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VISÃO NORDESTINA

JOSÉ LUIZ MALTA ARGOLO
jlargolo@yahoo.com.br

8 de outubro de 2009 19:06 

Os demônios do ministro Edison Lobão

Semana passada o ministro Edison Lobão, de minas e energia, chamou de forças demoníacas aos que se opõem à construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu/Pará. O descomedimento de Lobão tem lá suas razões. A principal delas é que porventura, o Governo Lula esteja a se defrontar, pela vez primeira, com opositores fortes e organizados capazes de tirar proveito do contexto internacional suscetível à questão das mudanças climáticas. Como se sabe, a megalômana obra de hidroeletricidade deve sujeitar-se a financiamentos do Banco Mundial e do BID que, mesmo propícios à concessão de empréstimos para projetos faraônicos, têm receio da reação internacional que, diga-se de passagem, a essa altura, já deve estar de orelha em pé pelos cochichos do Greenpeace.

Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.No momento em que o povo brasileiro começa a despertar de um sono letárgico nos braços da corrupção política, parece que o lado devasso ainda não se deu conta da novidade e permanece alheio às manifestações moralizantes. Essa discrepância, talvez se deva à lentidão da justiça, que não abriu os seus tentáculos o suficiente para alcançar os assaltantes dos cofres públicos. Contudo, o ciclo está se fechando e a guilhotina foi armada. Quando o projeto “ficha-limpa” for aprovado, no Congresso, os processos de cassação de mandatos pendentes e impedimentos de candidaturas poderão ser resolvidos com mais rapidez, pela justiça, já que não estará abarrotada de questões.

Por enquanto, a situação dissoluta continua e uma confluência de interesses absconsos desliza sorrateira no palco do poder palaciano, empurrando para trás e para os lados as objeções com que se depara, em sua trajetória na direção do butim.

Lamentavelmente, o Brasil continua não sendo um país sério – conforme De Gaulle – porque os setores mais importantes da sociedade não cumprem o seu papel, dando oportunidade para malfazejos, como esses que querem construir a hidrelétrica de Belo Monte, venham articular-se em uma conspiração, envolvendo o Xingu, determinados a impor suas rapinagens contra populações indígenas, contra remanescentes extrativistas seringueiros e agricultores familiares, além de pequenos e médios fazendeiros que ocupam aquela bacia hidrográfica amazonense.

Se os interesses político-eleitoreiros prevalecerem e o projeto de Belo Monte for liberado, pode acontecer uma das maiores agressões já perpetradas conta o meio-ambiente, no Planeta, pois que o ecossistema da Volta Grande do Rio Xingu, que é uma das últimas maravilhas da natureza, ainda intocada, poderá desaparecer do mapa, irreversivelmente.

Cabe, portanto, aos parlamentares ambientalistas e aos MPE e MPF oporem-se a esse plano, evitando com isso, que uma quadrilha venha assaltar os cofres da nação, para deslanchar um projeto ultrapassado e nocivo do ponto de vista econômico e sócio-ambiental.

As mais de 100 organizações que integram o Movimento Xingu Vivo para Sempre, na Amazônia brasileira, aliadas ao conjunto de ong’s ecologistas com assento no Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, bem assim o universo das demais ong’s que defendem o meio-ambiente espalhadas pelo Brasil afora, além de cientistas e técnicos na área de hidroeletricidade, que estão a subsidiar, com informações precisas e cientificamente comprovadas, aos parlamentares ambientalistas, não aceitam a pecha de “forças demoníacas” que lhes impingiu o ministro Edison Lobão, porque elas trabalham e desejam tão somente que prevaleça o império da ética, do desenvolvimento sustentável e da paz, para os povos e para todo o ecossistema do Xingu, e em sendo assim, devem ser consideradas forças do bem, nunca do mal.

Por outro lado, se os conceitos de bem e de mal que, historicamente convivem com o ser humano desde épocas remotas, estão a impregnar o ambiente do Congresso Nacional e do Governo brasileiro, certamente são os demônios do ministro Edison Lobão que estimulam a sua cobiça pelo poder e infernizam a vida de milhares de pessoas moradoras da região do Rio Xingu.



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