EDUARDO MAMCASZ
DA RÁDIO NACIONAL DA AMAZÔNIA
O governo destina, a cada ano, R$ 9 bilhões para 200 mil entidades do chamado terceiro setor – organizações sociais (OS), organizações da sociedade civil de interesse público (Ossip) e organizações não governamentais (ONGs). A informação foi dada nesta quinta-feira (26) pela promotora da Justiça do estado da Bahia Rita Coutinho, ao participar do 2º Congresso Brasileiro de Direito Público.
O encontro discute, desde ontem (24), em Salvador, o anteprojeto preparado por uma comissão de juristas com propostas para um novo modelo de administração pública no Brasil.
Segundo a promotora, grande parte desses recursos públicos está sendo desviada para o que classificou de “uso fraudulento, inclusive para o Poder Público fugir da lei da responsabilidade fiscal, não realizar concurso público e praticar atos de corrupção”.
O procurador da Justiça aposentado José dos Santos Carvalho, que falou em seguida, ressaltou que, desde 1992, o governo repassou R$ 2,5 bilhões para as ONGs, “sem saber de fato onde eles foram aplicados, porque não existe fiscalização”. Em tom de ironia, ele disse que estranha o crescente número de entidades do terceiro setor que vêm sendo criadas no país. E completou: “Há muita cidadania para meu gosto.”
Ao comentar o grande número de entidades do terceiro setor existentes no Brasil, a promotora Rita Coutinho, que seguiu a mesma linha de raciocínio em uma das três palestras feitas nesta manhã durante o congresso, alertou para o risco de todo o sistema ser desacreditado. “Receio que tenha virado uma grande ‘pilantropia’.”.
A promotora fez algumas ressalvas ao detalhar o anteprojeto em discussão, chamando a atenção para uma das normas previstas, a que trata do “chamamento público” para escolha das “entidades colaboradoras”. Rita disse que não viu no texto exigências como saber o tempo mínimo de funcionamento que a entidade interessada deve ter antes de assinar convênio com o Poder Público, nem informações sobre o quadro técnico e a gestão financeira a ser aplicada.
Sobre o novo nome a ser dado às entidades do terceiro setor, “entes de colaboração”, a procuradora explicou que a mudança deve-se à necessidade de separá-las das entidades paraestatais, formadas pelas organizações sociais autônomas, na parte privada, e pelas corporações profissionais, como os sindicatos, na parte pública. “Falta também colocar por escrito que, ao assinar o contrato, elas aceitam adotar os princípios de moralidade, impessoalidade e transparência”, completou Rita.
José dos Santos disse temer que algumas prefeituras de pequenos municípios não tenham condições de realizar o chamamento público para escolha das entidades, por falta de clareza das normas do anteprojeto em discussão. “A administração pública no Brasil, do jeito que está, é incapaz, incompetente ou movida por interesses antiéticos”, concluiu o procurador aposentado.
Em uma das palestras de ontem (25), o secretário de Gestão do Ministério do Planejamento, Marcelo Viana Estevão, disse que atualmente 50% dos servidores públicos estão concentrados na área municipal, 35% na estadual e apenas 15% na federal. Estevão informou que o governo está lançando a Carta de Serviços ao Cidadão, que será uma espécie de “pesquisa sobre a satisfação do cidadão para que se possa ter uma agenda de melhoria na gestão do atendimento público.”
Matérias relacionadas:
23 de maio de 2012
22 de maio de 2012
21 de maio de 2012
19 de maio de 2012
17 de maio de 2012
15 de maio de 2012
14 de maio de 2012