RESPONSABILIDADE SOCIAL E ÉTICA

LUCILA CANO*
lcano@terra.com.br

16 de julho de 2010 0:07 

O que fazer contra o desperdício de água?

A água é um direito e um bem comum. Reduzir o seu consumo e combater o desperdício é um desafio para todos. No País, 20% da sociedade urbana não dispõem de serviços públicos de água potável. Os serviços de coleta de esgoto sanitário beneficiam apenas 50% das moradias e a maioria dos efluentes são despejados nos rios, sem tratamento adequado.

As informações são da ONG Água e Cidade, criada em Curitiba (PR) em 22 de março de 2000, Dia Mundial da Água. Seu objetivo é conscientizar e mobilizar a sociedade para o uso racional da água de abastecimento e para a conservação dos rios urbanos.

A Água e Cidade surgiu em decorrência do Programa de Uso Racional da Água da Sabesp e da Universidade de São Paulo (USP), de 1997, e do Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água, iniciado em 1998 no Governo Federal. Seus mantenedores no início das atividades foram empresas como Deca, Docol e Tigre. Os parceiros institucionais são a USP e a PUC do Paraná. Há ainda sócios individuais e os “voluntários da água”.

Educação para a vida em sociedade e melhoria da gestão

Para Wilson Passeto, diretor da Água e Cidade, “a sociedade brasileira tornou-se urbana nos últimos 40 a 50 anos, adotando um modelo de desenvolvimento baseado no consumo. Ela usa água em demasia, desperdiça e contamina os rios e demais recursos hídricos”.

O uso racional da água reduz o consumo e a geração de esgoto sanitário a ser tratado, o que reduz a poluição dos recursos hídricos. Segundo Passeto, “ao cuidarmos da água, a primeira providência tem que ser a educação para a vida em sociedade e a melhoria da gestão como forma de combater os desperdícios. Temos que gerenciar o equilíbrio entre a oferta e a demanda, com ênfase na redução da demanda por atividade ou produto”.

Dois programas da Água e Cidade são complementares em uma visão de longo prazo dos seus idealizadores: Água na Escola e Gestão da Água nas Organizações.

O programa Água na Escola capacita professores do ensino fundamental e médio que, por sua vez, capacitam colegas da mesma escola e inscrevem projetos de uso racional da água em www.aguanaescola.org.br. As escolas recebem pelo Correio jogos de seis Revistas em Quadrinhos dos Alunos (do 5º ou 6º ano) com os mesmos temas do curso do professor. Assim, durante o ano letivo, professores e alunos desenvolvem seus projetos e mobilizam demais alunos, seus familiares e vizinhos.

O programa Gestão da Água nas Organizações capacita gestores (voluntários da água) junto a profissionais de empresas e universitários em curso para avaliação do impacto ambiental hídrico de edificações e organizações (veja em www.aguaecidade.org.br as 17 Melhores Práticas em Uso Racional da Água de Organizações). Cada empresa tem que mobilizar o público interno, da diretoria aos trabalhadores, o público externo, vizinhos deles e outros mais, para atender aos critérios da metodologia.

Especialistas em mudanças de comportamento

Passeto diz que “as empresas são especialistas em mudanças de comportamento dos seus funcionários e podem ajudar a mudar a sociedade. Edificações, empresas e cidades sustentáveis serão possíveis quando a sociedade for sustentável e estiver engajada em ações para o desenvolvimento sustentável”.

Para que a transformação seja possível, o diretor da Água e Cidade aponta a necessidade de três ações nas empresas: 1) a alta direção deve estar engajada na ideia da sustentabilidade; 2) todos os funcionários da empresa devem acreditar e se engajar neste princípio; 3) o poder de transformação das empresas protagonistas do desenvolvimento sustentável deve envolver a sociedade em ações práticas, sob a forma de conhecimento, informações e mudança no comportamento.

A metodologia da Água e Cidade se estende em parceria com entidades de vários tipos e focos, como a Municipalidad de Aserrí, na Costa Rica; Águas de Cachoeiro e Centro Universitário São Camilo (ES); Águas de Niterói, Instituto Baia de Guanabara e FIRJAN Leste (RJ); AVINA e Sabesp.
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* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.
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Lucila Cano é jornalista especializada em projetos editoriais, consultoria
empresarial e produção de textos sobre Responsabilidade Social e Ética.



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