VISÃO NORDESTINA

JOSÉ LUIZ MALTA ARGOLO
jlargolo@yahoo.com.br

2 de setembro de 2010 18:09 

Os peritos, o INSS e o povo

Tomei conhecimento dessa notícia há pouco. É possível que a greve dos peritos, denunciada agora veementemente, pelo Presidente Lula, já tenha comparecido na Mídia sem despertar minha atenção, o que não seria surpresa, afinal de contas atividades paredistas no Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS tornou-se coisa banal, faz tempo. Esse evento, contudo, parece que tirou Lula do sério, tal o seu desabafo à Televisão, onde se mostrava indignado com a greve dos peritos médicos que está a arrastar-se por mais de dois meses. No seu destempero, Lula detonou a classe dos peritos ao denunciar à nação os privilégios de que aquela casta médica goza, no exercício de sua profissão. Pasmem os senhores! Segundo, Lula, os grevistas têm remuneração de quatorze mil reais, por cada trinta dias trabalhados e paralisaram as atividades por que querem reduzir sua carga horária de 40 para 30 horas. Pode?…

Sem querer tergiversar: enquanto os peritos médicos ganham, conforme informação do Presidente, R$ 14 mil, por mês, outros pobres mortais, também, profissionais graduados do INSS ou agregados a ele, são remunerados com salários quase cinco vezes menores.

Não sei se o presidente Lula exagerou no valor da remuneração dos médicos peritos, porque a bem da verdade, andei cascavilhando na Internet e as notícias de concursos para a especialidade (Perito médico/INSS) que encontrei ofereciam salários aquém daquele, ou seja, entre R$ 3.729,66 e R$ 4.149,89.

Polêmicas à parte, o caso tem a dimensão do Brasil. São mais de 400 mil perícias que deixaram de ser feitas e embora, o presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP), o Sr. Luiz Carlos Argolo, debite o problema à truculência do Governo, a própria Federação Nacional dos Médicos sugere alguma intransigência por parte da ANMP, quando não admite a possibilidade da realização de mutirões para atender aos segurados do INSS.

Argolo fincou pé e não quer conversa, mas a população pensa diferente. Essa greve mexe com milhares de pessoas pobres que dependem do INSS a fim de resolver necessidades inadiáveis. Mais do que uma simples reivindicação salarial ou mesmo exigência para redução de carga horária, o movimento paredista dos médicos peritos suscita um clamor nacional. É inadmissível que esses facultativos tenham esquecido o juramento prestado no momento de sua colação de grau, quando prometeram, “…ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência” – e ao invés disso, deixem-se cair nessa cruzada desumana e cruel.

Até agora, valores intangíveis como solidariedade, amor ao próximo e principalmente, caridade foram deixados para trás.

Por seu lado, a sociedade sente-se impotente para enfrentar esse descalabro e o poder público, simplesmente fecha os olhos em uma apatia incompreensível.

No Brasil atual, o corporativismo tem dado as cartas no serviço público, obviamente, em prejuízo da população mais pobre.

Essa paralisação dos peritos médicos, por mais de dois meses, é uma prova de que a coisa desembestou. Urge, portanto que se dê um basta nessas paralisações, mesmo sendo elas consideradas legais, porque no fim das contas prevalece o ditado popular quando sentencia: “ a corda só arrebenta no lado mais fraco!”

———-
José Luiz Argolo é alagoano, ex-conselheiro do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, fundador e presidente da SAMAN – Sociedade Ambientalista Mãe Natureza. É formado em Letras (CESMAC) e tem especialização em Solos e Meio-Ambiente (UFLA – Lavras/MG).

-
RESPOSTA AOS MÉDICOS E AOS PERITOS MÉDICOS

Prezados Senhores,

Tenho recebido inúmeras mensagens de médicos e peritos médicos, a propósito desta coluna. Alguns foram cordiais e outros indelicados (minoria). Neste período (dois dias) fiz perícia nos e-mails e concluí que todos foram sinceros e honestos; o mesmo não acontece com os representantes do Governo. Aliás, governo não é flor que se cheire!

Contudo, permaneço fiel aos meus princípios: fico ao lado do povo. Eu entendo que independentemente das más condições de trabalho e até mesmo dos salários, a classe dos médicos peritos poderia optar por iniciativa diversa da atual. Por exemplo: 1. Denúncia ao Ministério Público Federal; e, 2. Ações coletivas na Justiça pleiteando melhores condições de trabalho.

Greve, não! Só em último caso.

Maceió, 04.09.2010

José Luiz



Indique esta Mteria a um amigo

Não há matéria relacionada.



Colunas Anteriores
Visão nordestina

Todas as colunas


Amarnatureza.org.br - Jornal da Associação de Defesa do Meio Ambiente Araucária
Copyright © 2009