Ano que passou o Brasil foi assolado por inúmeras greves. Dessas, as que marcaram presença na nossa vida foram as dos funcionários dos Correios e do INSS.
Perdoem-me os grevistas dos Correios e do INSS por não me ater aos méritos; menos por não conhecê-los bem e mais porque acredito de antemão, serem justas as suas reivindicações. Ninguém passa a vida a crescer para baixo, como rabo de cavalo, por livre e espontânea vontade, sem espernear. Isso, obviamente, deve estar a acontecer com o pessoal dos Correios e do INSS que fica a ver navios, enquanto outros segmentos da administração pública aumentam os seus salários sem maiores dificuldades.
Até aí, tudo bem! Sabemos, todos nós, que o Governo não cede sem mais nem menos. É preciso muita pressão! Nesse aspecto, os movimentos paredistas brasileiros são doutores, pois de tanto realizarem greves, talvez, algum paradigma já tenham escrito, por certo, visando levar vantagem nesse embate com o Patrão. Contudo, o que tem ficado mais evidente é a tentativa, de ambos os lados, em vencer pelo cansaço, visto que as interrupções arrastam-se, em algum caso, por messes a fio.
Está claro que os litigantes estão pouco se lixando para os danos e os transtornos que a sociedade venha a sofrer com essas paralisações. Interiormente, os grevistas entendem, não sem razão, que a sociedade voluntariamente, não move um dedo em seu favor, portanto, também não merece contemplação; o Governo, por seu lado, acha que o povo tem mais é que sofrer, pois sempre faz escolhas políticas erradas, elegendo os piores quadros partidários, no que resulta um Congresso descompromissado com as questões mais relevantes para a Nação.
Na nossa condição de observador, desculpem a imodéstia, vejo que as estratégias, de ambas as partes, estão equivocadas. Em primeiro lugar, considero que o Governo tem abusado da paciência do povo quando permite que uma greve se estabeleça, sem que se disponha a dialogar. Depois, porque rapidamente fecha as portas e fica hermético como se nada estivesse a acontecer. Sua atitude de lavar as mãos significa o mesmo que incentivar a ira do povo contra os grevistas. A nosso ver, parece uma atitude mais adequada a países do tipo Venezuela e Bolívia, onde os seus líderes fomentam a atuação de grupos paramilitares de esquerda para agirem repressivamente, contra os segmentos rebeldes, enquanto o Governo escondido olhando o circo pegar fogo. Já, os grevistas cruzam os braços na premissa vã de que o povo prejudicado venha a rebelar-se contra o Governo e dessa forma possa ajudá-los a alcançar suas reivindicações. Ledo engano!
O que as pessoas vêem nessas greves são radicalismos de ambas as partes, notadamente com mais intensidade por parte dos funcionários, pela seguinte razão: 1. Muitos daqueles que não vão trabalhar e mal terminaram o período probatório, tinham ciência de que o salário era baixo e se submeteram a concurso mesmo assim, sabendo que nunca iriam ganhar rios de dinheiro, naquela profissão. 2. A experiência que tem resultado das inúmeras paralisações anteriores mal-sucedidas, deveria ser suficiente para que procurassem outras estratégias, pois que, errar é humano, permanecer no erro é burrice. Ora, se o governo tem procurado fazer o jogo do empurra-empurra contra os grevistas, caberia a esses revidar de maneira que o mais atingido fosse o Governo e jamais a população. Para isso, far-se-ia necessário direcionar as setas para o coração do inimigo, de sorte que, só ele fosse atingido. Como isso poderia ser possível? É simples: basta sensibilizar os parlamentares a retirar a obrigatoriedade dos pagamentos de impostos e outras obrigações, em dia por parte dos contribuintes, no caso de atraso na entrega de documentos, pelos Correios, por exemplo. O mesmo se aplica aos funcionários do INSS, que deixariam de receber os recolhimentos ou algo similar, em prejuízo do Governo.
Como os senhores podem ver, não é difícil virar o placar desse jogo, porquanto nós que não passamos de leigos no assunto já apontamos algumas soluções, que dirá os experts…
Até agora, o Governo tem dado as cartas. As pessoas estão sendo prejudicadas pelo atraso dos Correios, que mesmo depois de vários meses do encerramento da paralisação, o serviço de entrega das correspondências ainda não se encontra em dia. Fato semelhante pode estar a acontecer com a gente que depende do INSS para se aposentar ou requerer benefício, vez que o atendimento fica a desejar, também.
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José Luiz Argolo é alagoano, ex-conselheiro do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, fundador e presidente da SAMAN – Sociedade Ambientalista Mãe Natureza. É formado em Letras (CESMAC) e tem especialização em Solos e Meio-Ambiente (UFLA – Lavras/MG).
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