Esta é daquelas crônicas que detesto levar a público porque tem nada a ver comigo. Mas, escrevê-la torna-se uma necessidade ante o quadro pouco alvissareiro com que se defronta o povo alagoano para a escolha do seu futuro Governador.
Dos vários nomes apresentados postulando eleição para o cargo mais importante de Alagoas, três deles tem possibilidades de vitória: Fernando Afonso Collor de Mello, Teotônio Brandão Vilela Filho e Ronaldo Lessa Santos.
Esse trio que já dirigiu Alagoas e não deixou saudades quer voltar ao poder, sendo que Téo Vilela está em fim de mandato e pretende renová-lo.
As perspectivas não são boas. Basta olharmos para trás: 1) O governo Collor foi um desastre, porque o seu titular só pensava em ser Presidente da República e para alcançar esse projeto obsessivo deixou Alagoas em pandarecos; 2) Ronaldo Lessa fez uma das piores administrações dos últimos 50 anos. Com ele, Alagoas deu um passo para trás; e, 3) Teotônio Vilela é considerado o Governo da mentira, porque nada do que ele fala é verdade.
Nesse momento o que me ocorre são as palavras de minha avó Idalina: “o melhor é o pior e o pior é o melhor”. O povo está na mesma encruzilhada, porém sob outro ditado: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!”
Quanto ao Governo Fernando Collor de Mello, este fez o “acordo dos usineiros” que de tão lesivo aos interesses do Estado, deixou Alagoas sem receber ICM dos produtores de açúcar durante um tempão, período que a maioria dos alagoanos prefere esquecer. Collor é um engodo que o Brasil conhece bem.
Depois tivemos a Administração Ronaldo Lessa que foi um desastre duplo. Após o primeiro mandato desastroso, lançou mão das Letras Financeiras de Alagoas e embolsou 500 milhões de reais, empregando boa parte deles na compra de votos com os quais conseguiu sua reeleição, derrotando Fernando Collor, no primeiro turno. Chefiou o Estado, no seu segundo governo, permitindo a instalação do maior esquema de corrupção já visto na Assembléia Legislativa de nossa terra.
No tempo presente, o governador Teotônio Vilela Filho comanda o Estado sem se preocupar com os mais pobres. Aqui, nada funciona. Os hospitais e postos de saúde estão quase paralisados por falta de profissionais, de medicamentos e de materiais médico-odontológico. Os estabelecimentos de ensino, especialmente os que cuidam da educação elementar estão caindo aos pedaços. Na área de segurança pública, o que mais se vê nas ruas são carros com adesivos, onde se pode ler: “Alagoas, nunca se matou tanto!” Apesar disso, o governo Téo Vilela continua a mentir, dizendo em sua propaganda que “nunca se fez tanto”.
Precisa falar mais alguma coisa? Sim! Foi durante o atual Governo que a Polícia Federal descobriu o arrombamento dos cofres da Assembléia Legislativa de onde surrupiaram aproximadamente 300 milhões de reais. Segundo a PF, o assalto ao erário por parte dos parlamentares alagoanos, foi facilitado pelas sobras do duodécimo, as quais representam mais de 3 milhões de reais por mês, acima do previsto em lei.
O escândalo do envolvimento dos deputados nessa ladroeira de pouco adiantou vir à tona, porque destronados temporariamente foram reempossados, pelo Supremo Tribunal Federal. Agora, os deputados voltaram mais famintos do que nunca e exigiram aumento do repasse do duodécimo, decerto para compensar os meses que ficaram sem se locupletarem do dinheiro público, no que foram atendidos pelo presente governo.
A situação está agravada, pois a emenda foi pior do que o soneto. No poder, novamente, os deputados estão bem mais precavidos. Se a Polícia Federal cair na besteira de fazer nova investida, na Assembléia, vai dar com os burros n’água.
Muita coisa ruim pode acontecer ainda, a partir do momento em que os recursos federais enviados para resolver os problemas deixados pela enxurrada recente caírem na conta do Governo. Aí, gente: Deus salve Alagoas!
A esperança de uma reviravolta nessa situação poderia acontecer com a aplicação da Lei Ficha Limpa, já que os três candidatos a Governador têm pendências na Justiça.
Eu disse esperança, porque daí em diante o caminho da cidadania é pedregoso e sua pavimentação depende do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas.
Vamos esperar! Afinal de contas quem passou mais de um século a ver as águas rolarem sob a ponte da impunidade, não pode reclamar se a correção vier daqui a dois meses. Pode?
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José Luiz Argolo é alagoano, ex-conselheiro do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, fundador e presidente da SAMAN – Sociedade Ambientalista Mãe Natureza. É formado em Letras (CESMAC) e tem especialização em Solos e Meio-Ambiente (UFLA –
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