Da Assessoria de Comunicação da UFRJ
Em época de volta às aulas, é importante tratar de um assunto que sempre perturba pais e professores: o piolho. Sua infestação, conhecida como pediculose, afeta principalmente as crianças. Segundo o pediatra Peter Abram Liquornik, do Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira (IPPMG) da UFRJ, “a infestação é muito frequente em creches e escolas porque as crianças têm um contato pessoal mais direto e costumam compartilhar objetos, como pentes e escovas”.
O pediatra afirma, ainda, que as meninas são, geralmente, mais propensas à infestação, por terem o cabelo mais comprido, e que os cabelos crespos ou encaracolados necessitam de atenção especial, já que neles os piolhos se fixam e escondem com mais facilidade.
A pediculose pode ser identificada através da forte coceira, do surgimento de pontos avermelhados na pele, semelhantes a picadas de mosquito, e da presença de lêndeas – ovos de cor esbranquiçada depositados pela fêmea nos fios de cabelo. Apesar de não ser uma doença grave, o indivíduo afetado deve realizar o tratamento corretamente, para que as picadas não infeccionem.
Segundo Liquornik, as picadas podem causar irritação no local afetado pelo piolho e se o indivíduo ficar coçando e não tiver, por exemplo, unhas bem cuidadas, “isso pode levar a uma infecção secundária, que chamamos de impetigo. Além disso, se a pediculose não for tratada, começa a se disseminar e mais pessoas são atingidas”.
Tratamento
O tratamento consiste no controle químico, com substâncias como benzoato de benzila, monossulfiram, deltametrina e permetrina. “Para crianças abaixo de dois anos, que não podem utilizar os medicamentos químicos, uma alternativa é a pasta d’água com enxofre; e para crianças com mais de cinco anos, utiliza-se invermectina. Todos estes produtos devem ser aplicados no local da picada”, explica o pediatra.
Além do tratamento químico, recomenda-se lavar bem os cabelos com xampu especializado e penteá-los com um pente fino para retirar as lêndeas. “O vinagre, apesar de ser uma medida bem caseira, é útil, pois contém uma substância que dissolve a camada externa da lêndea, matando-a”, afirma o pediatra.
Prevenção
Para não impedir o convívio social entre as crianças em escolas e parques, o ideal é prevenir a invasão dos parasitas adotando algumas medidas simples, como desinfetar com água quente objetos de uso pessoal e manter os cabelos curtos, no caso dos meninos, ou presos, no caso das meninas.
“Deve-se evitar contato com objetos de outras pessoas, principalmente as que estiverem infectadas. Recomenda-se, também, evitar sair de casa com os cabelos molhados, pois os piolhos gostam de umidade. O ideal é secar os cabelos com um secador ou, mesmo, deixá-los secando no sol”, conclui o Peter Liquornik.
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