Mais um 5 de junho que chega e não vislumbro nada de novo para o futuro do planeta. Em época eleitoreira, alardeiam-se ações que nunca serão concretizadas. Muito se fala e pouco se faz. A maioria dos projetos não chega mesmo a sair das planilhas.
A natureza continua a ser explorada, aniquilada, seu solo calcinado, o ar poluído, e os rios agonizam. A piracema é desrespeitada, as florestas derrubadas, e os últimos espécimes selvagens vão sendo extintos por terem seus habitats destruídos.
À revelia das leis que proíbem o uso do fogo nos canaviais, mais uma temporada de queimadas se inicia. Nada de novo no ar – a não ser os detestáveis floquinhos negros que irritam as donas-de-casa, emporcalham a cidade e fazem mal à saúde da população – fato este comprovado por estudiosos e médicos especialistas no assunto.
A vida silvestre é incinerada nos canaviais, o solo fica empobrecido, e o povo continua alheio e calado. Diz amém para tudo, não opina e nem se revolta. Deixa que sua saúde fique abalada, que a sujeira invada sua casa, vota nos mesmos políticos de sempre, aceita tudo e ainda tem fé em dias melhores. Brasileiro tem a paciência de Jó, crê ainda em histórias da carochinha e perdoa tudo e todos dizendo: “é a vontade de Deus…”
Mas Ele nos deu livre arbítrio para decidirmos nossas vidas. Se nada fizermos, o destino das novas gerações pode ser sombrio. Parece que o único deus que se cultua é o de papel, o dinheiro. Por ele se vive, se morre, se trabalha até à exaustão, e quando chega a derradeira hora é que se percebe que a beleza da vida não foi devidamente aproveitada e o precioso tempo foi gasto em coisas inúteis e em futilidades. Temo só em pensar na profecia do Grande Chefe Índio que, com toda sabedoria herdada de seus antepassados, sentenciou: “Quando o último rio secar, a última árvore estiver derrubada e o último animal for abatido, o homem verá que não pode se alimentar de dinheiro, e então será tarde demais e a única água que restará serão as lágrimas amargas de arrependimento”.
É necessário ser justo, não faltar com o respeito a nenhum ser da natureza, seja ele gente, bicho ou planta, pois todos se interdependem entre si. Cada um pode fazer a sua parte. Como? Economizando no consumo de água, que vai se tornar um bem muito raro e precioso no futuro, poupando energia elétrica, comprando produtos ecologicamente corretos, utilizando em maior escala os materiais reciclados e só adquirindo mercadorias que não danifiquem o meio ambiente. Afinal, a origem da palavra ecologia vem do grego, “oikos” – que quer dizer casa e “logos” – estudo. E a ecologia começa em casa.
A participação da sociedade como um todo é fundamental. Trabalhar com o objetivo de idealizar ações para resguardar o futuro do planeta que todos compartilham.
Até a Igreja Católica acrescentou em sua lista de novos pecados os crimes ambientais. Já não se pode incendiar, matar, desflorestar, poluir, acobertados pela impunidade. Pecamos por pensamentos, palavras, obras e omissões. Não podemos mais ser omissos ou o planeta será extinto.
Sem preservação ambiental, não há futuro. Dependemos do meio ambiente para sobreviver. E o meio ambiente depende da nossa proteção.
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Ivana Maria França de Negri é escritora, colunista fixa de vários jornais e integrante, há 10 anos, da SPPA – Sociedade Piracicabana de Proteção aos Animais.
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