Alex Rodrigues
Agência Brasil
Pouco mais de 15 meses após assinar convênio com o Hospital Sírio-Libanês e lançar o Projeto Ciclotron, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) se tornou hoje (19) a primeira instituição hospitalar pública do país a produzir as substâncias necessárias para fazer exames capazes de diagnosticar cânceres, ainda que em estágio inicial.
O primeiro lote de radiofármacos foi preparado esta manhã, no próprio Hospital das Clínicas, e levado ao Hospital Sírio-Libanês, onde foi aplicado em três pacientes que, na sequência, passaram por uma tomografia por emissão de pósitrons (PET/CT), um dos mais modernos métodos de detecção de tumores de mama, de pulmão, colon, linfomas e melanomas malignos, além de alguns exames neurológicos e cardiológicos.
Segundo o diretor do Serviço de Medicina Nuclear do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas, Carlos Buchpiguel, os R$ 17,6 milhões investidos no Projeto Ciclotron pela Secretaria Estadual de Saúde e pelos dois hospitais paulistas é uma iniciativa pioneira que permitirá ao país avançar nas pesquisas e no desenvolvimento de novos compostos e produtos para o setor.
“Produziremos a quantidade necessária para suportar toda a demanda interna e eventualmente parte da demanda externa da capital paulista. É difícil quantificar, mas imaginando a população com câncer da cidade, podemos dizer que atenderemos a todos os pacientes do Complexo HC quanto de fora”, afirmou Buchpiguel. O médico ressaltou que o projeto permitirá também uma grande economia porque o hospital só vai arcar com os custos de produção.
De acordo com a médica do Serviço de Medicina Nuclear do Sírio-Libanês, Elba Etchebehere, o hospital particular realiza os exames desde 2004 e o radiofármaco era comprado do Ipen paulista. Segundo ela, a dose de fluordexoxiglicose necessária para a realização da tomografia (cerca de dez miliquirri) custa, em média, R$ 1 mil. Um valor alto já que o custo final do exame, para os pacientes, gira em torno dos R$ 3 mil. O preço pelo qual o medicamento será comercializado pelo Hospital das Clínicas ainda não foi definido.
“Com maior produção, vamos conseguir popularizar e ampliar a pesquisa, o que acabará beneficiando os pacientes de todo o Brasil”, disse Elba. Ele também chamou a atenção para outro aspecto: como o tempo de validade da substância é extremamente curto (cerca de 110 minutos segundo a Cnen), o medicamento tem que ser entregue logo após ser fabricado, o que exige laboratórios espalhado por todo o país.
Atualmente, no Brasil, a substância – o fluordexoxiglicose – só é produzida por cinco instituições: o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), de Belo Horizonte (MG); o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) do Rio de Janeiro e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), de São Paulo, além de duas empresas privadas, uma de Porto Alegre (RS) e outra de Brasília (DF).
Além disso, na semana passada a Coordenação Geral de Instalações Médicas e Industriais da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) autorizou uma terceira empresa a iniciar a produção do radiofármaco. Segundo a coordenadora-geral de Instalações Médicas e Industriais da CNEN, Maria Helena Marechal, a comissão analisa inúmeros outros pedidos de laboratórios privados interessados em fabricar o medicamento.
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