Daniel Mello
Agência Brasil
Exercícios respiratórios feitos sem a ajuda de nenhum tipo de aparelho podem melhorar significativamente a qualidade de vida de pessoas portadoras de asma. Foi o que comprovou a professora de educação física Ludmila Gomieiro, durante pesquisa de mestrado na Universidade de São Paulo (USP).
A asma é uma inflamação crônica do sistema respiratório capaz de provocar extrema falta de ar no paciente. Esse tipo de doença tende a se intensificar no período de inverno, quando a umidade diminui e o frio aumenta. Segundo a Secretaria da Saúde de São Paulo, as internações por doenças respiratórias crescem 60% nessa época.
Existem formas, entretanto, de aliviar quem vive com asma. Ludmila percebeu a eficiência dos exercícios de respiração no controle da doença ao ministrar aulas de educação física para um grupo de asmáticos. “Eu cheguei a ver alunos que chegavam em crise e conseguiam reverter a crise fazendo os exercícios respiratórios”, conta.
Apesar dos benefícios da prática, ela percebeu que havia certo desinteresse pelo assunto, pouco abordado pela literatura especializada e visto como pouco importante pelos alunos e professores. “Comecei a procurar estudos que provassem a eficácia dos exercícios respiratórios. Mas, até então, não tinha nada que medisse, por exemplo, a força dos músculos respiratórios”.
A partir dessas constatações, a pesquisadora desenvolveu um projeto em que avaliou a eficiência dos exercícios respiratórios em idosos com asma. Eles participaram de sessões de atividade de uma hora, duas vezes na semana, por quatro meses.
Após o período da pesquisa, os pacientes tiveram uma série de melhoras. No grupo de idosos, a pressão de inspiração máxima, um método utilizado para inferir a capacidade da musculatura respiratória, teve um aumento médio de 26,5%.
Os pacientes também relataram uma qualidade de vida muito maior do que antes dos exercícios. “Reforçando a parte estatística, eu tinha a comprovação por causa dos relatos que os pacientes fizeram ao longo do programa”, explicou. “Eles chegavam e diziam: professora, eu estou conseguindo fazer faxina, lavar roupa e não ficar com falta de ar”, disse ela.
Para que o efeito seja duradouro, no entanto, a prática dos exercícios deve ser constante. Segundo Ludmila, como parte da pesquisa, após os quatro meses de trabalho, os idosos ficaram um mês sem as atividades. Como resultado, a pressão de inspiração reduziu, em média, 20%.
Por conta dos benefícios comprovados pelo estudo, Ludmila defende que a prática dos exercícios respiratórios seja incluída como parte do tratamento da asma. “Não é a cura, é um coadjuvante no tratamento medicamentoso. Mas espero que seja reconhecido e que eu veja o profissional de educação física ser inserido ali, junto com o pneumologista”.
Matérias relacionadas:
5 de fevereiro de 2011
10 de janeiro de 2011
6 de janeiro de 2011
4 de janeiro de 2011
30 de dezembro de 2010
29 de dezembro de 2010
22 de dezembro de 2010
21 de dezembro de 2010
20 de dezembro de 2010
17 de dezembro de 2010
16 de dezembro de 2010
15 de dezembro de 2010
10 de dezembro de 2010
8 de dezembro de 2010
1 de dezembro de 2010
30 de novembro de 2010
29 de novembro de 2010
27 de novembro de 2010
26 de novembro de 2010
25 de novembro de 2010
24 de novembro de 2010
23 de novembro de 2010
18 de novembro de 2010
15 de novembro de 2010
12 de novembro de 2010
11 de novembro de 2010
8 de novembro de 2010
5 de novembro de 2010
29 de outubro de 2010
28 de outubro de 2010