DA ASSESSORIA DE IMPRENSA DA CONFERÊNCIA
As cidades de médio porte, que têm entre 100 e 500 mil habitantes são as que mais crescem nos países em desenvolvimento. Garantir o seu crescimento, mas ao mesmo tempo preservar as características que as diferenciam das metrópoles é o desafio de prefeitos, gestores públicos e da comunidade em geral. O tema foi debatido no 1º Encontro Internacional de Cidades de Médio Porte, aberto nesta quarta-feira (10), dentro da CICI2010 – Conferência Internacional de Cidades Inovadoras, que acontece em Curitiba, numa promoção do Sistema Fiep. O debate do primeiro dia do encontro reuniu os prefeitos de Chattanooga (EUA), Ron Littlefield, e Santa Maria (RS), Cezar Schirmer, e a economista, a administradora pública e consultora da ONU, Ana Carla Fonseca.
O prefeito de Chattanooga mostrou com fotos a grande transformação que a cidade sofreu a partir de 1980, inspirada nas experiências inovadoras de outras cidades. Deixou de ser a cidade mais poluída dos EUA nos anos 60 para se tornar a mais verde. “Com planejamento urbano nós começamos a criar uma cidade bonita, plantando árvores, revitalizando o rio, criando parques, restaurando áreas públicas e assim, atraímos pessoas”, disse. Para Littlefield, as cidades que desejam mudar precisam utilizar a população nas tomadas de decisão. “Dessa forma as pessoas se sentem donas das idéias, responsáveis pela cidade. Colocamos os planos em prática e fizemos as pessoas participantes ativas do processo. Essa é a chave para o sucesso”, ressaltou.
O modelo de Chattanooga serviu de inspiração para Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Com quase 1 milhão de habitantes, a cidade está investindo em tecnologia, infraestrutura, desenvolvimento rural e educação. Para poder crescer de forma sustentável e ser criativa, a prefeitura convocou a população para responder: “Como é a cidade que queremos?”. “Nós envolvemos a população para construir o futuro da cidade e não do governo”, contou Cézar Schirmer, prefeito de Santa Maria. “Não temos ainda os problemas das grandes cidades. Vamos aprender com elas para evitá-los”, garantiu o prefeito.
Vantagens e oportunidades – “As cidades de médio porte possuem vantagens e oportunidades em relação às metrópoles: não têm os problemas das grandes e nem falta de recursos das pequenas, são vitais para o balanço do desenvolvimento regional”, afirmou Ana Carla Fonseca. Segundo ela, as cidades de médio porte apresentam sociedades mais engajadas, estabelecem pontos e conexões entre as pequenas e grandes, entre o local e o global, entre o passado e o futuro. “São cidades que se atém muito a suas histórias”, disse. A consultora da ONU falou do conceito de cidade criativa, destacando os espaços que reúnem trabalho, lazer e moradia em um ambiente de inovação.
É preciso manter e revelar as singularidades e deve ser vista não aos pedaços, mas como um todo, com uma conexão de idéias, de diversidade, explicou. Dentro deste modelo, o espaço público deixa de ser um espaço de ninguém e passa a ser um espaço de todos”, destaca Ana Carla.
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