Ao pisar a terra brasileira no ano de 1500, os portugueses, em seu ato inaugural, derrubaram uma árvore e construíram a cruz da primeira missa. Em seguida, aqueles invasores passearam a vista sobre um pedaço da Floresta Atlântica, então com milhares de quilômetros quadrados ainda intactos e a partir desse olhar ignorante e cobiçoso determinaram, naquele instante, o futuro do bioma.
Durante séculos, a floresta chuvosa costeira do Brasil padeceu sob vários ciclos econômicos, desde o açúcar, o café, a pecuária e o ouro, até a chegada da industrialização, sendo sempre considerada um empecilho, uma coisa selvagem e atrasada, segundo a estupidez desenvolvimentista de incontáveis empresários e governantes, mais do que nunca presentes nos dias atuais.
Hoje, daquela mata que os opressores de Portugal encontraram ao desembarcar aqui, nada mais resta senão vestígios que somados não chegam a cinco por cento da extensão original. No seu lugar foram construídas as cidades mais importantes do Brasil, onde residem milhões de brasileiros; o resto do espaço foi ocupado, por plantações agrícolas, fazendas de gado, estradas de rodagem e outras atividades humanas.
O comportamento deletério dos colonizadores não respeitou a grandeza do continente, onde vicejava biodiversidade ímpar, povoada também por uma gente ingênua e hospitaleira, mais tarde dizimada impiedosamente pelo homem branco.
A história da floresta litorânea Atlântica de nosso País vem sendo escrita por vários historiadores, entre os quais, brasileiros e estrangeiros, todos, porém unânimes em reconhecer que o modo como se deu a destruição foi obscuro e cruel.
Em Alagoas, os remanescentes de Mata Atlântica ocorrem na sub-região noroeste, ocupada pelos municípios de Messias, Murici, Flexeiras, União dos Palmares, Joaquim Gomes, Ibateguara e São José da Laje, os quais foram reduzidos à cerca de dois por cento, assim mesmo representados por fragmentos isolados, como se fossem ilhas de mata cercadas por um oceano de canaviais.
O dia 27 de maio é consagrado a Mata Atlântica, porém não há o que festejar. Ao contrário, vem por aí a revisão do Código florestal que se for aprovada, nos termos defendidos pela Bancada Ruralista, significa o tiro de misericórdia que vai acertar em cheio o coração do bioma atlântico, liquidando de vez com o resto da fauna e da flora remanescentes, porque apesar da inoperância dos órgãos ambientais em face da proteção ao meio-ambiente, a Lei nº 4771/65 ainda representa um obstáculo aos degradadores do ecossistema.
De nossa parte, nós, ecologistas observamos entristecidos o desaparecimento dos últimos fragmentos de mata que revestem a costa brasileira, dilapidados pela insensatez das pessoas que detém poder, em nosso País. Trata-se da perda irreversível de uma floresta tropical única, repleta de endemismos e de espécies novas, ainda desconhecidas da ciência. E o pior: essa tragédia desencadeada pelo ser humano configura-se inútil do ponto-de-vista de servir de referência para evitar um desastre maior – a destruição da Amazônia. Mas, o que podemos fazer?…
Neste momento, o que nos ocorre de melhor seria ajoelharmo-nos e rezar para aquela Entidade sobrenatural que vela pelos seres da floresta. Quem sabe, um apelo desesperado, a Ela dirigido, talvez salve a Mata Atlântica. Amém!
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