31 de janeiro de 2010 12:29 

Para especialistas, falta de ações democráticas nas periferias é uma das causas da violência

Paula Laboissière
Da Agência Brasil

No terceiro e último dia do Fórum Social Mundial Temático da Bahia, os próprios participantes da mesa Violência nas Periferias Urbanas e Ameaça à Democracia chegaram à conclusão de que o debate trata de uma inversão desta lógica – para eles, a ausência de práticas democráticas nas periferias de centros urbanos é a principal causadora da violência local.

Para o educador social Maximiliano Dante, o tema é de extrema relevância no encontro porque não há possibilidade de se discutir desenvolvimento econômico sem envolver questões sociais. “Principalmente quando estão morrendo jovens das periferias”, destacou. “Se a gente pensa em um mundo melhor, ele tem que abranger essa parcela da população que não é minoria, é maioria”, completou.

O representante do Movimento contra a Violência da Rio de Janeiro, Maurício Campos, disse que o que define a forma como a violência nas cidades se converte em uma ameaça à democracia é a resposta que o Estado tem dado à situação.

“O controle, por meio da segurança pública, tem gerado o crescimento das violações de direitos humanos, das restrições de liberdade e da arbitrariedade”, afirmou. Campos lembrou que a questão da violência urbana é global e não local e que está associada a fenômenos internacionais como o grande circuito de lavagem de dinheiro e o tráfico de armas e drogas.

Durante o debate, ele apontou três eixos como solução para as mortes e a violação de direitos nas periferias e favelas. A primeira é a luta contra uma legislação internacional repressiva sobre a questão das drogas – que tem gerado não a diminuição do comércio de drogas, mas algo ainda mais lucrativo e que dá base para a formação de quadrilhas internacionais. O segundo eixo é uma espécie de controle público internacional rigoroso sobre a produção e o comércio de armas e o terceiro: que as violações cometidas nas periferias pela polícia não sejam esquecidas. “Tem que haver investigação, identificação e responsabilização rigorosa dos agentes de Estado.”



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