RESPONSABILIDADE SOCIAL E ÉTICA

LUCILA CANO*
lcano@terra.com.br

5 de junho de 2010 0:01 

Nunca se falou tanto em sustentabilidade

O Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo (SP), recebeu perto de mil profissionais de todo o País entre 25 e 28 de maio para o Congresso Mega Brasil de Comunicação 2010.

Em sua 13ª. edição, o evento uniu o Congresso de Comunicação Corporativa ao de Comunicação no Serviço Público e ao de Comunicação Digital e criou o chamado “congresso três em um”. Entre outros, participaram os ministros “jornalistas” Franklin Martins e Miguel Jorge, executivos de grandes empresas, palestrantes internacionais e profissionais de comunicação.

O tema central do encontro foi “sustentabilidade” e acredito que nunca se falou tanto dela, a não ser nas conferências de clima nas quais o termo adquiriu notoriedade.

Não dá para ficar sem ela

A nuvem de fumaça de mais de 16 quilômetros de altura de um vulcão ativo na Islândia e o derrame até agora incontrolável de petróleo no Golfo do México são motivos suficientes para que a sustentabilidade esteja na ordem do dia. Mas o meio ambiente não é a sua única face, mesmo que logo associado a ela.

Das definições, fico com a que diz que para haver sustentabilidade, o desenvolvimento deve ser economicamente viável, socialmente justo, ecologicamente correto, culturalmente aceito. Ou seja, precisamos ser éticos.

No Brasil e no mundo, empresas já se movimentam nessa direção. Formadores de opinião e consumidores se mobilizam para fiscalizar compromissos éticos das organizações. Tudo parece novo, mas uma coisa é certa: não dá mais para abrir mão da sustentabilidade.

Uma nova forma de fazer negócios

Neste início de junho, David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), e Clarissa Lins, diretora-executiva da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), lançam o livro Sustentabilidade e Geração de Valor – a Transição para o século XXI (Campus-Elsevier).

A obra reúne artigos de empresários, gestores e acadêmicos de ampla experiência com o tema. Roger Agnelli, presidente da Vale, o economista Sérgio Besserman e Antônio Maciel Neto, presidente da Suzano Papel e Celulose, assinam respectivamente o prefácio, orelha e quarta-capa.

“Há uma percepção uníssona por parte dos autores de que a sustentabilidade é uma tendência no mundo dos negócios e uma agenda fundamental vinculada ao compromisso com as gerações futuras”, diz Zylbersztajn. “Nossa intenção é contribuir para a disseminação de boas práticas de gestão no País”, acrescenta Lins.

No primeiro capítulo, Israel Klabin, presidente da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, coloca em xeque o atual modelo econômico. Já o cientista político Sérgio Abranches avalia as vantagens competitivas das empresas que agirem rápido.

Celso Lemme, professor do Instituto COPPEAD de Administração, da UFRJ, trata da aparente resistência de grande parte das empresas em adotar a agenda da sustentabilidade. “Agências reguladoras e a responsabilidade socioambiental” é o tema de Jerson Kelman, presidente da Light.

Helder Queiroz Pinto Jr., professor do Instituto de Economia da UFRJ, escreve sobre a “Sustentabilidade na Indústria de Petróleo e Gás: o papel do Estado e das empresas”. Por sua vez, José Luiz Alquéres, ex-presidente da Light, assina o capítulo “A cultura empresarial de sustentabilidade no setor elétrico”.

Gesner Oliveira, presidente, e Marcelo Morgado, assessor de meio ambiente da presidência da Sabesp, abordam a experiência da empresa em sustentabilidade e estratégia empresarial.

No último capítulo, a jornalista Célia Rosemblum aponta desafios da imprensa em “O papel da mídia na promoção da sustentabilidade”.

O livro traz ainda um glossário de termos relativos à sustentabilidade.

* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.

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Lucila Cano é jornalista especializada em projetos editoriais, consultoria
empresarial e produção de textos sobre Responsabilidade Social e Ética.



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