
Segundo o Censo Escolar de 2008, há quase 5 milhões de crianças com até 6 anos em creches e pré-escolas públicas no Brasil. Agora também há uma ferramenta que pode ser útil para esse segmento da educação.
“As creches e as pré-escolas da rede pública ganharam mais um instrumento para garantir uma educação de qualidade para as crianças de até 6 anos. Foi lançado o caderno ‘Indicadores da Qualidade na Educação Infantil’, um documento que está disponível gratuitamente para que as instituições promovam autoavaliações sobre o todo o processo de ensino-aprendizagem, incluindo temas como saúde, nutrição, família, comportamento, entre outros.”
Assim se iniciava a matéria “Caderno ajuda a promover uma educação infantil de qualidade” do boletim do Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas) em 1/6/09.
Com 62 páginas, o documento foi elaborado em conjunto pelo Ministério da Educação, Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Ação Educativa e Fundação Orsa. Ele contém “os fundamentos da educação infantil e um roteiro de como professores, diretores, servidores das escolas e a comunidade devem proceder a autoavaliação”.
Para os organizadores, “a qualidade da educação é um conceito amplo, que envolve muitos aspectos, desde o aprendizado, passando pelas condições do prédio e das salas, até as relações entre as crianças, dos adultos com as crianças, e da instituição com as famílias”.
Ninguém duvida das boas intenções, nem do nível das entidades envolvidas na elaboração dos indicadores. Mas é de se estranhar a falta de repercussão do assunto. Com exceção da matéria que menciono, não achei mais nada a respeito na imprensa.
Ao mesmo tempo é interessante observar que o próprio Gife cita a coordenadora-geral de educação infantil da Secretaria de Educação Básica do MEC, Rita Coelho, segundo a qual “o objetivo é incentivar as escolas a construir uma cultura e um compromisso com a qualidade usando a autoavaliação como ferramenta. ‘Não é para fiscalizar, não é para medir, não é para comparar’, disse ela ao site do ministério’”.
Diz a matéria do Gife que o caderno Indicadores da Qualidade na Educação Infantil propõe a organização de sete grupos formados pela escola e a comunidade para analisar cada parte do questionário: “planejamento institucional; multiplicidade de linguagens e experiências (formas de a criança conhecer e experimentar o mundo e se expressar); interações (espaço coletivo de convivência e respeito); promoção da saúde; espaços, materiais e mobiliários; formação e condições de trabalho dos professores e demais profissionais; relação de troca e cooperação com as famílias e participação na rede de proteção social”.
O documento sugere que os grupos atribuam cores para cada indicador de qualidade: verde, quando a situação é boa; amarela, quando é média; e vermelha, se é ruim ou não existe.
Depois de feita a sua análise, cada grupo leva o resultado do seu trabalho para uma reunião com todos os grupos e, a partir daí, são identificados os problemas prioritários e organiza-se um plano de ação.
Esta é uma das perguntas do caderno: “As professoras incentivam as crianças a escolherem brincadeiras, brinquedos e materiais?” A resposta pode indicar se as crianças desenvolvem autonomia nessa pré-escola. Diante disso, estamos torcendo para que o material seja devidamente usado e, depois, se coloquem em prática as conclusões.
* Com Lucila Cano.
Engel Paschoal (engelpaschoal@uol.com.br) é jornalista e dá cursos e palestras sobre responsabilidade social.
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