
A década de 60 marcou o início de um movimento de volta à natureza, que começou nos EUA, mas se espalhou de forma um tanto rápida por outros países, mesmo sem termos as facilidades da internet na época.
Os famosos hippies e “bichos-grilos”, incentivados por talentos musicais como os Beatles e até por eventos como o festival de Woodstock (entre 15 e 18 de agosto de 1969, nos EUA), inflaram uma onda que levou pessoas em diversas partes do mundo a criarem comunidades com um estilo de vida mais natural, o que não era bem verdade por causa do consumo de drogas.
Depois essa onda arrefeceu porque o mundo mudou muito e no final do século XX, já em decorrência de preocupações mais sérias com o meio ambiente, ressurgiu com uma mudança radical: as drogas deram lugar aos cuidados com alimentos sem agrotóxicos, reciclagem, combate ao efeito-estufa etc.
Ou seja, no lugar de “bichos-grilos”, pessoas com bom nível cultural e até mesmo financeiro passaram a buscar alternativas de vida que resultassem num mundo menos poluído, mais natural e saudável.
“Viver em harmonia, trabalhando de forma comunitária, cuidando de todo o ambiente à sua volta e produzindo sua comida e energia, sem poluir, é um sonho antigo de boa parcela da humanidade. Já antevendo a crise socioambiental em que mergulharíamos, iniciativas surgiram no mundo todo nas últimas décadas tentando tornar realidade esse sonho. Sob designações como comunidade alternativa, comunidade sustentável ou ecovila, já são mais de 15 mil em todo o mundo e têm servido como laboratórios vivos do futuro que queremos alcançar”.
Esse texto do boletim Ethos (15/4/09) mostra que agora temos um movimento longe do romantismo e certa ingenuidade iniciais, mas que se alicerçou na realidade do mercado e se transformou num negócio.
Segundo declarações de Marcelo Ribeiro, integrante da ecovila Terra Una, de Minas Gerais, ao boletim do Ethos, “as ecovilas ou comunidades são centros de aprendizado e de transformação. Ali, se experimentam soluções que depois podem ser levadas para as cidades”. “Ele destaca, ainda, que essas experiências não se restringem a áreas isoladas dos grandes centros urbanos, mas já se mesclam a eles, como fazem a Casa dos Hólons e a Morada da Floresta, ambas na cidade de São Paulo”, completa o informativo.
Em 1962, três pessoas dentro de um trailer estacionado numa área degradada no norte da Escócia começaram o Findhorn, um dos experimentos mais antigos nesse campo. E foi ali que surgiu, em 1995, o termo “ecovila”.
Hoje, Findhorn reúne mais de 500 pessoas e 30 empreendimentos diferentes, todos empenhados em restaurar o equilíbrio da vida na Terra. O entorno tem jardins, hortas orgânicas e uma floresta em restauração. Eles usam apenas energia eólica e toda a água utilizada é tratada e devolvida limpa ao meio ambiente. Findhorn tem até uma moeda própria, o ekos.
O Brasil é um exemplo de que o futuro sustentável deixou de ser um sonho para se transformar em negócio. Em abril, o Banco Real, que agora faz parte do Santander, lançou um curso on-line sobre sustentabilidade. A iniciativa dá continuidade às ações do Espaço Banco Real de Práticas em Sustentabilidade, que tem como objetivo disseminar o tema e compartilhar com a sociedade a experiência acumulada pela instituição desde 2000.
O curso é aberto a qualquer pessoa e tem o formato de filme, dividido em três capítulos, cada um com cerca de 6 minutos. Para os participantes que queiram se aprofundar nos temas abordados e receber um certificado ao final, cada filme é complementado por textos, além de testes com perguntas e respostas.
* Com Lucila Cano.
Engel Paschoal (engelpaschoal@uol.com.br) é jornalista e dá cursos e palestras sobre responsabilidade social.
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