RESPONSABILIDADE SOCIAL E ÉTICA

LUCILA CANO*
lcano@terra.com.br

2 de julho de 2010 0:01 

Mais de 900 livros em um ano

Desconheço se há uma editora que coloque nas livrarias número tão elevado de obras em um ano. Se fossem exatos 900 títulos, teríamos 75 por mês e 2,5 livros por dia. Pois essa foi a façanha da Fundação Dorina Nowill para Cegos no ano de 2009: a produção de mais de 900 livros em braile, falados, ou na versão digital acessível.

Segundo a fundação, essas obras são distribuídas gratuitamente para mais de 1.300 escolas, associações, bibliotecas e organizações em todo o País. Elas beneficiam mais de 40 mil deficientes visuais, além de estarem disponíveis no próprio endereço da instituição na cidade de São Paulo.

A Fundação Dorina Nowill é uma referência na produção de livros didáticos, literatura em geral e obras que se tornaram best-sellers. Possui a maior imprensa braile da América Latina, com capacidade para impressão de mais de 45 milhões de páginas braile ao ano.

Mas, dinâmica como a sua fundadora, a instituição não se limita aos livros. Produz cardápios, partituras musicais, catálogos, cartões de visita, manuais, calendários e diversos outros impressos para empresas e a comunidade.

Acesso garantido à leitura

Aos 64 anos, a fundação oferece programas gratuitos de atendimento especializado ao deficiente visual e sua família. Cerca de 20 mil atendimentos são realizados anualmente nas áreas de avaliação e diagnóstico, clínica de baixa visão, educação especial, reabilitação integral, orientação psicológica, fisioterapia e colocação profissional.

O acesso garantido à reabilitação, à literatura, ao estudo e ao entretenimento é questão primordial para o desenvolvimento pessoal do deficiente visual. Assim é que estudantes cegos de todo o Brasil estudam, com os livros produzidos na Fundação Dorina Nowill.

A fundação também oferece o serviço gratuito da Biblioteca Circulante do Livro Falado, com um acervo de cerca de 860 títulos em áudio, que contemplam desde clássicos da literatura brasileira até diversos best-sellers internacionais.

Para universitários e profissionais liberais com deficiência visual há o Livro Digital Acessível (Lida), estruturado para facilitar o estudo e a pesquisa. Além do texto em áudio, é possível visualizar o conteúdo do livro em até cinco níveis de ampliação na tela.

O Lida oferece recursos como tutorial e mecanismos de busca por palavras ou frase, notas de rodapé, marcadores de texto, soletração, leitura integral de abreviaturas e sinais, pronúncia de palavras estrangeiras.

Nessa modalidade de acesso é possível consultar livros de Direito, Psicologia, Pedagogia, Filosofia, obras de referência e dicionários.

Uma empreendedora e parceiros de visão

Nascida em 1919, Dorina Nowill ficou cega aos 17 anos, por causa de uma patologia ocular. Foi a primeira aluna cega a matricular-se em uma escola comum. Na época, os estudantes com deficiência visual ficavam à margem dos estudos pela falta de livros em braile.

Por isso, em 1946, Dorina e amigas criaram a Fundação para o Livro do Cego no Brasil. Em 1991, em justa homenagem ao seu trabalho, a Fundação recebeu o nome de Dorina Nowill.

Essa incansável senhora, hoje Presidente Emérita e Vitalícia da fundação, é responsável por muitas vitórias dos deficientes visuais no País, como o direito do cego à educação regulamentado em lei.

Obra de uma empreendedora, a fundação credita o seu êxito ao apoio de patrocinadores, parceiros, apoiadores, voluntários e colaboradores. Em 30 de junho, pela 11ª. vez, realizou o evento Parceiros de Visão no Espaço Sociocultural do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) em São Paulo.

Entre os homenageados, Bradesco, Mercedes Benz do Brasil, A.W.Faber Castell, Banco Safra, Empresas Rodobens, Cielo, CIEE, Gerdau, Deutsche Bank e Fundação Itaú Social receberam placas com escrita em tinta e em braile, em agradecimento ao compromisso dessas empresas com a inclusão de pessoas com deficiência visual no Brasil.

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* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.

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Lucila Cano é jornalista especializada em projetos editoriais, consultoria
empresarial e produção de textos sobre Responsabilidade Social e Ética.



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