Carolina Gonçalves
Agência Brasil
Oito pessoas foram presas por suspeita de fraudes na importação de produtos originários da China que chegavam ao mercado brasileiro pelo Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro. O esquema vinha sendo investigado há um ano pela Polícia Federal no Rio de Janeiro, que deflagrou hoje (31) a Operação Poseidon na capital fluminense.
Entre os suspeitos que tiveram mandado de prisão cumprido estão três auditores fiscais da Receita Federal, um guarda portuário, dois empresários e dois despachantes aduaneiros. Os investigados, entre empresários e servidores públicos, são acusados de sonegação de impostos e de envolvimento no contrabando de mercadorias falsificadas oriundas da China que abasteceriam a máfia chinesa de São Paulo.
Além dos mandados de prisão, foram expedidos 24 de busca e apreensão. Segundo a chefe da Delegacia de Combate a Crimes Fazendários da PF (Delefaz), Leila Quintanilha Vidal, todos foram cumpridos até o final da manhã.
As investigações começaram quando os policiais encontraram contêineres vazios no bairro de Bangu, zona oeste do Rio, no ano passado. “Essa não é a rotina. Todos os contêineres são como carros, têm numeração, chassi, identificações, então não poderiam estar abandonados daquela forma. O esquema se resume à entrada de mercadorias oriundas da China que chegavam ao Porto de Itaguaí”, explicou a chefe da Delefaz.
Em outubro de 2009, os policiais federais apreenderam 20 toneladas de mercadorias falsificadas, como mochilas, tênis e óculos, no bairro do Caju, zona portuária da capital. Em janeiro deste ano, uma nova ação resultou na apreensão de cinco contêineres com 126 toneladas de mercadorias chinesas falsificadas no Porto de Itaguaí. Em fevereiro, a Polícia Federal apreendeu R$ 170 mil que seriam pagos a um dos auditores da Receita Federal presos hoje, para a liberação de mercadorias contrabandeadas.
Segundo Leila Quintanilha, para que as mercadorias falsificadas pudessem entrar no mercado brasileiro, havia o pagamento de propinas que variavam entre R$ 100 a R$ 170 mil, de acordo com a carga que estava no contêiner. Esse dinheiro era pago tanto a despachantes quanto a auditores da Receita Federal. O transporte dessa mercadoria, do porto até os comerciantes, era feito com escolta liderada por um policial federal que ainda não foi preso.
“Toda a documentação que foi apreendida vai ser analisada, para a instrução do processo e verificação da continuidade das investigações. Possivelmente as investigações continuarão e poderão gerar novas prisões”, disse Leila.
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