5 de setembro de 2010 14:21 

Mineiros conversam por videoconferência com sobreviventes do acidente aéreo dos Andes e parentes

Renata Giraldi
Agência Brasil

Os 33 mineiros soterrados a 700 metros de profundidade em uma mina no Chile completam neste domingo (5) um mês no local. Ontem (4) eles conversaram, por videoconferência, com parentes e com quatro sobreviventes de um dos piores acidentes aéreos da história da aviação. Em 1972, o avião que transportava um time de rúgbi uruguaio caiu na Cordilheira dos Andes. Do grupo, 16 sobreviveram e contaram ter comido carne humana dos colegas mortos para não passar fome.

As informações são da rede de televisão estatal do Chile, TVN, e das agências de notícias BBC Brasil e Telam, da Argentina. Na conversa com os mineiros, os quatro sobreviventes uruguaios transmitiram mensagens de esperança e apoio. Os uruguaios também conversaram com as famílias dos mineiros, que estão acampadas na área onde fica a Mina de San Jose, no Deserto do Atacama, onde ocorreu o acidente no mês passado.

“Do mesmo modo que conseguimos deixar a montanha e viver uma vida normal, eles [os mineiros] também vão sair e viverão vidas fantásticas”, disse Pedro Algorta, um dos sobreviventes do desastre aéreo. “Olhe para a gente, 38 anos depois da queda, os 16 que fomos resgatados continuamos vivos. É a prova de que o homem pode sobreviver às situações mais difíceis e eles vão sobreviver. O pior já passou”, completou Algorta.

Em 1972, o time de rúgbi do Uruguai se preparava para uma disputa no Chile. O grupo foi resgatado depois de 72 dias de espera. Doze dos 45 passageiros morreram na queda, e 17 morreram depois. Mesmo com neve e a 3 mil metros acima do nível do mar, 16 pessoas sobreviveram. O drama inspirou um livro e o filme Vivos, produzido em Hollywood.

“Eles lutaram para salvar suas vidas”, disse Maria Segovia, irmã do mineiro preso Dario Segovia. “Vê-los faz o meu coração feliz.” Houve choro e emoção por parte dos mineiros, que pela primeira vez se comunicaram ao vivo com as famílias, e também do lado dos parentes.

As autoridades afirmam que o resgate deve levar mais quatro meses. Os riscos de novos desabamentos e o fato de o terreno ser muito acidentados atrapalham as operações. Há três planos em curso para o trabalho de perfuração do solo. Uma equipe da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa) está no local.



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