DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DA UFRJ
O Rio de Janeiro é geralmente reconhecido por seu calor característico, por suas praias e pela receptividade de seus moradores. Porém, segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, o município passa a ser conhecido também como a capital com o maior número de pessoas obesas do Brasil. De acordo com a pesquisa, a cidade possuía, em 2009, índice de 17,7% de obesidade, contra 12,6% registrados em 2006, o que reflete a situação de sobrepeso da população e a coloca como a primeira do país.
Para explicar o assunto, o Olhar Vital entrevistou o médico João Régis Carneiro, endocrinologista do Serviço de Nutrologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Embora não concorde com a alcunha de “capital mais obesa do Brasil”, João confirma que a situação da cidade é preocupante: “Na verdade, o Rio de Janeiro não deve ser considerado como “capital da obesidade no Brasil”, mas a situação da nossa cidade não deixa de ser grave. A prevalência de sobrepeso e de obesidade vem crescendo em todas as regiões brasileiras e nota-se, em paralelo, o crescimento do número de casos de diabetes e de hipertensão arterial, duas condições de saúde intimamente relacionadas com o excesso de peso. Isso pode ser reflexo de mudanças comportamentais ocorridas nas últimas décadas. Os brasileiros, e também os cariocas, são hoje mais sedentários e se alimentam de maneira inadequada”.
João explica que há uma carência de investimento por parte do governo no atendimento e, principalmente, no desenvolvimento de estratégias que visem à prevenção do excesso de peso e da obesidade. “Campanhas de educação nas escolas e creches são necessárias, uma vez que a prevalência de obesidade e excesso de peso vem aumentando de maneira assustadora entre crianças e adolescentes. Um modelo de gestão que contemple a prevenção desse problema deve ser instalado com rapidez.”
E se o Rio já se encontra nessas condições atualmente, a tendência é que a obesidade se torne ainda mais frequente, caso não sejam tomadas medidas necessárias. “As estimativas para os próximos anos não são nada animadoras. A população está aumentando de peso e ficando mais exposta ao risco de desenvolver doenças que implicam prejuízo na expectativa e na qualidade de vida. Não menos importante é o impacto negativo que o excesso de peso pode acarretar no âmbito profissional (muitas empresas hoje colocam a obesidade como fator impeditivo para contratação) e pessoal (vários trabalhos associam o excesso de peso à depressão e à ansiedade)”, relata o endocrinologista.
Entre as doenças a que estão expostos os indivíduos com excesso de peso, estão o diabetes, a hipertensão, o infarto, o acidente vascular cerebral (derrame), o desenvolvimento de vários distúrbios do aparelho osteomuscular e, até mesmo, determinados tipos de câncer, como o de próstata, o de cólon, o de mama e o de endométrio.
Embora a obesidade no Brasil seja caso de saúde pública, a estrutura hospitalar do país ainda é insuficiente para cobrir a demanda por cirurgias. “A dificuldade que o obeso encontra para ser tratado de forma adequada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é enorme. Se considerado o problema da obesidade mórbida, são poucos os centros credenciados para realização de tais procedimentos no Rio de Janeiro e, atualmente, o ritmo de execução das cirurgias possibilita que menos de 1% dos pacientes possa ser operado pelo SUS a cada ano. Porém, em nosso estado talvez existam 40 mil obesos mórbidos com potencial de indicação para ser submetido à cirurgia bariátrica (de redução estomacal).”
“Acho fundamental que os gestores do SUS, a nível nacional, atentem para o fato de que a falta de combate à obesidade e os problemas a ela associados implicam aumento cada vez mais impactante dos recursos financeiros e humanos empregados no tratamento dessas condições. Há muitos anos vêm morrendo mais pessoas no Brasil por excesso do que por falta de alimentos”, conclui o especialista.
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