DE PIRACICABA

IVANA MARIA FRANÇA DE NEGRI
ivanamfn@yahoo.com.br

2 de agosto de 2010 17:05 

O fim da Tauromaquia

Como apaixonada e militante da causa animal, vibrei intensamente com o decreto proibindo as touradas na Catalunha a partir de 1º de janeiro de 2012.

Por 68 votos contra 55 e 9 abstenções, o Parlamento decidiu que touradas passam a ser crime. Melhor seria se fossem impedidas desde já, mas pode-se considerar essa decisão uma grande vitória, sem precedentes. Felizmente, a tendência agora é que as corridas de touros passem a rarear até sua completa extinção. É preciso um tempo para dar destino aos 40 mil desempregados no setor, afinal, há mais de 600 anos a Espanha encharca seu solo com sangue desses animais. Cerca de 50 mil assinaturas foram coletadas e apresentadas ao parlamento nessa histórica batalha entre defensores de animais e os simpatizantes dessa arcaica tradição. Isso demonstra como a união e as iniciativas populares podem dar certo.

A atriz Brigite Bardot também não escondeu sua euforia e espera que o efeito seja contagiante e se estenda para outros locais que ainda torturam touros em nome de uma tradição cruel e sem razão de ser.

O governo espanhol ainda teimava em afirmar que o esporte (?) era uma demonstração cultural, mas teve que admitir que a cada dia declinam-se os aficionados desse sádico evento. As novas gerações já não se interessam pelas touradas, ao contrario, lutam pelo seu fim. Os mais antigos, que ainda cultivam o gosto pela tauromaquia, vão envelhecendo, morrendo, e esvaziando as arenas.

De nada adiantaram as iniciativas de inscrever a tauromaquia para ser votada como patrimônio cultural da humanidade com o objetivo de perpetuar o ritual macabro.

As Ilhas Canárias aboliram as touradas desde 1991. Uma das arenas transformou-se em palco para apresentações musicais.

A questão não foi jogada política e nem partidária como querem alguns. Era uma luta antiga dos defensores de animais contra uma tradição de tortura de um animal até a morte, sem finalidade alguma além do entretenimento de alguns sanguinários.

A abolição total está próxima. Assim como as leis do Ventre Livre, dos Sexagenários e finalmente a lei Áurea, libertaram os escravos de um jugo doloroso, injusto e humilhante, está próxima a lei que libertará os touros dessa imolação, afinal, é incompreensível ver prazer num animal se esvaindo em sangue, crivado por afiadas bandarilhas e lutando bravamente pela vida até o último minuto, caindo exausto e expirando ante uma plateia ensandecida que grita “olé”!

Como pode a prática de esfolar touros ser considerada cultura? Como podem defender uma apresentação onde, com golpes traiçoeiros, trucidam um animal preso numa arena, que, sem ter por onde escapar, se vê obrigado a submeter-me à maldade humana?

Finalmente estamos evoluindo. As pessoas reclamam da violência que se espalha pelo planeta, mas não veem que a origem dela está nos seus próprios atos. Se elas não dão paz às outras criaturas, como podem clamar por paz ao Criador de todos os seres?

A era dos toureiros e seu suposto glamour, está para terminar. E o sofrimento inútil dos animais está com seus dias contados. A indústria de criar touros para matar, que faturou milhões, caminha para a falência, e as escolas de formar toureiros devem fechar suas portas, é só uma questão de tempo.

Os defensores dos animais vibram, e o touro, agradece.



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