A temperatura da Terra sobe ano após ano. O Planeta arde em febre e isso é um sinal visível de que está gravemente enfermo. Gaia (Terra) vomita toda a poluição que geramos nela. O ar se torna denso, irrespirável, a terra se esgota ao extinguirem suas florestas e peixes agonizam em águas poluídas, isso enquanto ainda existem reservatórios desse líquido precioso, mas tão mal utilizado, e sabemos que sem água não há agricultura, sem agricultura não há alimento para o gado que morrerá de fome e sede. E o homem, sem água, sem agricultura e sem animais, também sucumbirá.
A “Conferência do Clima” – COP-15, que reúne cientistas, estudiosos, pesquisadores, políticos e pessoas influentes de todas as partes do mundo em Copenhague, Dinamarca, tem a difícil missão de convocar os países para reduzirem a emissão dos gases poluentes na atmosfera.
As nações se propõem a dar sua cota para diminuir a liberação de CO2, mas sabemos que a indústria não pára de produzir novos carros, existe o uso indiscriminado de carvão para gerar energia e o desmatamento prossegue, em ritmo acelerado, e as florestas vão se transformando em pastos para a criação de gado.
O Brasil se gaba de ser o maior produtor de bovinos do mundo. E isso é algo para se vangloriar? Somos o pasto dos países ricos que já não têm espaço para criar seu gado, e isso é muito ruim para nós.
Segundo dados da EMBRAPA – Meio Ambiente, cada bovino libera por ano 58 quilos de gás metano em suas flatulências (gás do efeito estufa 23 vezes mais poluente do que o CO2). E se pensarmos que o Brasil tem cerca de 170 milhões de cabeças de gado, as conclusões são ainda mais preocupantes. Nossa responsabilidade pelo aquecimento global é muito grande.
Espero, sinceramente, que as conclusões dessa conferência não fiquem apenas no papel e no nível das discussões, e que ações drásticas e urgentes sejam tomadas. Sabemos de antemão que o que mais preocupa os líderes dos países são os cifrões e não o futuro do Planeta.
Não vejo outra solução, a curto, médio e longo prazos, que não seja reduzir o consumo de carne, ou mesmo eliminar a sua utilização. Como vegetariana há 25 anos, tenho larga experiência de que a carne não faz falta alguma e pode ser substituída por outras fontes de proteína. E as pessoas só têm a lucrar com a redução desse consumo já que a maioria das doenças e cânceres são consequência de uma alimentação rica em gordura animal.
Muita gente vai ignorar este alerta, mas a sobrevivência da espécie humana depende dessa tomada de consciência. Não vejo outra alternativa. Ou os humanos param de comer carne ou a raça tende a desaparecer, pois com o aumento das populações, não haverá espaço para criação de gado e plantio de grãos para alimentar esse contingente imenso de bovinos. Temos de fazer nossa escolha com consciência. Dela depende o desaquecimento do planeta e o futuro de nossos filhos e netos.
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Ivana Maria França de Negri é escritora, colunista fixa de vários jornais e integrante, há 10 anos, da SPPA – Sociedade Piracicabana de Proteção aos Animais.
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