DOIS MAIS DOIS

JOÃO PENIDO
joaoepenido@gmail.com

27 de novembro de 2009 18:27 

Cortar ou não cortar as isenções de IPI?

Você acha que o Governo deve acabar com as reduções ou isenções de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)? Que a economia já está recuperada, com a venda de carros devendo bater recorde este ano? Que o Governo já perdeu muito ao deixar de arrecadar R$ 25 bilhões com esses incentivos, num momento de queda na arrecadação?

Bem, se você acha mesmo isso, parabéns. A maior parte dos economistas vai concordar com você. Por quê? Porque eles estão com medo de várias coisas. A primeira é que já tem fila de espera para comprar alguns modelos de carros novos. E daí? Daí que eles, a maioria dos economistas, temem que as montadoras venham a aumentar os preços ou cobrar ágio de você, como aconteceu no Plano Cruzado, no Governo Sarney, lembra-se?

A segunda coisa decorre da primeira. Se os preços aumentarem, a inflação vai subir. E a terceira coisa decorre da segunda. Se a inflação subir, o Banco Central vai aumentar a taxa básica de juros, a Selic, e todos os bancos vão seguir esse aumento, cobrando juros ainda maiores de você.

E isso logo agora, depois que o BC finalmente, a muito custo, foi baixando a Selic, que passou de 13,75% ao ano em dezembro de 2008 para os atuais 8,75%, ao ano (mesmo assim, um dos maiores juros do mundo).

Outros temores desses economistas são o risco de haver prejuízo para a balança comercial do país, de o Governo não conseguir cumprir a meta do chamado superávit primário, ou seja, a economia feita para pagar os juros da dívida pública. E assim por diante. O medo deles parece não ter fim.

No entanto, se você não acha nada disso, você também está de parabéns, Talvez você seja menos otimista do que eles e acredite que a crise não acabou coisa nenhuma. Que a crise é em W, e não em V. Aí você estará muito bem acompanhado por aquele economista que foi o único a prever a atual crise, o Nouriel Roubini, que ganhou o apelido de doutor catástrofe e vive dizendo que novas bolhas estão se formando e vão estourar a qualquer momento.

E também terá a companhia do Banco Mundial, para quem a economia mundial pós-crise enfrenta novos riscos com as bolhas de investimentos, que podem jogar milhões de pessoas de volta à pobreza.

Além disso, você terá outros argumentos para discordar da maioria dos economistas. O primeiro deles é muito simples: será que eles não repararam que quando os preços baixam o comércio vende mais, a indústria produz mais e o Governo arrecada mais? Aliás, foi o que acabou ocorrendo no mês passado: depois de 11 meses em queda, a arrecadação subiu.

Você também poderia lembrar à maioria dos economistas que a indústria como um todo ainda não voltou a produzir como no período anterior à crise (setembro de 2008) e ainda se encontra muito abaixo do pique de expansão da economia. E que os investimentos não reagiram e ainda são baixos. Ora, se os preços baixam e as pessoas passam a comprar mais, mais os empresários se dispõem a investir para atender à demanda.

Finalmente, você poderia perguntar à maioria dos economistas: vocês não sabem que eu já pago imposto demais, que a carga tributária brasileira é altíssima, e que pouco recebo em troca do Governo em termos de saúde, educação e saneamento? Simples assim.



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