DE PIRACICABA

IVANA MARIA FRANÇA DE NEGRI
ivanamfn@yahoo.com.br

26 de dezembro de 2009 17:08 

O planeta das baratas

Elas sobreviveram a cataclismos, às drásticas mudanças climáticas e ao grande evento que causou a extinção dos dinossauros. São mais de cinco mil espécies no mundo, de tamanhos que variam de alguns milímetros até quase dez centímetros de comprimento.

Aparentemente frágeis, mas bastante resistentes, nem um pouco simpáticas aos seres humanos, que tentam eliminá-las de todas as maneiras. Mas elas aprenderam a se resguardar de quaisquer métodos de extermínio. Podem sobreviver uma semana sem beber água e até um mês sem comer.

O jeito é tolerar sua presença no planeta, mas mantê-las longe de nossas casas, não criando condições para sua proliferação e dessa maneira controlar sua população, já que o ser humano jamais conseguirá exterminá-las. Um fato curioso é que gostam de bebidas alcoólicas, principalmente cerveja.

As baratas têm aparência repugnante, vivem na sujeira e levam micróbios em suas patinhas, mas sabem muito bem o que fazer para sobreviver. Comem de tudo, tendo maior atração por doces e gorduras. Podem fazer moradia tanto em desertos, como em florestas, nas cidades, em lugares frios ou quentes, sempre se adaptando muito bem ao ambiente. Adoram se fixar em porões, ralos, esgotos e lixeiras.Os pêlos nas costas funcionam como sensores que avisam quando devem correr para se proteger dos perigos.

O ser humano, de modo geral, não preza nem um pouco sua passagem pelo planeta. Seca as fontes, polui as águas, derruba florestas inteiras, degrada o solo, espalha lixo em todo lugar. Desperdiça água, esbanja energia e vive num oceano sintético que criou a sua volta, cercado de embalagens, garrafas pets, milhões de sacolinhas plásticas, produtos descartáveis, sempre fabricando mais e mais montanhas de lixo, um paraíso para as baratas.

O aquecimento global é apenas mais um sinal de alerta, de que o planeta vai mal, mas parece que ninguém está nem aí para os alertas.

Um dia tudo isso vai reverter para os próprios humanos e o arrependimento virá, tarde demais. Quando toda essa poluição chegar a um grau irreversível, sucumbiremos, pois não saberemos o que fazer para manter a sobrevivência da nossa espécie e de outras que arrastaremos junto conosco para a extinção.

Então, assinando o decreto de seu próprio fim e de sua descendência, o homem delegará o planeta novamente ao poder dos insetos.

Mais uma vez, as sábias baratas saberão como resistir e, mais preparadas do que nós, herdarão o planeta.


Ivana Maria França de Negri é escritora, colunista fixa de vários jornais e integrante, há 10 anos, da SPPA – Sociedade Piracicabana de Proteção aos Animais.



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