Todo o ano, quando se aproxima a semana do meio-ambiente, aqui em Maceió, aparecem os supostos ecologistas para ocupar o noticiário da Imprensa local. Assim como o tema, os entrevistados são quase sempre os mesmos. Há um militar que organiza turma de garotos, supostamente chamados de escoteiros florestais, que saem a plantar, na frente das câmeras, mudas de árvores. O atual Secretário Municipal de Meio-Ambiente de Maceió, dono de uma “ONG ambientalista”, é uma figura carimbada que também planta para as objetivas e até ensina como lidar com as árvores. Por seu lado, a Superintendente do IBAMA/AL, de súbito, abre as portas do órgão federal, deixa as pessoas entrarem no seu parque e levarem mudinhas para casa, depois de prometerem cuidar dos vegetais. A Televisão costuma mostrar, também, colecionadores com variados acervos, principalmente os que cultivam flores raras como orquídeas e dizem amar a Natureza. Entra em cena, ainda, o representante dos industriais do açúcar que vem mostrar como se faz manejo com os vegetais. O destaque mor dessa festa, contudo é o IMA que promove vários eventos nos dias consagrados ao meio-ambiente. É uma época bem interessante, eu acho. Se houvesse mais dessa semana, no ano, decerto o Planeta poderia estar menos maltratado, em tese.
Na vida real a coisa é diferente. Nesse período eu só faço me aborrecer. Vejo, por exemplo, os escoteiros florestais, do Coronel PM Fidélis, plantarem mudas que nunca irão vingar, porque eles jamais voltarão àquele local para cuidar delas. Depois aparece o Secretário Ricardo Ramalho. Imaginem ter de suportar o titular da SEMPMA, que passa o ano inteiro a decapitar árvores ornamentais em Maceió, sob as vistas complacentes do Ministério Público estadual, posar de ecologista, na TV! E a Sandra Menezes, Superintendente do IBAMA/AL, que não move mais um dedo sequer em favor do ecossistema, depois que abraçou de vez a política partidária, dar uma de amante da Natureza, segurando carinhosamente uma plantinha! Pode? Vocês já pensaram ter de encarar a presença do Presidente do IMA/AL, Adriano Augusto, um amigo do Governador Teotônio Vilela, que de uma hora para outra ascendeu à presidência do Órgão ambiental estadual e vê-lo sair na semana do meio-ambiente a dar entrevistas à Televisão, como se fosse militante ecológico, embora se saiba que no seu dia-a-dia, ele deixa os criminosos ambientais virarem o ecossistema de pernas-pro-ar, sem que faça coisa nenhuma para impedir os crimes? AH! Havia me esquecido da ONG dos usineiros, o IPMA – Instituto para Preservação da Biosfera da Mata Atlântica de Alagoas, cujo Presidente, o Sr. Fernando Pinto aparece invariavelmente na telinha, nessa época, sempre a fazer o plantio de mudas nas terras dos industriais do açúcar, isto é, somente nos locais onde os canaviais não são rentáveis, porque nas outras áreas, inclusive nas APPs – Áreas de Preservação Permanentes, tais como os topos dos morros, as encostas declivosas, as matas ciliares e as bordas de tabuleiros, estas permanecem ocupadas pela cana de açúcar.
Pois é. Às vezes, o sangue ferve nas veias, quando vejo tudo isso, olho para o povo nas ruas e observo muita gente, minha conhecida, que se deleita com os “novos rumos” da política ambiental de Alagoas, sob o comando de Téo Vilela. Todavia, a minha irritação fica só nisso. Não posso fazer outra coisa a não ser ficar calado, refletir, aceitar o fato de que as pessoas gostam de fantasia, de ilusão e do faz-de-conta. Não fosse assim, como explicar o sucesso das novelas da Globo? Além disso, mesmo se eu quisesse não teria, nem como estrebuchar. Todos os espaços na Grande Imprensa já foram ocupados pelo governo e pelos empresários. A Mídia não tem interesse de ouvir denúncia alguma de ecologista chinfrim ou eco-xiita ultrapassado, conforme somos tratados agora, pelo “grande” secretário da SEMPMA – Ricardo Ramalho. Dessa forma, paira somente a mensagem que convém ao governo e às pessoas que detém poder.
Ora, a afirmação de que não passamos de gente insignificante é a carapuça que cabe certinha na nossa cabeça, especialmente quando esse objeto vem enfeitado pelas mãos da manda-chuva do IBAMA/AL – Sandra Menezes, ecologista de outrora, cujo comportamento, hoje em dia, fica muito aquém daquele seu tempo de militância. Agora, ela está mudada, tornou-se arrogante e pernóstica. Não atende telefonema de ex-companheiros e nem ao menos manda seus assessores saber do assunto: simplesmente, ignora. Trata-se de uma pessoa que não mais conheço, distinta daquela que engrossava as fileiras do movimento ecológico alagoano, na época em que figurava, também, o jornalista Anivaldo de Miranda Pinto, cuja combatividade perdeu-se no caminho da Secretaria Estadual de Meio-Ambiente de Alagoas, onde já esteve Secretário e hoje ocupa uma superintendência, ali. É uma pena!
Desculpem os meus leitores por eu nomear pessoas em uma crônica amarga. Gostaria de não ter de fazê-lo, no entanto a presente conjuntura deixa-me sem opção. Ademais, eles (os nomeados) estão no poder e deveriam fazer jus aos cargos que ocupam, promovendo a defesa do ecossistema, coisa que têm negligenciado.
Feliz ou infeliz (mente), o mundo dá muitas voltas. Dia desses apareceu uma EISA da vida, para retirar as máscaras desses atores, querendo implantar estaleiro dentro dos manguezais, no Pontal de Coruripe e, somente uma única ONG, a SAMAN, requereu audiência pública para discutir o projeto do tal Estaleiro. No dia da reunião, mesmo sendo uma voz veemente contra o empreendimento, a Imprensa de Alagoas fez que não viu, restando patente sua submissão ao Capital. Não obstante esse comportamento esdrúxulo da Mídia, o ambientalismo alagoano, embora reduzidíssimo em números, deu mostras de que está vivo.
Agora, nos preparamos para mais uma semana do meio-ambiente e por certo haverão de deitar falação na Mídia, os mesmos ecologistas de ocasião, com suas mensagens puídas, porém ainda válidas para iludir os leigos. Que fazer?…
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José Luiz Argolo é alagoano, ex-conselheiro do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, fundador e presidente da SAMAN – Sociedade Ambientalista Mãe Natureza. É formado em Letras (CESMAC) e tem especialização em Solos e Meio-Ambiente (UFLA – Lavras/MG).
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