Há uma empresa comercial brasileira que em vias de falência foi comprada, recentemente por um grupo empresarial ligado ao ramo de supermercados. Essa dita empresa, que possuía muitas lojas Brasil afora, tornou-se ao longo dos anos o terror dos telespectadores inteligentes ou portadores de alguma cultura. A propaganda é tão chata que me dei ao trabalho de escrever estas linhas por desabafo.
É possível que eu não seja um aficionado completo por TV, visto que só assisto jornais, algum filme interessante, futebol e documentários, especialmente, ecológicos. Mesmo assim, passo tempo suficiente diante da telinha para aborrecer-me com o despropósito de algumas propagandas. Antes que alguém, com justa razão, venha contestar-me, reconheço que sou um idoso abusado e intolerante. Contudo, neste caso não estou só. Houve uma vez até que alguns milhares de pessoas aproveitaram a presença de um “blog” na Internet (www.oidiotadas…) – editado por alguém que pensa como eu, em protesto contra o conteúdo desagradável veiculado nos comerciais – para descarregarem sua ira em detrimento daquela empresa.
O seu mau gosto publicitário, não é de agora. Vêm sendo rodados, ao longo dos anos, milhares de comerciais exibindo artistas dos mais variados perfis, sempre com ar debochado e antipático, deixando um convite às compras que, nas entrelinhas, considera os telespectadores como se fossem pessoas sem discernimento ou incapazes de interpretar a destinação da zombaria.
Os vídeos me parecem fora de propósito. Como pode alguém querer que o público dê preferência, na compra de eletrodomésticos e outros bens, a uma empresa que trata a todos como se fossem imbecis? A grosseria me parece um contrasenso. Além disso, muitos dos comerciais apresentados exibem pessoas a falar – em voz alta, quase a gritar e apressadamente, com rostos zombeteiros e sorrisos falsos – sobre algumas mercadorias supostamente à venda com preços baixos. Como não sou do ramo, fico a interpretar a mensagem da minha maneira. Eu acho que eles pensam estarem aborrecendo uma minoria enquanto agradam a uma massa muito maior. Nesse contexto, o fato da publicidade ser desagradável soma pontos, porque segundo eles, deixa uma marca forte, inesquecível, seja boa ou má, que nunca passa despercebida ao público, entretanto.
Por mim, essa forma enviesada e de mau gosto, pode até agradar à massa ignara, mas decerto há de afastar definitivamente as pessoas de bom gosto, aquelas que se enquadram na descrição que fiz acima. De minha parte, (os que me ocorrem nesse momento) prefiro os vídeos inteligentes e criativos da Varig (antigos), da Ford, dos Correios/Sedex, alguns das Sandálias Havaianas, um recente de uma empresa de comunicação e mais para trás, a propaganda inesquecível da SOTAVE – uma empresa de fertilizantes que já não existe mais…
De volta a essa empresa antipática de que estou a comentar, que pelo simples fato de ter sido adquirida por outra, já passa a idéia de encontrar-se em estado de falência, tem sido nos últimos anos, como se diz popularmente, uma mãe para as diversas redes de TVs brasileiras, oferecendo seu patrocínio aos programas televisivos, na maioria dos estados de nosso País, inclusive em alguns onde ela sequer possui filiais. A veiculação maciça de sua publicidade é tão insistente que, para mim e outras pessoas, só resta o recurso do dispositivo de controle remoto do televisor a fim de mudar de canal; com o risco de esse ato muitas vezes deixar-nos sem assistir parte do programa em exibição, quando erramos no cálculo de tempo da veiculação ou mesmo devido a esquecimento momentâneo, se o assunto da nova TV nos agrada.
Não é meu propósito criar desconforto para ninguém, mas eu soube que uma TV de grande popularidade, neste País, vem de baixar intencionalmente, o nível cultural de suas novelas para melhorar o nível de audiência. Será que é verdade?…
Bem, não estou certo se a informação é verídica. No entanto, o que tenho visto nas novelas – em algum momento que me acho impossibilitado de sair do recinto, como na ante-sala de um médico, dentista, advogado, restaurante, enfim qualquer lugar em que não tenha liberdade para usar o controle remoto – leva-me a crer estarem os conteúdos dirigidos a alguém incapaz de raciocinar minimamente, tal a mediocridade do texto.
Não me conformo com esta situação porque percebo que o teor medíocre está-se tornando referência na Mídia, dado o número crescente de patrocinadores que se encontram a imitar a dita forma de propagação. A coisa tomou conta do Brasil como se fosse uma pandemia, deixando-nos atordoados e entristecidos.
Por isso, cabe a pergunta: Será que mediocridade pega?
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José Luiz Argolo é alagoano, ex-conselheiro do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, fundador e presidente da SAMAN – Sociedade Ambientalista Mãe Natureza. É formado em Letras (CESMAC) e tem especialização em Solos e Meio-Ambiente (UFLA – Lavras/MG).
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