As pessoas conscienciosas, que se preocupam com o meio ambiente, com as causas ecológicas, com os animais e a natureza, muitas vezes são motivo de chacota e chamadas por adjetivos nada lisonjeiros como o que dá título a este texto. E os que assim procedem, se acham donos da verdade e são os que pretendem continuar poluindo sem remorsos.
Na verdade, é muito mais fácil ser ecologicamente incorreto. É bem mais confortável ficar horas desperdiçando água e energia no banho, lavar calçadas usando o esguicho como vassoura, deixar as luzes da casa acesas e a TV ligada sem ninguém assistindo apenas por preguiça de desligar.
É bem mais fácil ir ao supermercado sem levar a própria sacola resistente e utilizar dezenas de sacolinhas plásticas que depois serão descartadas gerando toneladas de lixo que ajudarão a poluir ainda mais o meio ambiente. Cada vez que se vai a um supermercado comprar meia dúzia de produtos, volta-se com o dobro de sacolas. Os embaladores colocam cada item numa sacola plástica e “reforçam” com mais outra, e às vezes com outra ainda. Uma compra que poderia ser carregada em uma única sacola, acaba utilizando uma dúzia delas. E se ficam no porta-malas por algum tempo, sob o calor do sol, ficam moles e arrebentam quando carregadas causando grande constrangimento quando as compras rolam pelo chão.
Isso sem falar nas centenas de criaturas marinhas que morrem anualmente engolindo sacos plásticos pensando que são algas ou sendo asfixiadas pelos saquinhos.
É muito mais cômodo jogar o óleo usado na pia da cozinha ao invés de esperar que esfrie, colocá-lo numa garrafa pet e destiná-lo ao órgão reciclador.
É bem mais simples jogar lâmpadas queimadas no lixo comum, ou quebrá-las para reduzir o volume, deixando que vaze o mercúrio poluindo a natureza por centenas de anos, ao invés de embalá-las e devolver aos fabricantes para reciclamento.
É bem mais cômodo atirar pilhas e baterias na lata de lixo ao invés de guardá-las num recipiente até juntar várias delas para depositar nos locais de coleta.
Conclui-se que é muito mais fácil ser inimigo da natureza do que ser ecologicamente correto. Então, por que os que agem corretamente são sempre motivo de piadas, gozação, desrespeito e chamados de radicais?
E o que é ser radical? Radical vem de raiz, e se queremos cortar um mal, tem que começar pela raiz. Isso é ser radical. Não existe um meio termo. Já viram alguém ser “meio” fiel? Já viram um “meio” assassino? Ou se é ou não é. Tem gente que diz: “sou vegetariano e consumo apenas frango e peixe”. Então, não é vegetariano, pois frango e peixe também são carnes de animais.
Numa democracia, todos têm o direito de dizer o que pensam. Mas é preciso que as outras partes, as que se sentirem insultadas, agredidas ou mal interpretadas, tenham voz também.
Pessoas que se importam com a natureza e tem consciência da importância de rever atitudes em prol do futuro do planeta, são muitas vezes ridicularizadas, denominadas por termos nada edificantes como ecochatas, radicais, alienadas.
Não é preciso ser estudioso no assunto, ou um “ecochato”, para ter a mínima noção de que utilizar os bens não renováveis do planeta, sem responsabilidade, é declarar a extinção da própria espécie.
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Ivana Maria França de Negri é escritora e defensora das causas ecológicas
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