VISÃO NORDESTINA

JOSÉ LUIZ MALTA ARGOLO
jlargolo@yahoo.com.br

1 de janeiro de 2010 17:54 

Feliz 2010, se for possível!

Estou a vivenciar os estertores de 2009 com nenhum entusiasmo a mais para 2010, exceto o de torcer a fim de que algum milagre aconteça.

Quando penso em milagre, refiro-me àquele que porventura está intimamente ligado à questão ambiental, no Planeta: uma mudança no comportamento do ser humano.

A história passada e presente, contudo, não permitem ilusões otimistas. A meu ver esse estouro da boiada não tem mais controle, a não ser por um milagre, repito.

Ontem, assisti ao filme “Na Montanha dos Gorilas”, onde a primatologista Dian Fossey deu sua vida para salvar alguns primatas ameaçados de extinção. A película que nos leva às montanhas de Ruanda, no continente africano, exibe a saga de uma ecologista e sua luta obstinada contra forças deletérias de seres humanos insensíveis.

A fita comoveu-me. Em dado momento, quando Dian (Sigourney Weaver) encena o chute no tamborete que supostamente levaria ao enforcamento do assassino do gorila “Digit” e, ante aos protestos de integrantes da sua própria equipe que a consideraram psicologicamente desequilibrada, senti como se eu mesmo estivesse ali, no lugar dela, quando defendo com unhas e dentes as minhas amendoeiras. O destemor daquela mulher diante de pessoas, fisicamente, bem mais fortes e desprovidas de escrúpulos, leva-me a associar algumas atitudes que tomei em determinadas ocasiões, as quais depois de ocorridas trouxeram-me calafrios, pois que sou pacato por natureza e incapaz de qualquer intrepidez. Estou mais para cordeiro do que para leão. No entanto, há um instante supremo, onde o sangue ferve nas veias e não se consegue controlar o impulso e é esse ato desatinado que determina, talvez, a vida ou a morte. Um momento assim, onde a insensatez nos domina, não se dá de uma hora para outra, sem mais nem menos, mas é o resultado de um acúmulo de injustiças que são praticadas contra algo que nós amamos e de nossa impotência em resistirmos a essas iniqüidades; daí vem a superação de nossos próprios limites e uma força que toma conta do nosso ser e nos impele para frente, como se fosse a última chance de resolver tudo de uma só vez.

Mas, voltemos ao milagre, porque só um milagre pode fazer o homem e a mulher respeitarem as florestas, os oceanos, os rios, os objetos naturais e o meio ambiente inteiro. Essa conversão parece-nos improvável já que implicaria na desconstrução do atual paradigma civilizatório que vem orientando a nossa sociedade há muito tempo. De qualquer forma, é bom lembrar aquele provérbio antigo: a esperança é a última que morre! Do mesmo modo que o capitalismo balançou nos alicerces o ano passado, destacando uma crise sem precedentes na história da humanidade, ele pode de repente ruir e com isso forçar a transição do atual sistema econômico para uma economia diferente, integrada de maneira sustentável com os princípios da natureza.

Daqui a pouco vem um novo ano e eu, assim como você e todas as pessoas, estaremos a augurar um – Feliz 2010, se for possível!

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José Luiz Argolo é alagoano, ex-conselheiro do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, fundador e presidente da SAMAN – Sociedade Ambientalista Mãe Natureza. É formado em Letras (CESMAC) e tem especialização em Solos e Meio-Ambiente (UFLA – Lavras/MG).



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