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14 de abril de 2009 17:36 

Líquido tóxico é decreto de morte da várzea do rio, diz ambientalista

VINICIUS BOREKI
GAZETA DO POVO
14/04/2009

Boa parte do chorume do Aterro da Caximba fica estacionada nas cavas do Iguaçu, antes de atingir o rio. As cavas integram o ecossistema da várzea, considerado “o berçário da vida”. “Pode ser comparado com o mangue no litoral”, explica a presidente da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar), Lídia Lucaski. “Tem água, umidade e alimento. Em um metro quadrado encontra-se grande variedade de vida”.

As cavas são Áreas de Preservação Permanente (APP), conforme o Código Florestal de 1965, mas são usadas como parte do processo de tratamento do chorume. Para Lídia, isso é ilegal. “É a proteção do rio. Não se pode construir nada ou usar para outras funções”, diz. De acordo com os laudos da Secretaria do Meio Ambiente da capital, os índices de toxicidade do chorume nas cavas estão dentro da normalidade e, por esse motivo, não afetariam as condições de vida no local.
Escuridão nas cavas

O contraste de cor e odor, entretanto, é nítido entre as cavas. Nas atingidas pelo chorume é quase impossível observar peixes e outras formas de vida. Enquanto que nas cavas “normais” os moradores da Caximba pescam para consumo próprio e pequenas aves são encontradas nas margens. “Resumindo: não há vida com o chorume. Onde alcança, acaba com a vegetação e a vida aquática”, afirma a ambientalista. “Lançar o líquido dessa maneira é inadmissível. Lembrando que o Rio Iguaçu abastece a cidade de União da Vitória. Ou seja, o chorume diluído está na água dos nossos irmãos ao sul”, reclama Lídia.

A prefeitura argumenta que não há indícios de elementos tóxicos na água que representem a possibilidade de contaminação. “Fazemos um controle rígido e não encontramos nada que possa gerar problemas. Essas análises vão permanecer por pelo menos 30 anos depois que o aterro for fechado”, afirma Marilza Oliveira Dias, coordenadora de resíduos sólidos da Secretaria de Meio Ambiente.



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