LEONARDO GOY
AGÊNCIA ESTADO
03/02/2010 – 12:23
O presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e bispo da Prelazia do Xingu, dom Erwin Kräutler, disse hoje temer que a obra da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), seja “um desastre irreversível e irrecuperável”. Ao sair de audiência com o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Messias, que liberou a licença prévia do projeto na segunda-feira, Kräutler afirmou que, “sem dúvidas”, o Cimi e as comunidades representadas vão recorrer à Justiça para revogar a licença.
Dom Erwin não previu quando isso vai acontecer, mas afirmou que a ação deverá ser movida juntamente com o Ministério Público. O religioso também acredita que, devido à oposição que as comunidades indígenas fazem ao projeto, é possível que haja protestos contra a obra na região do Xingu. “Espero que não haja uma reação violenta. Sou contra isso”, disse.
Dom Erwin, que lamentou que a conversa com Messias tenha ocorrido apenas após a emissão da licença, foi categórico ao dizer que discorda, até hoje, da obra. Segundo ele, ainda não foram feitos estudos suficientes sobre o impacto tanto do fluxo migratório para a região quanto das terras que serão alagadas. “Um terço de Altamira (PA) vai para o fundo. E o setor técnico ainda não mostrou uma solução. Não há detalhes”, disse.
O presidente do Ibama, que acompanhou Dom Erwin na entrevista à imprensa, ressaltou que, entre as exigências listadas no licenciamento estão obras para melhorar a infraestrutura urbana de Altamira, preparando a cidade para o fluxo migratório. Ao ser questionado sobre a possibilidade de ações contra a licença, Messias afirmou que tem grande respeito pelo Ministério Público e pelos atores sociais envolvidos no debate. Ele disse que o Ibama quer que todos os caminhos para o diálogo sejam utilizados. “O Ibama foi muito rigoroso nas condicionantes para termos o máximo de benefícios e o mínimo de custo”, afirmou. Messias também reiterou que o diálogo com o Ibama estará sempre aberto, inclusive por orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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