Rogério Ippoliti
Da Assessoria de Comunicação do MMA
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, participou nesta quarta-feira (4/8) do Colóquio Agricultura para o Novo Ciclo de Desenvolvimento, no auditório do Ministério do Planejamento. O debate, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), contou com a presença de outros ministros, conselheiros do CDES, convidados, palestrantes e debatedores. O objetivo maior do encontro foi aprofundar o diálogo social sobre a contribuição da agricultura e pecuária para o crescimento do País, buscando pontos de consenso a partir de diferentes visões e interesses. Tudo isso tendo como referencial a sustentabilidade econômica, ambiental e social.
“Minha posição aqui é olhando para o futuro. Temos de ter uma visão de médio e longos prazos para se ter uma agricultura sustentável. E toda a agenda governamental está baseada no uso sustentável dos recursos naturais”, afirmou Izabella Teixeira, no começo do discurso, durante a reunião. A ministra fez questão de ressalvar, no entanto, que o desenvolvimento deve se pautar numa nova abordagem de discussão, sem a polarização de posicionamentos. “Nada contra a construção de uma ferrovia para reduzir os custos de transporte na agricultura, desde que isso seja debatido no contexto integrado de um desenvolvimento sustentável, sem agredir o meio ambiente”.
Quem abriu as discussões foi o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Alexandre Padilha. Ele frisou a importância desse tipo de encontro para o desenvolvimento do Brasil. “Estamos tendo uma capacidade muito grande de construir consensos que, consequentemente, estão influenciando as decisões de governo”. O coordenador do colóquio, Clemente Ganz Lúcio, conselheiro do CDES e diretor-técnico do Dieese, argumentou que a identificação da desigualdade no País ainda é grande e há a necessidade de se continuar planejando estratégias voltadas também para a produção alimentar e de energia.
Todo o debate em torno da abordagem de aprofundamento do potencial da agricultura brasileira começou em 2006, quando o CDES apresentou ao presidente Lula a Agenda para o Novo Ciclo de Desenvolvimento (ANC). Dentre os desafios a serem enfrentados e que vão permitir a ampliação das dinâmicas apresentadas na ANC, é que se faz necessária a discussão do tema principal da reunião de hoje. “As discussões se debruçaram pouco na agricultura, mas a mudança veio com muita rapidez. Deixou de ser um tema atrasado para se tornar de grande importância”, reconheceu o ministro Wagner Rossi, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Wagner Rossi afirmou que não há agressão da agricultura e pecuária ao meio ambiente. “Ao contrário de sermos depredadores, somos preservadores”, sintetizou o ministro, exemplificando que, hoje, há estímulos específicos para quem recupera áreas degradadas ou para quem as mantém em condições sustentáveis de plantio ou de pecuária. A ministra Izabella Teixeira acrescentou que a recuperação de áreas degradadas precisa ganhar outro patamar no governo e na sociedade brasileira. “Não somos contrários ao desenvolvimento, mas temos de saber qual a escala de impacto desse crescimento no meio ambiente”.
A ministra ainda citou como pontos de discussão a vulnerabilidade climática, uma política agressiva contra os produtos agrotóxicos mais nocivos e a energia de biocombustíveis. Esta última, segunda Izabella Teixeira, “um eixo fundamental de desenvolvimento do Brasil”. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, utilizou um dado da FAO, órgão das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, para justificar a importância do colóquio de hoje. Nas próximas décadas, o mundo terá de produzir 70% a mais de alimentos. Segundo o ministro, só o Brasil e a África estariam prontos para esse desafio. “Por isso, estou absolutamente convencido de que a agricultura familiar é fundamental”, defendeu Cassel.
O Colóquio Agricultura para o Novo Ciclo de Desenvolvimento também tem a intenção de dar continuidade ao processo de preparação dos conselheiros do CDES para participar da Terceira Mesa Redonda da Sociedade Civil Brasil – União Europeia, que será realizada nos dias 9 e 10 de setembro deste ano, na Antuérpia, na Bélgica. Além disso, tem o objetivo de iniciar o debate sobre a Segurança Alimentar e Nutricional.
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