3 de setembro de 2010 16:01 

Obra sobre petróglifos amazônicos tem edição em português

Da Assessoria de Imprensa do MCT

“A importância da obra de Koch-Grünberg para a Amazônia é inegável, porém sua divulgação era restrita, já que suas obras não haviam sido traduzidas para o português” a afirmação é da pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT), de Belém (PA), arqueóloga Edithe Pereira, na apresentação do livro Petróglifos Sul-Americanos.

A versão em português da obra será lançada amanhã (4), às 17h, no estande do Museu na 14ª Feira do livro de Belém. A publicação traz reproduções de gravuras e pinturas rupestres no Brasil e outros países da América do Sul, além de diversas interpretações sobre as mesmas.

O livro foi publicado, originalmente, em 1907, e a tradução direta do alemão é de João Batista Poça da Silva a partir de exemplar ofertado pelo próprio Koch-Grünberg ao Museu Goeldi. A obra é considerada uma importante fonte de documentação sobre as gravuras rupestres do Alto Rio Negro, segundo a pesquisadora do Goeldi. “É uma obra indispensável para aqueles que desejam conhecer ou começar a estudar a arte rupestre dessa região”, conta Edithe, que também é a organizadora da obra.

Autor e obra
Nascido em Grünberg, na Alemanha, Theodor Koch-Grünberg fez sua primeira viagem ao Brasil em 1899 como responsável pela documentação linguística na segunda viagem ao rio Xingu do etnólogo alemão Hermman Meyer. Em 1924, ele volta à Amazônia, integrando a equipe de Alexander Hamilton Rice em uma expedição que objetivava encontrar as nascentes do rio Orinoco. Em outubro de 1924 falece, na localidade de Vista Alegre, em Roraima, vítima de malária.

A maior parte da obra de Koch-Grünberg é voltada para a etnologia indígena da Amazônia, porém, o livro Petróglifos Sul-Americanos é sua única obra dedicada integralmente à arqueologia da região. “O fato de nos dias de hoje a interpretação que ele deu para os petróglifos não ter mais adeptos no meio acadêmico, não diminui a importância do seu trabalho. Pelo contrário, sua obra faz parte de um momento da história da arqueologia brasileira e que agora passa a ser de conhecimento do grande público que poderá conferir a dimensão da contribuição deixada por Koch-Grünberg para a Arqueologia da Amazônia”, explica Edithe.

Petróglifos

Inscrições gravadas pelo homem em pedra ou em rochas, os petróglifos existiram em todos os continentes, com exceção da Antártica. O termo deriva das palavras gregas petros, pedra e glyphein, talhar. Os mais antigos petróglifos recuam ao Neolítico, há cerca de 10 a 12 mil anos, sendo as representações gráficas que antecedem a invenção da escrita.

Faz parte do conceito geral de Arte Rupestre, mas não deve ser confundida com as pinturas ou desenhos na pedra ou em rochas, do domínio da pictografia.



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