PELA VIDA

ZULEICA NYCZ
zu.terra@terra.com.br

18 de outubro de 2009 20:03 

Endosulfan deve ser banido globalmente

Após um debate efervescente ocorrido na semana passada em Genebra, um painel internacional de cientistas concluiu que o pesticida endosulfan exige uma ação global para impedir mais danos à saúde humana e ao meio ambiente.[1] A Decisão, que foi tomada pelo Comitê de Revisão da Convenção de Estocolmo sobre POPs (POPRC), estabelece o estágio para o banimento global da substância química segundo o tratado. O painel reconheceu que o endosulfan é persistente no meio ambiente, é transportado pela atmosfera para regiões polares onde se bioacumula na cadeia alimentar, e é de alta toxicidade, o que significa uma ameaça aos seres humanos e à vida selvagem.

“O endosulfan é venenoso e indefensável. Esta decisão coloca o mundo de sobreaviso de que a produção e o uso do endosulfan devem parar,” “disse a Dra. Meriel Watts, da Rede de Ação contra os Pesticidas. “Pelo bem da proteção de seu próprio povo e da saúde do planeta, China, Índia, Israel e Coréia do Sul precisam parar de produzir este veneno.”

A Índia é maior produtor mundial de endosulfan, sendo que a mais importante fábrica do país pertence ao próprio governo. Um dos piores acidentes do mundo aconteceu justamente em Kerala, sul da Índia, quando a fumigação de endosulfan sobre plantações de castanha de caju causou centenas de mortes e doenças crônicas, inclusive nascimentos de bebês defeituosos em vilarejos próximos.

“O endosulfan não só mata as pessoas, mas também contamina o nosso meio ambiente, a nossa vida selvagem, o leite materno, as placentas das mulheres e até mesmo os nossos recém-nascidos. Está claro que o tempo de vida deste pesticida antigo, ultrapassado e perigoso já acabou,” disse a Dra. Lloyd-Smith, Co-Presidente da International POPs Elimination Network (IPEN).

Durante a reunião, o membro da Índia no Comitê POPRC tentou atrasar e bloquear a decisão. Nos momentos finais, a Índia recusou-se a concordar com uma decisão de consenso e forçou a votação. No entanto, a Índia foi o único país a votar contra a proposta de prosseguir a avaliação. Antes da reunião a Rede de Ação contra os Pesticidas (PAN) e a International POPS Elimination Network (IPEN) expressaram sua preocupação sobre a permissão a um país como a Índia, com um claro conflito de interesse, de participar na tomada de decisão.

O endosulfan se move rapidamente para regiões mais frias, contaminando o Ártico. “Esta decisão é especialmente crítica para a proteção da saúde dos povos indígenas do Ártico que estão expostos ao endosulfan através de sua alimentação tradicional, tais como peixes, mamíferos marinhos e ovos de aves marinhas. Uma vez que os níveis de endosulfan não estão diminuindo no Ártico e provavelmente ainda vão aumentar, esta decisão é de longe a mais necessária e urgente”, disse Pam Miller, bióloga e Diretora Executiva da Ação Comunitária do Alasca Contra as Substâncias Tóxicas.

———-

[1] O texto da decisão declara que, “… o endosulfan … provavelmente, como resultado do longo alcance de transporte ambiental, está conectado a significativos efeitos adversos à saúde humana e ao meio ambiente, de modo que uma ação global é justificada”
————

Grupos entregam ao governo japonês uma Declaração Conjunta da Sociedade Civil exigindo o Banimento das Exportações de Mercúrio

Grupos civis japoneses apresentaram ao governo japonês uma petição intitulada “Sancione a Lei do Banimento das Exportações de Mercúrio”, exigindo que o governo do recém eleito Primeiro Ministro Yukio Hatoyama pare o comércio japonês do mercúrio, um elemento tóxico. A petição foi assinada por 114 organizações da sociedade civil de todo o mundo que estão preocupadas com a piora da poluição por mercúrio. A petição também foi enviada ao Sr. Katsuya Okada, Ministro das Relações Exteriores e Sr. Sakihito Ozawa, Ministro do Meio Ambiente.

“Japão já sofreu o desastre de Minamata décadas atrás. O Japão conhece muito bem as implicações do uso e da poluição descontrolada de mercúrio. Mas nossas políticas atuais mostram que não aprendemos nada deste acidente horrível”, disse o Sr. Takeshi Yasuma da organização Cidadãos contra a Poluição Química, um dos grupos que liderou a iniciativa da petição. “Nunca mais Minamata.”

Na 25ª Sessão do Conselho Administrativo do PNUMA em Nairobi, em fevereiro de 2009, os governos decidiram unanimemente iniciar negociações sobre um tratado internacional legalmente vinculado sobre o mercúrio para lidar com as emissões e liberações mundiais de mercúrio, que ameaça a saúde de milhares de pessoas, desde fetos e bebês até mineradores de pequena escala e suas famílias.

No outono de 2008, a União Européia e os Estados Unidos decretaram o banimento das exportações de mercúrio e adotaram medidas para promover o armazenamento do excesso de mercúrio. A mudança foi feita para parar o uso do mercúrio, uma vez que é usado em práticas ambientalmente insustentáveis, tal como a mineração artesanal.

O Japão, por outro lado, continua a exportar 100 toneladas métricas de mercúrio por ano, principalmente derivado de fundições de metais não ferrosos e reciclagem de resíduos contendo mercúrio. Os dados comerciais mostram que o Japão vem exportando para Hong Kong e Holanda, dois importantes portos comerciais. É provável que os exportadores japoneses não tenham controle do que acontece com o mercúrio depois que é vendido.

Nesse sentido, a petição conjunta da sociedade civil exige que o governo japonês tome as seguintes medidas imediatamente:

1. Sancione a Lei de Banimento das Exportações de Mercúrio.
2. Armazene em local seguro todo o excedente de mercúrio do Japão.
3. Mostre liderança na realização do Tratado Internacional do Mercúrio e aumente os esforços para criar capacidade de armazenamento de mercúrio na Ásia e na Parceria Global do Mercúrio.

A declaração foi assinada por 54 entidades japonesas e 60 do resto do mundo, incluindo aquelas que trabalham com as questões de poluição química, biodiversidade, saúde pública, doenças de Minamata, direitos humanos, pobreza, trabalho, consumo, etc.

“Estamos certos de que o banimento das exportações de mercúrio no Japão em consonância com a União Européia e Estados Unidos terá um grande impacto sobre a redução mundial de mercúrio, e certamente irá contribuir para acelerar a promoção de um efetivo tratado internacional para o mercúrio a ser estabelecido pelo PNUMA no futuro próximo”, explicou Richard Gutierrez, Diretor Executivo da Ban Toxics, uma das entidades que assinou a petição.

Produtos eletrônicos sem clorados e bromados

Duas organizações civis Chem Sec e Clean Production Action acabam de lançar um relatório sobre as companhias que lideram a indústria eletrônica na retirada de substâncias químicas que causam problemas de saúde e de meio ambiente. O relatório identifica sete companhias (Apple, Sony Ericsson, Segate, DSM Engineering Plastics, Nan Ya e Silicon Storage) que encontraram soluções ambientais de engenharia que dispensam a necessidade da maior parte, e em alguns casos, até mesmo de todos os usos de bromados e clorados.

Segundo Alexandra McPherson, diretora de projeto da CPA, essas sete empresas conseguiram demonstrar que existem alternativas menos perigosas às substâncias tóxicas e com custo acessível, sem comprometer o desempenho nem a confiabilidade de seus produtos. São empresas bem posicionadas para ganhar competitividade em um mercado sensível ao uso de substâncias tóxicas em produtos de consumo.

Governo do Canadá se preocupa com a saúde de seus cidadãos

Governo canadense publica lista de ingredientes proibidos em cosméticos

A lista de setembro de 2009 substitui a versão de março de 2007, e contém várias modificações. A maior parte são esclarecimentos e novos 5 registros:

• Adesivos baseados em cianocrilato. Este ingrediente foi adicionado como uma restrição devido às questões de segurança em produtos com propriedades de aglutinação rápida da pele.

• Dietileno glicol (DEG) (111-46.6). Este ingrediente foi adicionado como uma restrição devido a sua toxicidade.

• Dietilhexil ftalato (DEHP) (117-81-7). Este ingrediente foi adicionado como uma proibição que reflete a declaração de “tóxico” segundo a Lei de Proteção Ambiental do Canadá, por questões de saúde.

• Glicerina (56-81-5). Este ingrediente foi adicionado como uma restrição devido à possível contaminação de dietileno glicol (DEG) em glicerina.

• 1-Naftol (90-15-3), e seus sais. Este ingrediente foi adicionado como uma restrição devido ao risco de sensibilização.

O departamento de saúde do Canadá decidiu desenvolver a lista de proibições de substâncias que estão restritas e proibidas em cosméticos para auxiliar os fabricantes de cosméticos a cumprirem os requisitos de comercialização desses produtos. A lista é revisada e atualizada algumas vezes por ano à medida que novas informações vão surgindo.

Acesse a lista canadense em inglês:

http://www.premiumbeautynews.com/IMG/pdf/hotlist-liste-eng.pdf

Envenenamento por chumbo na China

121 crianças chinesas têm alto nível de chumbo, e fábrica de baterias terá que fechar

Testes de sangue mostraram que no mínimo 121 crianças que vivem perto de uma fábrica de baterias no leste da China estão sofrendo de envenenamento por chumbo.

287 crianças com menos de 14 anos foram testadas e 121 delas apresentaram níveis excessivos de chumbo no sangue. O governo disse que está fazendo uma investigação. Esse é um dos muitos escândalos que têm vindo à tona na China nos quais as crianças aparecem como as principais vítimas. O partido governista está preocupado com os protestos em massa que ameaçam a estabilidade social do país e já mandou fechar a fábrica de baterias há cerca de 10 dias depois que soube da notícia. “Espero que a fábrica seja fechada para sempre”, disse uma mulher que mora a 500 metros do local, cujo filho de 11 anos de idade está contaminado com chumbo. “Estou muito preocupada com meu filho e espero que o governo tenha um plano para ajudar as crianças a se livrarem do chumbo em seu sangue”, disse.

O envenenamento por chumbo pode causar danos nos sistemas nervosos e reprodutivos, pressão alta e perda de memória, entre outros sintomas.

O controle de substâncias químicas perigosas é um problema crônico na China onde oficinas e fábricas vêm se espalhando por todo o país. Funcionários do governo geralmente têm mais interesse em proteger as atividades comerciais do que conscientizar o público sobre segurança. Décadas de industrialização descontrolada do ponto de vista ambiental e da saúde pública e sem punição das autoridades têm produzido muitas áreas contaminadas com disposição inadequada de resíduos tóxicos, e

Read more at: http://www.huffingtonpost.com/2009/09/27/china-lead-poisonings-121_n_301040.html



Indique esta Mteria a um amigo

Não há matéria relacionada.



Pela vida

Todas as colunas


Amarnatureza.org.br - Jornal da Associação de Defesa do Meio Ambiente Araucária
Copyright © 2009