Da Assessoria de Comunicação da UFMG
A partir deste mês de agosto, portadores de fenilcetonúria – doença genética cujo tratamento restringe a ingestão de um aminoácido chamado fenilalanina –terão nova ferramenta para melhorar sua alimentação e a adesão ao tratamento, evitando complicações como atraso no crescimento, convulsões e hiperatividade.
Norma publicada em abril pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que todos os sites e serviços de atendimento ao consumidor (SAC) das empresas produtoras de alimentos deverão informar a quantidade do aminoácido presente nos produtos. E essas informações serão reunidas no site da Anvisa.
“Essas informações serão essenciais para os nutricionistas elaborarem, com segurança, a dieta dos quase 1,5 mil brasileiros fenilcetonúricos”, afirma Maria Cecília Brito, diretora da Anvisa. Para a nutricionista Michelle Andrade, do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad) – órgão complementar da Faculdade de Medicina da UFMG, que faz o diagnóstico e acompanhamento dos fenilcetonúricos em Minas -, a medida permitirá que as pessoas tenham mais confiança no conteúdo de proteína e fenilalanina dos alimentos.
“Atualmente, restringimos muito o uso de produtos industrializados justamente por não podermos confiar na quantidade de proteína que está descrita nos rótulos. A medida pode permitir que essas pessoas diversifiquem mais o cardápio e fazer com que a adesão ao tratamento fique mais adequada”.
Redução de danos
Mãe de uma criança de três anos com fenilcetonúria, Danielle Ayoub destaca que a medida vai facilitar a vida das mães que, como ela, têm poucas opções na hora de alimentar o filho. “Temos muitas dificuldades, pois a dieta é bem restrita – meu filho come, basicamente, legumes, verduras, frutas, arroz e receitas preparadas com a farinha especial. Quando compro algo industrializado, fico insegura de dar para meu filho e prefiro esperar a consulta com a nutricionista para tirar essas dúvidas”, diz. “A nova medida vai ajudar bastante, pois, com as informações sobre a fenilalanina, teremos condições de avaliar o que a criança pode comer e em que quantidade”, concluiu Danielle Ayoub.
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