O Partido Verde brasileiro veio ao mundo, em 1986, com uma pretensa aura transformadora onde brilhavam estatuto e programa afinados com a questão ambiental, em nosso país. Todavia, inspirado por figuras carimbadas da política brasileira já nasceu débil. Combalido pelas moléstias que grassam no meio-ambiente do congresso nacional, jamais teve forças para defender o seu ideário. Agora, de uma hora para outra, como se tivesse caído do céu, vê em Marina Silva, a meizinha que pode propiciar sua cura. Será?
Quando estive no Partido Verde, em 1996, levado pelas mãos de José Raimundo, Presidente Estadual, assumi a presidência da Executiva Municipal de Maceió e logo bati de frente com o vereador Givaldo Carimbão, que era secretário de Meio Ambiente de Maceió, sob Ronaldo Lessa – Prefeito. O secretário Carimbão havia devastado uma área significativa de remanescentes da Mata Atlântica, no Parque Municipal de Maceió, com o propósito de fundar um zoológico. Resolvi expulsá-lo do Partido. Onde já se viu um devastador ambiental fazer parte do PV?…
Não deu certo e aconteceu o pior. A cúpula do PV – Alfredo Sirkis e José Luís Penna – desmanchou tudo. Fomos destronados, José Raimundo e eu. Preferi sair. Eu era apenas um verde autêntico, Carimbão um político promissor, para eles. Fui parar no PPS e logo pendurei as chuteiras. Política não é o meu forte.
A situação de Alagoas foi resolvida com duas canetadas: o vereador Givaldo de Sá Gouveia Carimbão foi nomeado presidente do Diretório Estadual e Sandra do Carmo Menezes, do Municipal. O PV de Alagoas ficou em paz, mesmo que alguns verdes insignificantes, em solidariedade, houvesse nos acompanhado.
A decisão conjunta Sirkis/Penna parecera acertada. Givaldo Carimbão é um político que sabe arranjar coisas. Era vereador da situação, remanejado para a secretaria de Meio Ambiente, de inteira confiança do Prefeito Ronaldo Lessa e sem esquentar cadeira elegeu-se deputado federal. Ao ser diplomado, no entanto, já empunhava outra bandeira – a do PSB, coincidentemente, a mesma desfraldada pelo Prefeito e dois anos mais tarde, Governador Ronaldo Lessa.
Hoje, Carimbão está deputado federal, na terceira legislatura. Alguém já ouviu falar dele? Não? Pois, continua sendo o deputado que sabe arranjar coisas. Estava de bem com alguns setores da igreja católica, em Alagoas. A história do zoológico não vingou, mas a construção da “Cidade de Maria”, sim. Tá lá, no agreste alagoano, pra quem quiser ver, garantindo os votos dos fiéis. Todavia, a sua reeleição, desta vez, não vai ser moleza, porque de repente, vinda não se sabe de onde, uma parenta do senador Fernando Collor foi entrando de fininho e vem arrebanhando apoios importantes, ameaçando o assento de Carimbão, na igreja.
Quanto à seccional do PV, em Alagoas, vai bem, obrigado. Sandra Menezes, agora é presidente do Diretório Estadual. Nos últimos anos vem se enrolando nas malhas dos pára-quedas, deixados para trás pelos políticos de outros partidos que aterrizaram no PV. Nenhum deles, contudo, detém mandato parlamentar, talvez, uma suplência de oposição. Mas, ela sabe mexer os pausinhos; já esteve secretária municipal de meio ambiente de Maceió, após a saída de Carimbão; presidente do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas, na gestão do governador Ronaldo Lessa e recentemente, foi nomeada superintendente do IBAMA/AL. Deve sair candidata a deputada federal, em 2010, com boas chances de vitória.
O PV alagoano não é grande coisa, perante a imensidão do País. No entanto, Alagoas embora seja um Estado chocho, é metido a cavalo do cão. A história do Brasil não me deixa mentir. Depois da República, pelo menos três alagoanos já assumiram a Presidência.
Nos últimos dias há um alvoroço na ante-sala das candidaturas à presidência da República, desde que se aventou a possibilidade de Marina Silva sair candidata pelo PV. A própria Dilma Roussef voltou à sala de aula e parece disposta a estudar Ecologia. A questão ambiental, que ninguém valorizava, de uma hora para outra ganhou enorme dimensão e tudo indica que vai dar as cartas na campanha eleitoral, em 2010.
E o Partido Verde? Bem, o PV tem Ciro Pedrosa e agora, Marina Silva, cujos discursos são inconciliáveis, se quiser avançar precisa antes resolver essa contradição.
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José Luiz Argolo é alagoano, ex-conselheiro do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, fundador e presidente da SAMAN – Sociedade Ambientalista Mãe Natureza. É formado em Letras (CESMAC) e tem especialização em Solos e Meio-Ambiente (UFLA – Lavras/MG).
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