VISÃO NORDESTINA

JOSÉ LUIZ MALTA ARGOLO
jlargolo@yahoo.com.br

15 de janeiro de 2010 13:14 

Coqueiral da praia – é proibido procriar

Prefeitura de Maceió agride coqueiral. Fotos: José Luiz Malta Argolo.Tenho dito outras vezes que em matéria de prefeito anti-ecológico Maceió sai na frente.

Comecei a contar desde Ronaldo Lessa, passando pelos dois mandatos de Kátia Born até chegar aos seis anos da administração Cícero Almeida. Maceió, do ponto de vista ambiental, tem padecido mais do que galinha que cria pato.

O pior de tudo é observar que de tanto conviver com as agressões praticadas pelos órgãos públicos contra os objetos naturais, o maceioense acostumou-se com o ilícito e parece ter perdido a sensibilidade. A Imprensa, por seu lado, quer mais é ver o circo pegar fogo e fica por ali num pé e noutro fingindo que não viu o incêndio. Quando pode dá uma mãozinha à Secretaria Municipal de “Proteção” ao Meio ambiente de Maceió – SEMPMA, noticiando os desastres de veículos que derrubam árvores ou de árvores que caem sobre veículos, sempre por culpa exclusiva das plantas que, em sua opinião, estão velhas e só servem para prejudicar os automóveis. De vez em quando sugere, aos “prejudicados” pelas árvores, entrar com pedido de ressarcimento pelos danos causados ao seu patrimônio na justiça, contra a Prefeitura.

A coisa parece que tomou o rumo do Haiti, com todo respeito aos haitianos, porque um dia desses li estarrecido, no único jornal alagoano de oposição, o qual elogiara a administração do Secretário da SEMPMA – Ricardo Ramalho colocando-o como um dos melhores secretários da Prefeitura de Maceió.

Aí é quando o matuto não se conforma e destempera : “Durma com uma zoada dessa e acorde com boa cara!”

Tem uma coisa que me deixa irritado e por mais me esforce não dá para ocultar o aborrecimento. Trata-se de uma prática deletéria adotada, talvez, na longínqua administração do Prefeito Divaldo Suruagy, quando seus assessores mandavam remover palmas e cocos em cachos inteiros ainda imberbes, do coqueiral da orla marítima de Maceió, com a desculpa esfarrapada de que eles poderiam cair na cabeça das pessoas.

A moda pegou e não era para menos – juntou a fome com a vontade de comer, pois, como é uma atitude arbitrária e só faz mal às plantas, no caso, aos coqueiros, ninguém reclama. Nem mesmo os “educados” turistas que nos visitam, porquanto passam ao lado, nas calçadas e vêm os montes de palhas e os frutos dos coqueiros acumulados como lixo, nas margens das avenidas que circundam a orla marítima de Maceió; olham, vêm e não dizem absolutamente nada.

Hoje, quando voltava do centro da Cidade vi perto da minha casa, dois desses montes de matéria orgânica dos coqueiros, inclusive os coquinhos. Corri para casa, apanhei minha câmera e fiz essas fotos que estão aí.

No momento do flagrante, estavam a passear dois jovens turistas, que ao ver-me fotografar o “lixo” perguntaram inocentemente, se eu não queria que eles me fotografassem ao lado do material. Respondi que não, ao que me fizeram nova pergunta, qual a razão das minhas fotos. Meio aborrecido, desta vez fui eu que os interroguei: – Isto que estou a fotografar não os deixa chocados, não? Saíram sem responder. Nem ao menos atentaram para o fato de haver alimentos bons sendo atirados ao lixo. Nem assim sua indignação aflorou. Imaginem indignarem-se por razões ecológicas!…

Esse crime que a prefeitura de Maceió pratica regularmente contra o nosso coqueiral, a meu ver, poderia ser evitado. Já fiz várias denúncias ao Ministério Público, sobre o assunto, inclusive em uma audiência pública que pedi e fui atendido. Naquela oportunidade estava à frente da Coordenação de Meio-Ambiente, um Promotor de Justiça meu conhecido. Durante a reunião sugeri que a Prefeitura, através da SEMPMA e da Superintendência de Parques e Jardins, colocasse redes sob a fronde dos coqueiros para evitar acidentes e dessa maneira impedisse a remoção dos frutos e das palhas novas, somente efetuando a limpeza e retirada de cocos e de palhas secas a cada três meses, conforme o fazem comumente, os proprietários de coqueiros, em Alagoas. Sugeri, também que se, por acaso, a minha idéia fosse considerada imprópria que buscassem outras mais exeqüíveis junto à população. Não faltam pessoas criativas, desde que sejam estimuladas, adequadamente. Não fui levado em conta, porém e até hoje o procedimento criminoso continua em vigor.

É por essa e outras que permaneço cético em relação ao crescimento da conscientização das pessoas para com o meio-ambiente. Deus permita que eu esteja equivocado! Amém!
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José Luiz Argolo é alagoano, ex-conselheiro do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, fundador e presidente da SAMAN – Sociedade Ambientalista Mãe Natureza. É formado em Letras (CESMAC) e tem especialização em Solos e Meio-Ambiente (UFLA – Lavras/MG).



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