota
alemã, para decidir sobre o futuro da Europa pós-guerra. Nesta conferência, fica
decidido que todos os países libertados deveriam realizar eleições livres e
democráticas – o que não se veio a verificar, nos países controlados pelo
Exército Vermelho – e que a Alemanha teria de compensar os países que invadiu.
Discutiu-se também a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) em bases
diferentes das da Liga das Nações. Definiu-se, ademais, a partilha mundial,
deixando à União Soviética o predomínio sobre a Europa Oriental, incorporando os
territórios alemães a leste e definindo a participação da URSS na rendição do
Japão, com a divisão da Coréia em áreas de influência soviética e
norte-americana. Assim, lançavam-se as bases para a Guerra Fria.

Uma rua de Berlim destruída.

Entretanto, o avanço das tropas aliadas e soviéticas chegou ao território
alemão. Previamente, havia já sido estabelecido o avanço dos dois exércitos,
ficando a tomada de Berlim a cargo do Exército Vermelho. Esta decisão, tomada
pelas esferas militares, foi encarada com apreensão pela população, pois era
conhecido o rasto de pilhagens, execuções e violações (estupro), que os soldados
soviéticos deixavam atrás de si, em grande parte como retaliação pela mortes
causadas pelos soldados alemães na União Soviética (o país com o maior número de
baixas civis e militares de toda a guerra, cerca de 20 milhões). A 30 de Abril
de 1945, Adolf Hitler suicidou-se, quando as tropas soviéticas estavam a
exatamente dois quarteirões de seu bunker.

A 7 de Maio, o seu sucessor, o almirante Dönitz, assinou a capitulação alemã.
A 14 de Agosto de 1945, o general Tojo do Japão rendeu-se incondicionalmente.

 

A guerra no Pacífico

Por volta de 1940, o Japão, tinha já ocupado vários territórios no Pacífico,
e tentava agora aumentar a sua influência no Sudoeste Asiático e no Pacífico.

Um kamikaze prestes a impactar contra o USS Missouri em 11 de abril de 1945.
Agindo a partir de outubro de 1944, estes pilotos-suicidas foram uma tentativa
desesperada e inútil dos japoneses para impedir o avanço Aliado. Afundaram entre
50 e 90 navios aliados (dependendo da fonte), causando a morte de cerca de 5000
homens – mas a um custo de quase 4000 pilotos e suas aeronaves.[3][4]

Em Junho de 1941, o Japão, invade a Indochina. O governo dos Estados Unidos
da América, indignado, impõe sanções económicas ao Japão. Como represália, a 7
de Dezembro de 1941, a aviação japonesa atacou Pearl Harbor, a maior base
norte-americana do Pacífico. Em apenas duas horas, os pilotos japoneses
conseguiram inutilizar todos os navios ancorados no porto, cinco navios de
guerra e outros 15 foram afundados ou destruidos.

No dia seguinte os EUA declaram guerra ao Japão, dando início à guerra do
Pacífico.

Apenas duas horas após o ataque que deu início oficial à guerra do Pacífico,
o ataque a Pearl Harbor, os japoneses iniciaram a invasão de vários territórios
da Ásia e do Pacífico. Em Maio de 1942, o Japão, tinha já conquistado esses
vastos territórios; controlando Hong Kong, a Malásia, Singapura — a qual a
Grã-Bretanha abandonou a 15 de Fevereiro de 1942, a Indonésia, as Filipinas, a
Birmânia e outras ilhas no Pacífico.

O sucesso dos japoneses, devia-se à adaptação do conceito de Blitzkrieg às
condições da geografia da Ásia e Pacífico; a utilização de um relativamente
pequeno número de tropas em relação ao inimigo, altamente treinadas, motivadas e
protegidas por um poder naval que logo derrotou os aliados no mar e por uma
força aérea que tinha como trunfo principal, tanto defensivamente (servindo de
escolta dos bombardeiros japoneses) como ofensivamente, o avião caça mais
moderno na época, o Mitsubishi Zero que, em combates individuais, demonstrou não
ser superado nem mesmo pelo lendário Spitfire britânico. Em terra, os conflitos
decisivos foram efetuados por divisões de infantaria utilizando-se pontualmente
de tanques e blindados leves e carregando peças de artilharia compacta
facilmente desmontáveis e tranportaveis. No entanto, esse mesmo material que
dava agilidade e leveza na movimentação, portanto uma vantagem ofensiva, se
tornaria obsoleto se transformando em desvantagem quando no decorrer dos anos
seguintes, o exército imperial viu-se obrigado a defender as posições
conquistadas sem a vantagem da cobertura aéro-naval que dispunha durante a
ofensiva e sem poder contar com a reposição por mar deste armamento mais leve
por um mais pesado e, dentro daquelas condições, apropriado à defesa.

Já em meados 1942 a guerra na Ásia e Pacífico começava a progredir mais
devagar para os japoneses, que não mantinham o ritmo inicial da campanha. Ao
mesmo tempo que a aviação de caça das forças aliadas, ainda em inferioridade
técnica começava a se utilizar de técnicas de combate aéreo que compensavam tal
desnível. Com o impasse causado pela Batalha do Mar de Coral em maio daquele
ano, resultanto em vitória estratégica para os aliados, devido aos japoneses,
por não terem uma idéia precisa do real poder aéro-naval dos aliados na região,
terem sido induzidos a desistirem de desembarcar em Port Moresby na Papua-Nova
Guiné; a derrota em Midway no mês seguinte resultando, por parte dos japoneses,
na perda de 4 porta-aviões e de grande número de tripulantes e pilotos altamente
experientes; somado ao desembarque e estabelecimento em terra dos americanos em
Guadalcanal em agosto; fizeram com que os japoneses passassem à defensiva no
Pacífico já no último trimestre daquele ano.

Com a vitória americana em Guadalcanal em fevereiro de 1943, após meses de
intensos combates aéreos, marítimos e terrestres que resultaram em grandes
perdas humanas e materiais para ambos os lados, o rumo do conflito naquele
teatro de operações virou definitivamente em favor dos aliados.

O sucesso da guerra submarina irrestrita levada à cabo pela marinha americana
que privava o Japão das matérias primas essenciais, necessárias não só para
levar a cabo seu projeto expansionista, como para manter a própria indústria e
economia internas em pleno funcionamento, bem como o abastecimento da população
por um lado e; a capacidade do complexo militar-industrial americano de repor
não apenas suas perdas humanas e materiais mas também as perdas materiais de
seus aliados num ritmo muito acima das do Japão; resultou que, à partir de
meados de 1943, americanos e seus aliados no Pacífico se mantivessem na ofensiva
ininterruptamente, avançando de complexo em complexo de ilhas rumo ao Japão. Ao
mesmo tempo que a chegada em grande número no front de novos modelos de
aviões-caça, que se equiparavam ou superavam em performance o Mitsubishi Zero,
fazia com que mesmo a relativa vantagem que o Japão dispunha no ar também fosse
anulada.

Nos territórios ocupados durante a ofensiva do 1º semestre de 1942, com
exceção das Filipinas, num primeiro momento as forças japonesas foram recebidas
como libertadoras pelas populações nativas recentida da colonização européia.
Porém, em poucos meses devido às duras condições impostas pelos novos governos
militares japoneses que recrudesceram a opressão e a repressão sobre as
populações locais, à exemplo do que já faziam na China e Coréia; o sentimento
dessas populações ocupadas passou da simpatia à hostilidade, fomentando
movimentos de resistência que cedo encontraram apoio material dos
anglo-americanos.

 

O fim da guerra

Nuvem em formato de cogumelo resultado da explosão nuclear sobre Nagasaki em
9 de agosto de 1945, que chegou a 18 km de altura.

Em Março de 1944, as forças japonesas que ocupavam a Birmânia, deram início a
um ataque contra a Índia, mas acabaram por ser derrotadas em Impanhal. No Norte
da China, as forças japonesas, começaram a enfrentar as forças comunistas de Mao
Zedong. A Guerra Sino-Japonesa, que mobilizava mais de um milhão de homens,
gastava mais recursos que a Campanha do Sul. Em agosto de 1944, depois de
lançada a última ofensiva em Ichi Go, o Império japonês, tomou grande parte do
Sul da China Central, estabelecendo uma ligação terrestre com a Indochina e
inviabilizando o território chinês como base para que os aviões caça aliados
pudessem escoltar os bombardeiros em direção ao Japão.

No entanto, as forças Aliadas do Pacífico já haviam chegado perto do
arquipélago nipónico. Após tomar as ilhas Marianas em Junho-Julho de 1944, os
americanos obtiveram sucesso em uma série de batalhas aéro-navais em Luzon nas
Filipinas, desembarcando nas mesmas no final de Outubro. No início de 1945, a
instalação de bases aéreas nas ilhas de Iwo Jima (em Fevereiro) e Okinawa (em
Abril), mesmo antes da tomada completa das mesmas pelos Americanos, trouxeram o
Japão para dentro do alcance dos caças de escolta de longo alcance
(principalmente os P-51 Mustang), o que viabilizava à partir de então os ataques
aéreos e navais, começando assim os bombardeamentos incendiários contra as
principais cidades japonesas. As escoltas executadas pelos caças mantinham
ocupada, além de debilitar ainda mais a já combalida aviação de guerra japonesa,
então na defensiva, fazendo com que os ataques aéreos, principalmente os
executados pelos aviões-bombardeiros norte-americanos B-29 pudessem, à partir do
final de fevereiro de 1945, ser efetuados com perdas aceitáveis para as forças
atacantes. Ao final de junho, quando se conclui a tomada de Okinawa, tais
bombardeamentos que em certo momentos eram realizados sem oposição, já haviam
causado a destruição completa de 69 cidades japonesas e a morte de mais de
393.000 civis. Durante este mesmo período, os comunistas recomeçavam a avançar
na China; a maior parte das ilhas Filipinas era retomada pelas forças americanas
e guerrilha nativa; enquanto os Britânicos recuperavam por completo a Birmânia,
ao mesmo tempo que avançava uma rebelião contra as forças japonesas no Vietnam.

Explosão nuclear em Hiroshima.

Em meados de Julho o Imperador Hirohito, verificando as elevadas perdas e a
deterioração da situação nos últimos meses, autorizou que o embaixador japonês
na União Soviética contactasse Estaline para apresentar uma rendição do Japão.
Estaline recebeu a mensagem algumas horas antes da conferência dos Aliados na
Alemanha, apresentando assim a proposta de rendição japonesa a Harry Truman. Os
Aliados ocidentais pediam ao Japão uma rendição incondicional, contudo o Japão
decidiu não responder devido aos termos de rendição dos Aliados não
especificarem o futuro do Imperador — visto como um deus para o povo japonês —
tal como o sistema imperial. Harry Truman, após a sua chegada à conferência,
recebeu uma mensagem que indicava que o teste da bomba atómica "Trinity" tinha
sido bem sucedido; decidido a ganhar a guerra utilizando o projecto Manhattan e
demonstrar o poder de força da nova arma ao aliado russo, deu indicações a
Estaline que ignorava a mensagem japonesa.

A 6 de Agosto, a bomba atómica, "Little Boy", foi lançada sobre Hiroshima do
B-29 "Enola Gay", matando, instantaneamente, 75 mil pessoas. Destaque-se que não
havia quartéis, nem aeroportos militares, nem indústrias bélicas na cidade, cuja
população era exclusivamente civil, composta por crianças, mulheres e idosos,
uma vez que os homens jovens haviam sido recrutados para as forças armadas
japonesas. Era também essa a condição de Nagasaki, a cidade sobre a qual, três
dias depois, 9 de Agosto, foi lançada a segunda bomba, a "Fat Man", pelo B-29 "Bock's
Car".

Entre os que morreram no momento das explosões e aqueles que pereceram nos
dias seguintes, por conta da radiação atômica, a quantidade de vítimas se elevou
a mais de 250 mil pessoas, constituindo esse episódio o maior massacre de civis
de toda a história da humanidade [5] .

Para satisfazer a opinião pública do país (e de outras nações), as
autoridades norte-americanas justificaram sua decisão afirmando que uma invasão
do Japão teria custos muito elevados em termos de vidas de militares
estadunidenses, haja vista a disposição dos japoneses de resistir.

Oficiais e marinheiros aliados assistem o General das Forças Armadas Douglas
MacArthur assinando os documentos durante cerimônia de rendição a bordo do
couraçado USS Missouri em 2 de Setembro de 1945. A rendição incondicional do
Japão aos Aliados terminou oficialmente com a Segunda Guerra Mundial.

A 8 de Agosto de 1945 a União Soviética declarou guerra ao Japão, como tinha
concordado na conferência, e lançou uma invasão (Operação Tempestade de Agosto,
August Storm) em grande escala à Manchúria, que se encontrava ocupada pelo
Japão.

Com seu país cercado, suas principais cidades em escombros (duas delas
atingidas por engenhos nucleares), sua indústria arrasada, e tendo agora que
enfrentar outro inimigo poderoso (a URSS), não restou ao imperador do Japão,
Hirohito, senão aceitar a rendição incondicional exigida pelos aliados. No dia
15 de Agosto, ele fez um anúncio público pelo rádio, conclamando o exército
japonês a cessar de lutar. Para os aliados, este foi o “Dia da Vitória´´, V Day
em inglês.

À 2 de setembro, mesmo dia em que no Vietnam Ho chi min proclavama a
independência daquele país, o Japão assinava formalmente diante dos
representantes das Nações Aliadas no Oriente a rendição a bordo do USS Missouri,
na baía de Tóquio pondo fim a Segunda Guerra Mundial.

 

Brasil na Guerra

Embora estivesse sendo comandado por um regime ditatorial simpático ao modelo
fascista (o Estado novo getulista), o Brasil acabou participando da Guerra junto
aos Aliados. Isto porque, muito antes que a pressão popular se fizesse sentir em
1942, devido à partir de Fevereiro de 1942, submarinos alemães e italianos terem
iniciado o torpedeamento de embarcações brasileiras no oceano Atlântico em
represália, segundo relatado nos diários de Goebbels, à adesão por parte do
Brasil aos compromissos da Carta do Atlântico (que previa o alinhamento
automático ao lado de qualquer nação do continente americano que fosse atacada
por uma potênica extra-continental); de fundamental importância para que o
governo brasileiro paulatinamente se alinhasse com os EUA e consequentemente a
causa aliada à partir de Pearl Harbor, igual e respectivamente foram: as
tentativas veladas de ingerência nos assuntos internos brasileiros por parte da
Alemanha e Itália, especialmente à partir da implantação do Estado Novo; a
progressiva impossibilidade à partir do final de 1940 de manter relações
comerciais estáveis e efetivas com estes países devido a pressão naval britânica
e posteriormente americana exercida contra os mesmos e a chamada política de boa
vizinhança levada a cabo pelo então presidente Roosevelt, que entre outros
incentivos econômicos e comerciais financiou a construção de uma gigantesca
siderúrgica, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).[6][7][8]

Também, durante o ano de 1942, em meio a incentivos econômicos e pressão
diplomática, os americanos instalaram bases aero-navais ao longo da costa
Norte-Nordeste brasileira, sendo a base militar no município de Parnamirim,
vizinho a capital Natal, no estado do Rio Grande do Norte, a principal dentre
estas. Bases às quais os militares brasileiros tinham acesso restrito e
controlado. Tendo sido a de Parnamirim de especial importância para o esforço de
guerra aliado antes do desembarque de tropas Anglo-Americanas no Norte da África
em novembro de 1942 na Operação Tocha.

Complexo de bases esse que foi popularmente apelidado na época de "Trampolim
da Vitória", devido à importante contribuição tática proporcionada para a frente
norte africana. À partir da estabilização da frente italiana em fins de 1943 e
do enfraquecimento da campanha submarina alemã, as bases americanas em solo
brasileiro foram sendo progressivamente desativadas ao longo de 1944-45, embora
na da ilha de Fernando de Noronha os americanos tenham permanecido até 1960..[6]

Somente devido à pressão popular é que se deveu a declaração de guerra à
Alemanha nazista e à Itália fascista em agosto de 1942, após meses de
torpedeamento de navios mercantes brasileiros. Assim como a existência da Força
Expedicionária Brasileira, que teve sua formação inicialmente protelada por um
ano após a declaração de guerra e seu envio ao front iniciado somente em julho
de 1944, quase 2 anos após a declaração e mesmo assim tendo enviado cerca de 25
000 homens de um total inicial previsto de 100 000.

Mesmo com problemas na preparação e no envio, já na Itália, treinada e
equipada pelos americanos, a FEB cumpriu as principais missões que lhe foram
atribuídas pelo comando aliado. No entanto, mal terminada a guerra, temendo uma
possível capitalização política da vitória aliada por membros da FEB, dada a
contribuição desta à mesma, mesmo que modesta, decidiu o governo brasileiro
desmobilizá-la oficialmente ainda em solo italiano.[9] A seus membros, no
retorno ao país, foram impostas restrições, os veteranos não militares (que
deram baixa ao retornar) foram proibidos de utilizar em público condecorações ou
peças do vestuário expedicionário, enquanto os (veteranos militares)
profissionais foram transferidos para regiões de fronteira ou distantes dos
grandes centros.[10]

Monumento aos Pracinhas, Rio de Janeiro, Brasil.

No entanto, a participação do Brasil na guerra e a forma como a mesma se
desenrolou contribuíram decisivamente para o fim do regime do Estado Novo, como
já sinalizava o Manifesto dos Mineiros em 1943.

Assim, embora mais vigorosa que a participação na Primeira Guerra Mundial,
considerando o jogo político e diplomático travado entre americanos e alemães
pelo apoio brasileiro e os números da real contribuição tática e estratégica que
o país proporcionou comparados aos de outros países aliados (a FEB, por exemplo,
era apenas uma entre 20 divisões aliadas na Itália, tendo atuado num setor,
embora relativamente importante, secundário no front italiano, num momento em
que este mesmo front tinha se tornado de menor importância para ambos os lados);
a modesta participação brasileira na Segunda Guerra pode no geral ser equiparada
à do Japão na Primeira Guerra Mundial. Se de um lado, em termos numéricos e
táticos os brasileiros tiveram no segundo conflito mundial uma participação
maior na causa aliada que os japoneses 3 décadas antes, por outro lado os
nipônicos, entre as décadas de 1920 e '30, souberam capitalizar melhor política
e estrategicamente a nível internacional sua participação no conflito de
1914-18.

 

Portugal e a Guerra

Durante a Segunda Guerra Mundial, Portugal era governado por uma ditadura de
direita, designada por Estado Novo e chefiado por Salazar. Oficialmente Portugal
declarou em 1939 a neutralidade, apesar da Aliança Luso-Britânica, tendo mantido
o estado de neutralidade até ao final das hostilidades.

O Estado Português, em Março de 1939, assina um Tratado de Amizade e Não
Agressão com a Espanha nacionalista, representada pela Junta de Burgos e pelo
Nuevo Estado dirigido por Franco, recusando o convite do embaixador italiano, em
Abril do mesmo ano, para aderir ao Pacto Anti-Komintern, aliança da Alemanha,
Itália e Japão contra a ameaça comunista.

Em Agosto de 1939, a Grã-Bretanha assina um acordo de cooperação militar com
Portugal, aceitando apoiar directamente o esforço de rearmamento e modernização
das forças armadas portuguesas. Todavia, o acordo só começaria a ser cumprido a
partir de Setembro de 1943.

O embaixador Aristides de Sousa Mendes em França (1939-1940) ajudou dezenas
de milhares de refugiados, nomeadamente judeus a fugir via Lisboa, para os
Estados Unidos, emitindo vistos à revelia do Governo de Salazar. Após a queda da
França em Julho de 1940, foi detido em Lisboa, e proibido de exercer Advocacia,
nunca foi perdoado por Salazar. Em 1966, Israel dá-lhe o título de "Justo entre
as nações". Após a revolução de Abril foi-lhe atribuída a título póstumo a Ordem
da Liberdade em 1987, e a Cruz de Mérito em 1998.

Logo após a invasão da França, Hitler emite com o nome de Operação Félix, a
directiva 18, cujo objectivo principal é a ocupação de Gibraltar, com ou sem
apoio da Espanha. Os planos da operação contempla a invasão de Portugal, caso
esteja iminente um desembarque aliado na costa portuguesa.[11]

Para a invasão a Portugal estaria planeada ser usada uma divisão blindada
alemã para tomar os portos de Setúbal e Lisboa, outra divisão (espanhola) pela
costa norte, e uma outra divisão alemã de infantaria motorizada pelo sul do
país. Portugal não possuía qualquer corpo blindado, ou peças antitanque para uma
defesa com sucesso, especialmente contra a divisão blindada, e muito do
equipamento estava obsoleto.

A operação Félix não foi concretizada porque Espanha e Alemanha não chegaram
a acordo sobre as contrapartidas da participação espanhola. A Espanha teria de
ser equipada pelo exército alemão porque apesar da superioridade numérica das
divisões espanholas em relação a Portugal, faltava equipamento, mobilidade e
logística às divisões espanholas. O exército alemão teria de defender uma maior
faixa costeira de uma possível invasão aliada, e a prioridade foi dada À
Jugoslávia e Grécia, devido às preparações para a invasão da Rússia. O Plano
ainda foi considerado se a Alemanha obtivesse uma vitória rápida na frente
russa. Os acordos entre Portugal e Espanha, e a inteligência britânica poderão
ter também influenciado a não concretização do plano. Apenas em 1943 a
Grã-Bretanha honraria o acordo de 1939, e passaria a dispor equipamento militar
moderno a Portugal.

No dia 29 de Junho de 1940, Espanha e Portugal assinam um protocolo adicional
ao Tratado de Amizade e Não Agressão.

Em 1941, o Japão invade Timor-Leste, e ocupa as ilhas de Lapa, São João e
Montanha pertencentes à República da China e divide a administração com o
Governo Português de Macau. As ilhas voltariam após o fim da guerra à soberania
chinesa.

Com o virar da guerra e o conhecimento da proposta de Roosevelt em enviar
tropas Brasileiras para ocupação das ilhas portuguesas no Atlântico, Churchill
convence Portugal à assinar o Acordo Luso-Britânico, em Agosto de 1943,
concedendo à Grã-Bretanha, a base das Lajes nos Açores, e em 1944 aos Estados
Unidos até actualmente.

Comercialmente, Portugal exportava produtos para os países em conflito, como
açúcar, tabaco, e volfrâmio. O volfrâmio cujo preço subiu em flecha desde o
início das exportações, sendo que para a Alemanha, a exportação foi interrompida
em 1944 por imposição dos Aliados. Até ao final da guerra as exportações para a
Alemanha foram pagas com ouro canalizado via Suíça.

Com o final da guerra, o governo de Salazar decretou luto oficial de três
dias pela morte de Hitler aquando da sua morte, em 1945.

Consequências da Segunda Guerra Mundial

Fat Man bomba nuclear usada em Nagasaki.

 

Desenvolvimento tecnológico

A tecnologia bélica evoluiu rapidamente durante a Segunda Guerra Mundial e
foi crucial para determinar o rumo da guerra. Algumas das principais tecnologias
foram usadas pela primeira vez, como as bombas nucleares, o radar, sistemas de
comunicação por micro-ondas, o fuzil mais rápido, os mísseis balísticos, e os
processadores analógicos de dados (computadores primitivos). Enormes avanços
foram feitos em aeronaves, navios, submarinos e tanques. Muitos dos modelos
usados no início da guerra se tornaram obsoletos quando a guerra acabou. Um novo
tipo de navio foi adicionado aos avanços: navio de desembarque anfíbio (usado no
Dia D).

 

Mortes

Mortes durante a Segunda Guerra por país.

As estimativas para o total de vítimas da guerra variam, mas a maioria sugere
que cerca de 72 milhões de pessoas morreram durante a guerra, incluindo cerca de
26 milhões de soldados e 46 milhões de civis.[12][13][14] Muitos civis morreram
devido à doenças, fome, massacres, bombardeios e genocídio. A União Soviética
perdeu cerca de 27 milhões de pessoas durante a guerra, cerca de metade de todas
as vítimas da Segunda Guerra Mundial.[15] Do total de mortes na II Guerra
Mundial, aproximadamente 85% estavam no lado dos Aliados (principalmente
soviético e chinês) e 15% do lado do Eixo. Uma estimativa é que 12 milhões de
civis morreram nos campos de concentração nazistas,[16] 1,5 milhões por bombas,
7 milhões na Europa e 7,5 milhões na China devido a outros fatores.[17] Os dados
sobre o total de vítimas varia porque a maioria das mortes não foram
documentadas.

 

Prisioneiros de guerra

Com a derrota e posterior separação da Alemanha, cerca de 3 mil civis alemães
viraram prisioneiros de guerra tendo que trabalhar em campos de trabalhos
forçados no Gulag, na Rússia. Apenas em 1950, os civis poderam ter a sua
liberdade e voltar para a Alemanha.

Muitos dos prisioneiros de guerra alemães e italianos foram trabalhar na
reconstrução da Grã-Bretanha e da França. Cerca de 100 mil prisioneiros foram
enviados para a Grã-Bretanha e cerca de 700 mil para a França. Além disso, os
milhares de soldados presos pelos soviéticos continuaram em cativeiro,
diferentemente dos prisioneiros pelos aliados, que foram libertados entre 1945 e
1948.

No início dos anos 1950, alguns prisioneiros alemães foram libertados pelos
russos, mas somente em 1955, após a visita de Konrad Adenauer à URSS é que os
restantes prisioneiros ainda vivos foram libertados e retornaram a sua terra
natal após até 14 anos de cativeiro.

 

O Holocausto

Avalia-se em 50 ou 60 milhões o número de pessoas que morreram em
consequência da guerra. As perdas foram superiores na Europa Oriental:
estimam-se 17 milhões de mortes civis e 12 milhões de mortes militares para a
União Soviética, 6 a 7 milhões para a Polónia (primariamente civis), enquanto
que na França o número rondaria os 600 000.

O Holocausto comandado pelas autoridades nazistas – inclusive como parte da
"solução final" para o "problema judeu" – levaria ao genocídio, nos campos de
concentração, de milhões de pessoas consideradas indesejáveis, dentre as quais,
principalmente, os judeus, mas também membros da etnia cigana, eslavos,
homossexuais, portadores de deficiência, Testemunhas de Jeová e dissidentes
políticos. Milhares de prisioneiros foram usados como cobaias em diversas
experiências, o que acarretou a propagação de doenças como tifo e tuberculose.
Após a guerra, o Movimento Sionista valeu-se do horror mundial diante da
divulgação do holocausto judeu, para obter a criação do Estado de Israel, na
Palestina.

 

Danos materiais

Os Aliados determinaram o pagamento de indenizações de guerra às nações
derrotadas para a reconstrução e indenização dos países vencedores, assinado no
Tratado de Paz de Paris. A Hungria, Finlândia e Romênia foi ordenado o pagamento
de 300 milhões de dólares (valor baseado no valor do dólar em 1938) para a União
Soviética. A Itália foi obrigada a pagar o correspondente a 360 milhões de
dólares de indenizações cobrados pela Grécia, Iugoslávia e União
Soviética.[carece de fontes?]

No fim da guerra, cerca de 70% da infra-estrutura européia estava destruída.
Os países membros do Eixo tiveram que indenizar os países Aliados em mais de 2
bilhões de dólares.

Com a derrota do Eixo, a Alemanha teve expressivos recursos financeiros e
materiais transferidos para os Estados Unidos e a União Soviética, além de ter
as indústrias bélicas desmanteladas para evitar um novo rearmamento.

 

Territoriais

Divisão da Alemanha pelas quatro potências vencedoras (1945-1949)

As transformações territoriais provocadas pela Segunda Guerra começaram a ser
delineadas pouco antes do fim desta. A Conferência de Ialta (4-12 de Fevereiro
de 1945) teria como resultado a partilha entre os Estados Unidos e a União
Soviética de zonas de influência na Europa. Alguns meses depois a Conferência de
Potsdam, realizada já com a derrota da Alemanha, consagra a divisão deste país
em quatro zonas administradas pelas potências vencedoras. No lado Oriental,
ficaria a administração sob incumbência da União Soviética e, no lado Ocidental,
a administração ficaria sob incumbência dos Estados Unidos, França e Inglaterra,
tendo estas duas últimas desistido da incumbência.

A Itália perderia todas as suas colónias; a Ístria acabaria por ser integrada
na Jugoslávia, tendo também sofrido pequenas alterações fronteiriças a favor da
França.

O território da nação polaca desloca-se para oeste, integrando províncias
alemãs (Pomerânia, Brandemburgo, Silésia), colocando a sua fronteira ocidental
até aos cursos do Oder e do Neisse. A URSS progrediu igualmente para oeste,
graças principalmente à reversão das perdas territoriais sofridas pelo Pacto de
Brest-Litovsk: houve a criação da República Socialista Soviética da Bielorússia
(numa área de maioria étnica bielorussa, mas que havia sido concedida à
Polônia), e também a ampliação da Ucrânia, que também havia perdido território,
duas décadas antes, para a Polônia.

O Japão teve que abandonar, de acordo com o estabelecido no acordo de paz de
1951 com os Estados Unidos, a Manchúria e a Coreia, além dos territórios que
havia conquistado durante o conflito. Nos anos 1970, os Estados Unidos devolvem
Okinawa ao Japão.

 

Políticas

Sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque. A fundação da ONU
foi uma das consequências da II grande guerra.

No plano das relações internacionais, o fracasso da Sociedade das Nações em
evitar a guerra levaria à criação de uma nova instituição, a Organização das
Nações Unidas. Fundada em Junho de 1945, apresentou como objectivos assegurar a
paz e a cooperação internacional. Uma das razões apontadas para o fracasso da
Liga das Nações foi a igualdade entre países pequenos e grandes, que bloqueava o
processo de tomada de decisões. A ONU vai distinguir na sua organização interna
cinco grandes países, tidos como detentores de maiores responsabilidades, e os
restantes; estes cinco países possuem assento permanente no Conselho de
Segurança, principal órgão da ONU, onde possuem direito de veto. Os outros
membros do Conselho de Segurança são seis países eleitos rotativamente.

As principais potências imperialistas (França e Inglaterra) saíram da Guerra
completamente arrasadas, tornado insustentável a manutenção de seus vastos
territórios coloniais. Foi durante essa época que iniciou-se o movimento de
descolonização afro-asiática.

A Segunda Guerra Mundial provocou igualmente o fim da hegemonia mundial da
Europa e a ascensão de duas superpotências, os Estados Unidos da América e a
União Soviética, que seriam os protagonistas da cena internacional durante o
período conhecido como a Guerra Fria.

Fonte: Wikipédia.


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