Um bando que organizava safáris para caçadas ilegais de onças pintadas, pardas e pretas, foi apanhado na semana passada. Eles cobravam até US$ 1.500 dólares por pessoa, para caçadores do Brasil e estrangeiros terem o prazer sádico e incompreensível de matar e esfolar os animais. As caçadas ocorriam em fazendas no Pantanal, na Amazônia e dentro do Parque Nacional do Iguaçu (PR).
Eram procurados desde 2008, depois de uma denúncia de uma Ong defensora dos felinos que notificou o sumiço de animais monitorados. Após as denúncias, a investigação teve início.
Integrantes do grupo fingiam-se de protetores, de ex-caçadores convertidos na causa ambiental e conseguiram até a simpatia do Ibama dizendo-se preservadores da espécie. Homens pérfidos que agiam sorrateira e traiçoeiramente, portando seus rifles malditos, adentrando nas matas e ceifando a vida de inocentes criaturas selvagens dentro do seu próprio habitat.
O chefe da quadrilha que organizava safáris para caçar onças no Pantanal, o dentista e professor universitário Eliseu Augusto Sicoli (Cascavel-PR), terminava doutorado na área odontológica na Unicamp. Outro que mantinha atividades como agenciador de safáris ilegais era Antonio Teodoro de Melo, o Tonho da Onça, que foi caçador desde a infância e gabava-se do número de felinos abatidos sob sua mira certeira, cerca de 600. Além de Eliseu e do filho de Tonho da Onça, um açougueiro e um chacareiro foram presos na cidade de Miranda, mas os nomes não foram divulgados.
Fico a me perguntar, que prazer há em matar por matar, apenas para ver um animal majestoso como a onça, ferido mortalmente, agonizar e cair inerte. E também não compreendo esse ritual macabro de arrancar a pele da vítima para transformá-la num troféu de gosto duvidoso pendurado em alguma parede. Depois de um tempo, enche-se de traças, bolor e fungos. A pelagem dos bichos só é linda neles. Depois que morrem, vira apenas um tufo de pelos sem vida.
Por que ceifar vidas tão preciosas sem finalidade alguma? Por que essa sede de sangue e de morte que sentem alguns seres humanos?
A onça pintada ainda não está na lista oficial dos animais em extinção, mas quase. Nesse ritmo acelerado de matança, levará pouco tempo para que isso aconteça.
Criadores de gado das regiões onde existem onças, frequentemente as envenenam ou caçam com a desculpa de proteger seu plantel. Mas o que acontece, é que com a expansão da pecuária, os desmatamentos para criação intensiva de bois aumentam assustadoramente. O território dos animais selvagens vai ficando cada vez mais restrito. E as poucas onças que restam, para sobreviverem, acabam invadindo as fazendas e sendo mortas pelos pecuaristas.
As peles dessas criaturas têm alto preço, mas suas vidas, nada valem.
Espera-se que a lei seja rigorosamente cumprida e esses predadores humanos sejam punidos exemplarmente.
Inúmeras vezes o bicho-homem mostra-se selvagem e cruel, chegando a ser mais feroz do que a própria fera.
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Ivana Maria França de Negri é escritora, colunista fixa de vários jornais e integrante, há 10 anos, da SPPA – Sociedade Piracicabana de Proteção aos Animais.
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